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Acórdão
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 6ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Recurso Inominado Cível n° 0000142-59.2025.8.16.0146 RecIno Juizado Especial da Fazenda Pública de Rio Negro Recorrente(s): Município de Rio Negro/PR Recorrido(s): JULIMAR WILCZEK Relator: Marcos José Vieira RECURSO INOMINADO. DIREITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE LANÇAMENTO FISCAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA. PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DO MUNICÍPIO. NÃO ACOLHIMENTO. FATO GERADOR DO TRIBUTO É A VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA DECORRENTE DA OBRA PÚBLICA (ART. 81, CTN). ÔNUS DO ENTE TRIBUTANTE DE COMPROVAR O EFETIVO E INDIVIDUAL ACRÉSCIMO DE VALOR PARA CADA IMÓVEL. MUNICÍPIO QUE SE LIMITOU A APLICAR UM PERCENTUAL DE VALORIZAÇÃO GENÉRICO (20%) SOBRE A PLANTA DE VALORES DESATUALIZADA. METODOLOGIA QUE NÃO SATISFAZ A EXIGÊNCIA LEGAL DE AFERIÇÃO INDIVIDUALIZADA DA VALORIZAÇÃO. PRECEDENTES DESTA CORTE. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO MANTIDA. SENTENÇA ESCORREITA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. RELATÓRIO Julimar Wilczek propôs ação em face do Município de Rio Negro, visando a declaração da inexigibilidade da Contribuição de Melhoria (Edital nº 001/2017) e a condenação o ente público à restituição dos valores indevidamente pagos, respeitada a prescrição. A sentença julgou procedente o pedido, reconhecendo a ilegalidade da cobrança por ausência de comprovação da efetiva e individualizada valorização imobiliária, requisito indispensável à constituição do tributo. Daí a interposição do recurso inominado pela Municipalidade, sustentando a legalidade do ato. Argumenta, em suma, que a legislação municipal autoriza a cobrança e que a aplicação de um percentual fixo sobre o valor venal dos imóveis atende ao critério de individualização, sendo a valorização uma consequência lógica e presumida da obra de pavimentação. Pugna, ao final, pela reforma da sentença para que seja julgada improcedente a demanda. Facultada a apresentação das contrarrazões, subiram os autos a esta Turma. É o relatório. VOTO 1. O recurso não comporta provimento. A controvérsia cinge-se à legalidade da cobrança de Contribuição de Melhoria instituída pelo Município de Rio Negro em razão de obra de pavimentação asfáltica. O fato gerador da Contribuição de Melhoria, nos termos do art. 81 do Código Tributário Nacional, é a valorização imobiliária decorrente de obra pública. A sua cobrança possui um duplo limite: o custo total da obra (limite global) e o acréscimo de valor que a obra proporciona a cada imóvel beneficiado (limite individual). No caso dos autos, o ponto nevrálgico da questão reside na inobservância do limite individual. Conforme bem delineado pelo juízo a quo, o Município recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar, de forma concreta e individualizada, a efetiva valorização de cada imóvel situado na zona de influência da obra. Ao contrário, optou por uma metodologia que presume a valorização, aplicando um percentual genérico de 20% sobre uma planta de valores que, à época, já se encontrava desatualizada. Tal proceder viola frontalmente a legislação tributária e a jurisprudência pacífica sobre o tema. A valorização imobiliária não pode ser ficta ou arbitrada de modo abstrato. Exige-se a sua efetiva comprovação por meio de avaliação técnica específica, que apure o quantum de valorização para cada unidade imobiliária, comparando-se o seu valor antes e depois da execução da obra. A aplicação de um percentual único sobre o valor venal, como fez o Município, apenas individualiza o montante a ser pago, mas não a base de cálculo do tributo, que é, repita-se, a valorização efetivamente ocorrida. Nesse sentido, a jurisprudência da 4ª Turma Recursal, em casos idênticos envolvendo o mesmo Município: EMENTA: RECURSO INOMINADO – JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA – AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA E REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI MUNICIPAL Nº 2711/2016 e EDITAL DE COBRANÇA 01/2018 - MUNICÍPIO DE RIO NEGRO - FATO GERADOR QUE É A VALORIZAÇÃO DO IMÓVEL EM RAZÃO DE OBRA PÚBLICA - AUSÊNCIA DE APURAÇÃO DO VALOR DO IMÓVEL EM MOMENTO ANTERIOR E POSTERIOR À OBRA - ATRIBUIÇÃO DE MODO GENÉRICO DE SUPOSTA VALORIZAÇÃO – ILEGALIDADE DA EXAÇÃO – REPETIÇÃO DO INDÉBITO DEVIDA – SENTENÇA MANTIDA. Recurso conhecido e desprovido. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0002969-19.2020.8.16.0146 - Rio Negro - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MARCO VINICIUS SCHIEBEL - J. 25.09.2022) EMENTA: RECURSO INOMINADO – JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA – AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA E REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEIS MUNICIPAIS Nº 2694/2016 E 2700/2016 E EDITAL DE COBRANÇA 02/2017 - MUNICÍPIO DE RIO NEGRO - FATO GERADOR QUE É A VALORIZAÇÃO DO IMÓVEL EM RAZÃO DE OBRA PÚBLICA - AUSÊNCIA DE APURAÇÃO DO VALOR DO IMÓVEL EM MOMENTO ANTERIOR E POSTERIOR À OBRA - ATRIBUIÇÃO DE MODO GENÉRICO DE SUPOSTA VALORIZAÇÃO – ILEGALIDADE DA EXAÇÃO – REPETIÇÃO DO INDÉBITO DEVIDA – SENTENÇA MANTIDA. Recurso conhecido e desprovido. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0003017-75.2020.8.16.0146 - Rio Negro - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MARCO VINICIUS SCHIEBEL - J. 25.09.2022) Desse modo, ausente a comprovação do fato gerador do tributo, a manutenção da sentença que declarou a inexigibilidade do débito e determinou a restituição dos valores pagos é medida que se impõe. 2. Do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso. Desprovido o recurso, deixo de condenar o Município ao pagamento de custas processuais, por ser beneficiário da isenção prevista no art. 5º da Lei Estadual nº 18.413/2014-PR. Todavia, condeno-o ao pagamento de honorários advocatícios, que fixo em 15% sobre o valor da condenação, nos termos do art. 55 da Lei nº 9.099/1995. Caso da incidência deste percentual resulte a fixação da verba honorária em quantia inferior a R$ 300,00, fica assegurado ao(à) advogado(a) da parte recorrida o recebimento deste último valor, na forma do art. 85, § 8º, do CPC. Ante o exposto, esta 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de Município de Rio Negro/PR, julgar pelo(a) Com Resolução do Mérito - Não-Provimento nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Marcos José Vieira (relator), com voto, e dele participaram os Juízes Haroldo Demarchi Mendes e José Daniel Toaldo. 06 de fevereiro de 2026 Marcos José Vieira Juiz relator
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