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Acórdão
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 6ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0001220-62.2020.8.16.0082 Apelação Criminal n° 0001220-62.2020.8.16.0082 Ap Juizado Especial Criminal de Formosa do Oeste Apelante(s): MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ Apelado(s): JORGE FUMIO SATO Relator: Haroldo Demarchi Mendes APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME AMBIENTAL. ART. 32, §2°, DA LEI 9.605/98. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. RECURSO DO MINISTÉRIO. AUSÊNCIA DE DEFESA PRÉVIA E RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. INOBSERVÂNCIA DO ART. 81 DA LEI Nº 9.099/95 E ENUNCIADO Nº 53 DO FONAJE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE ABSOLUTA DO PROCESSO RECONHECIDA DE OFÍCIO A PARTIR DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO. RECURSO PREJUDICADO. Relatório Trata-se de Recurso de Apelação interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ em face da decisão proferida pelo MM. Juiz de Direito do Juizado Especial Criminal da Comarca de Formosa do Oeste/PR, o qual julgou improcedente a pretensão punitiva contida na denúncia, absolvendo o acusado JORGE FUMIO SATO pela prática do crime previsto no art. 32, §2° da Lei 9.605 /98, em razão da ausência de prova de autoria (mov. 140.1 - autos de origem). Inconformado, o Ministério Público interpôs o recurso de apelação, apresentando suas razões e pugnando, em síntese, pela reforma da decisão e pela condenação do réu (mov. 154.1 – autor principais). Em contrarrazões, o apelado pugnou pela manutenção da decisão (mov. 168.1 - autos de origem). O Parquet, atuante perante a Turma Recursal, pleiteia a nulidade feito a partir da audiência de instrução e julgamento, ante a inobservância do art. 81 da Lei n.º 9.099/1995 (mov. 12.1 – autos recursais). É o relatório 2. Voto O presente recurso comporta conhecimento, ante a presença dos pressupostos objetivos (previsão legal, forma prescrita em lei, tempestividade, inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer) e subjetivos (interesse e legitimidade). Preliminarmente, cumpre esclarecer que resta prejudicada a análise do mérito, em razão do vício insanável ocorrido nos autos originários, na forma apontada pelo Ministério Público em seu parecer retro. De início, cumpre apontar que o art. 81 da Lei n° 9.099/90 dispõe que: Artigo 81 – Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, após que o juiz receberá ou não ou a denúncia ou queixa; havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e defesa, interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se imediatamente aos debates orais e à prolação da sentença. Outrossim, o enunciado nº 53 do FONAJE estabelece que “o recebimento da denúncia, na hipótese de suspensão condicional do processo, deve ser precedido da resposta prevista no art. 81 da Lei 9099/95”. No presente caso, tem-se que na audiência de instrução e julgamento designada para o dia 20/09 /2022, não foi concedida ao defensor a oportunidade de responder à acusação, bem como não houve o recebimento da denúncia (mov. 127.1 – autos principais). Logo, denota-se que não houve instauração válida do processo na audiência de instrução e julgamento. Neste ponto, vale salientar que a desobediência ao rito processual instituído por essa lei constitui nulidade absoluta por contrariar ato de índole constitucional. A propósito: APELAÇÃO CRIMINAL - DELITO DE AMEAÇA – SENTENÇA CONDENATÓRIA - AUSÊNCIA DO DESPACHO DE RECEBIMENTO DA DENÚNCIA - OFENSA AO ARTIGO 81 DA LEI 9.099/95 – DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA – NULIDADE ABSOLUTA DO PROCESSO RECONHECIDA DE OFICIO A PARTIR DA INSTRUÇÃO PROCESSUAL – EXAURIMENTO DO LAPSO ENTRE A DATA DOS FATOS E O PRESENTE MOMENTO - DECLARAÇÃO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA ABSTRATA – INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 107, IV e artigo 109, VI, DO CÓDIGO PENAL. RECURSO PREJUDICADO. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0003364-60.2019.8.16.0141 - Realeza - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MARCO VINICIUS SCHIEBEL - J. 21.05.2024) APELAÇÃO CRIMINAL. CONTRAVENÇÃO PENAL. PERTURBAÇÃO DO SOSSEGO. ARTIGO 42, INCISO III DO DECRETO LEI Nº 3.688/41. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO. INSURGÊNCIA RECURSAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. PLEITO DE PROSSEGUIMENTO DO FEITO. ALEGAÇÃO DE QUE NÃO OCORREU A PRESCRIÇÃO EM RAZÃO DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA QUANDO FOI HOMOLOGADA A SUSPENSÃO DO PROCESSO. NÃO ACOLHIMENTO. NULIDADE ABSOLUTA. AUSÊNCIA DE DEFESA PRÉVIA E RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. ARTIGO 81 DA LEI Nº 9.099/95 E ENUNCIADO Nº 53 DO FONAJE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.(TJPR - 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0000662-65.2019.8.16.0134 - Pinhão - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS GISELE LARA RIBEIRO - J. 15.12.2023) Diante do exposto, deve ser reconhecida, ex officio, a nulidade processual, a partir da audiência de instrução e julgamento, ficando prejudicado o exame do mérito do recurso. O voto, portanto, é por CONHECER e julgar PREJUDICADA a análise do recurso, nos termos da fundamentação. Ante o exposto, esta 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por maioria dos votos, em relação ao recurso de MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ, julgar pelo(a) Sem Resolução de Mérito - Prejudicado nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Haroldo Demarchi Mendes (relator), com voto, e dele participaram os Juízes Gisele Lara Ribeiro (voto vencido) e Austregésilo Trevisan. 14 de junho de 2024 Haroldo Demarchi Mendes Juiz (a) relator (a)
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