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Processo:
0038927-16.2024.8.16.0182
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Daniel Tempski Ferreira da Costa
Juiz de Direito Substituto
Órgão Julgador: 4ª Turma Recursal
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Mon Mar 02 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Wed Mar 04 00:00:00 BRT 2026

Ementa

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NO BENEFÍCIO DE PENSÃO POR MORTE PERCEBIDO PELA AUTORA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA DO ESTADO. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO ACOLHIMENTO. ESTADO RESPONSÁVEL PELA RETENÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A SERVIDORES E PENSIONISTAS. INTELIGÊNCIA DO ART. 157, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E DA SÚMULA Nº 447 DO STJ. LEGITIMIDADE RECONHECIDA. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS (ART. 46 DA LJE). RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.1. Presentes todos os pressupostos recursais de admissibilidade, conheço do recurso interposto, uma vez que verifico o necessário diálogo entre as razões recursais e os fundamentos da sentença, rejeitando, assim, a preliminar de violação ao princípio da dialeticidade arguida em sede de contrarrazões (mov. 31.1 dos autos principais). 2. A controvérsia recursal restringe-se a analisar a legitimidade do Estado do Paraná para figurar no polo passivo da demanda, que versa sobre a restituição do imposto de renda retido no benefício de pensão por morte percebido pela autora.3. Embora a competência para instituir o imposto de renda seja da União, o art. 157, I, da Constituição Federal dispõe que o produto da arrecadação do imposto incidente na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados pertence a estes, o que lhes atribui a condição de responsáveis pela retenção e pelo repasse. Assim, tratando-se de valores descontados diretamente da pensão paga pelo ente estadual, é dele a legitimidade para responder pela repetição do indébito. 4. O entendimento, ademais, está consolidado no Superior Tribunal de Justiça, conforme enunciado da Súmula nº 447, segundo a qual “os Estados e o Distrito Federal são partes legítimas na ação de restituição de imposto de renda retido na fonte proposta por seus servidores”. Cite-se, outrossim, precedente desta Corte em caso semelhante:APELAÇÕES CÍVEIS E REEXAME NECESSÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA CUMULADA COM RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SERVIDORA PÚBLICA ESTADUAL APOSENTADA PORTADORA DE NEOPLASIA MALIGNA. DIREITO À ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 6º, INC. XIV, DA LEI FEDERAL Nº 7.713/1988. DESNECESSIDADE DA CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS OU DA RECIDIVA DA DOENÇA. PRECEDENTES. DIREITO À DEVOLUÇÃO DE TODOS OS VALORES RECOLHIDOS A PARTIR DA INDEVIDA CESSAÇÃO ADMINISTRATIVA DO BENEFÍCIO. LEGITIMIDADE DO ESTADO DO PARANÁ PARA EFETUAR A RESTITUIÇÃO DOS VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA Nº 447, DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. (...). (TJPR - 7ª Câmara Cível - 0001216-36.2018.8.16.0004 - Curitiba -  Rel.: DESEMBARGADOR MARCEL GUIMARÃES ROTOLI DE MACEDO -  J. 13.08.2021).5. Dessa forma, considerando que a arrecadação do imposto de renda retido na fonte é de competência do Estado, que figura como parte legítima para responder à presente ação, impõe-se a manutenção da sentença.6.  Recurso conhecido e desprovido.