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Acórdão
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 6ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0012190-96.2024.8.16.0045 Apelação Criminal n° 0012190-96.2024.8.16.0045 Ap Juizado Especial Criminal de Arapongas Apelante(s): WAGNER COUTO ASSIS Apelado(s): KAROLINA DE SOUZA FELIPINI Relator: Haroldo Demarchi Mendes APELAÇÃO CRIMINAL. INJÚRIA. ART. 140, DO CP. AÇÃO PENAL PRIVADA. DECISÃO QUE EXTINGUIU A PUNIBILIDADE DO QUERELADO DIANTE DA CONFIGURAÇÃO DA DECADÊNCIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DA QUERELANTE. NÃO ACOLHIMENTO. NÃO OFERECIMENTO DA QUEIXA-CRIME DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL DE SEIS MESES, CONTADOS DA DATA DO CONHECIMENTO DA AUTORIA. PRAZO IMPRORROGÁVEL. ART. 38 DO CPP E 103 DO CP. DECISÃO MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. APLICAÇÃO DO ART. 82, § 5º DA LEI 9099/95. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Relatório Relatório dispensado nos termos do Enunciado 92 do Fonaje. 2. Voto O recurso comporta conhecimento, ante a presença dos pressupostos objetivos (previsão legal, forma prescrita em lei, tempestividade, inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer) e subjetivos (interesse e legitimidade). Sabe-se que, segundo dispõe os artigos 38 do Código de Processo Penal e 103, do Código Penal, o prazo decadencial para apresentação de queixa-crime em ações privadas é de 06 (seis) meses, a contar da data de conhecimento do autor do delito. Neste ponto, conforme destacado pelo Ministério Público“Embora haja inconformismo do recorrente com a decisão de seq. 19.1, esclarece-se que, a Autoridade Policial equivocadamente ao registrar o Termo Circunstanciado constou o delito de desacato (art. 331, do CP). Contudo, o próprio advogado do recorrente em audiência preliminar datada de 18 de novembro de 2024 (mov. 16.2 – 2min12seg) confirmou ‘que seria um delito contra a honra e não sabe o porquê que ficou registrado como desacato, mas seria crime contra a honra mesmo’ (SIC). Importante salientar que, a palavra ‘porco’ proferida pela recorrida Karolina De Souza Felipini foi direcionada à pessoa do recorrente, ou seja, não objetivava atingi-lo na função pública por ele exercida ou em razão dela” (mov. 45.1 - autos principais). Pois bem. No caso em análise, o Boletim de Ocorrência nº 2024/294122 (mov. 6.1 – autos principais) descreve fatos ocorridos em 06/03/2024. Contudo, a ação penal não foi formalmente instaurada, sendo que a mera representação criminal apresentada perante a autoridade policial não é suficiente. Ressalte-se que, diferentemente dos crimes sujeitos à ação penal pública condicionada à representação, nos quais a manifestação de vontade da vítima pode ocorrer sem maiores formalidades, os delitos de ação penal privada exigem formalização específica. Para o devido processamento, faz-se necessária a propositura da queixa-crime, acompanhada de procuração com poderes especiais, além do recolhimento das custas processuais. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento consolidado sobre o tema: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIMES CONTRA A HONRA. TRANSAÇÃO PENAL. DESCUMPRIMENTO DO ACORDO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL QUANTO AO IMPEDIMENTO DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O regramento da transação penal não estabelece a pendência de cumprimento das condições do acordo como cláusula impeditiva ou suspensiva da fluência do prazo decadencial. 2. O enunciado da Súmula Vinculante n. 35 deve ser compatibilizado com a presença das condições da ação penal. Assim, a Súmula Vinculante n. 35 enuncia ser possível a persecução criminal, caso descumprido acordo de transação penal, se presentes as condições da ação penal, com destaque para a ausência de causa extintiva da punibilidade. 3. A referida leitura, no que concerne à extinção da punibilidade, é abalizada nesta Corte Superior, que rechaçou a possibilidade de a transação penal suspender o decurso do lapso prescricional para a propositura da ação penal. 4. O prazo para o oferecimento da queixa-crime, em regra, é de seis meses, contados da data em que o ofendido vier a saber quem é o seu ofensor. Se a ação penal não é oferecida pelo particular no prazo mencionado, ocorrerá a decadência, nos termos do art. 103 do Código Penal. 5. Conforme estabelece a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, "o prazo decadencial é preclusivo e improrrogável, e não se submete, em face de sua própria natureza jurídica, à incidência de quaisquer causas de interrupção ou suspensão"( Inq 774 QO, Rel. Ministro CELSO DE MELLO, TRIBUNAL PLENO, julgado em 23/09/1993, DJe 17 /12/1993) . 6. Considerando o princípio da legalidade estrita, que rege o Direito Penal, eventual causa impeditiva de fluência do prazo decadencial deve estar expressamente prevista em lei, o que não ocorre no caso em análise, devendo-se reconhecer a decadência. 7. Recurso ordinário em habeas corpus provido, em conformidade com o parecer ministerial, para declarar a extinção da punibilidade da Recorrente pela decadência. (STJ - RHC: 139063 AL 2020 /0325712-5, Relator: Ministra LAURITA VAZ, Data de Julgamento: 22/02/2022, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 03/03/2022). No mesmo sentido: APELAÇÃO CRIMINAL. 1 - HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE ARQUIVAMENTO DE TERMO CIRCUNSTANCIADO REFERENTE AOS CRIMES DE AMEAÇA E COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. DECISÃO IRRECORRÍVEL. ENUNCIADO 101 DO FONAJE. NÃO CONHECIMENTO. 2 - CRIMES DE DIFAMAÇÃO, INJÚRIA E CALÚNIA. AÇÃO PENAL PRIVADA. QUEIXA-CRIME NÃO APRESENTADA NO PRAZO DECADENCIAL DE SEIS MESES. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA DECADÊNCIA NOS TERMOS DO ARTIGO 107, INCISO IV, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL.SENTENÇA ESCORREITA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO.(TJPR - 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0002793-23.2020.8.16.0184 - Curitiba - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS LUCIANA FRAIZ ABRAHAO - J. 29.09.2023) APELAÇÃO CRIMINAL. INJÚRIA E AMEAÇA. ARTIGOS 140 E 147, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA DECADÊNCIA EM RELAÇÃO AO CRIME DE INJÚRIA. NÃO OFERECIMENTO DA QUEIXA DENTRO DO PRAZO DE 6 MESES.INSURGÊNCIA RECURSAL. ILEGITIMIDADE DA VÍTIMA QUANTO AO CRIME DE AMEAÇA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA A SER CONHECIDA DE OFÍCIO. NECESSÁRIO PROSSEGUIMENTO DO FEITO. SENTENÇA REFORMADA EX OFFICIO. Recurso conhecido e desprovido em relação ao crime de injúria e recurso não conhecidoem relação ao crime de ameaça.(TJPR - 4ª Turma Recursal - 0013645- 83.2020.8.16.0030 - Foz do Iguaçu - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS LEO HENRIQUE FURTADO ARAUJO - J. 24.10.2022) Desse modo, considerando que, quando foi proferida a decisão combatida já havia transcorrido 06 (seis) meses sem a apresentação da queixa-crime, se mostra escorreita a decisão que declarou extinta a punibilidade em razão da decadência do direito da noticiante quanto ao crime de injúria, nos termos do artigo 107, inciso IV, do Código Penal. O voto, portanto, é pelo CONHECIMENTO e DESPROVIMENTOdo recurso, mantendo-se a sentença por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 82, § 5º da Lei nº 9099/1995. À defensora nomeada (mov. 49.1 - autos de origem), ANTONÍA JOSÉ DA SILVA MAZIERO, OAB/PR nº 13.893, fixo os honorários no valor de R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais) ante a interposição de contrarrazões, em consonância com os valores estabelecidos pela Resolução Conjunta n. 06/2024-PGE/SEFA. Ante o exposto, esta 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de WAGNER COUTO ASSIS, julgar pelo(a) Com Resolução do Mérito - Não-Provimento nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Gisele Lara Ribeiro, com voto, e dele participaram os Juízes Haroldo Demarchi Mendes (relator) e Austregésilo Trevisan. 05 de setembro de 2025 Haroldo Demarchi Mendes Juiz (a) relator (a)
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