Íntegra
do Acórdão
Ocultar
Acórdão
Atenção: O texto abaixo representa a transcrição de Acórdão. Eventuais imagens serão suprimidas.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0005779-81.2025.8.16.0019 Recurso Inominado Cível n° 0005779-81.2025.8.16.0019 RecIno 2º Juizado Especial Cível de Ponta Grossa Recorrente(s): PAOLA GOMES ALVES GAROA Recorrido(s): SUMUP Soluções de Pagamento Brasil LTDA. Relator: José Daniel Toaldo RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E MORAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. VENDA DE PRODUTO DA AUTORA INTERMEDIADA PELA REQUERIDA. RETENÇÃO DOS VALORES. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE LESÃO A DIREITOS DE PERSONALIDADE. DANO MORAL QUE NÃO DECORRE DO PRÓPRIO FATO. MERO DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL. REFLEXOS PURAMENTE PATRIMONIAIS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS (LJE, ART. 46). Recurso conhecido e desprovido. Trata-se de ação de indenização por dano material e moral, em que narra a parte autora, em síntese, que, em 12 de dezembro de 2024, contratou os serviços da requerida para intermediação de pagamentos, com o objetivo de viabilizar a venda de um PlayStation 5 de forma parcelada. Afirma ter realizado a venda pelo valor de R$ 4.800,00, contudo, não recebeu o repasse correspondente pela reclamada. Pelo exposto, requereu a condenação da requerida ao pagamento de indenização por danos materiais e morais (mov. 1.1). Sobreveio sentença julgando parcialmente procedentes os pedidos iniciais, para o fim de condenar a promovida ao pagamento de indenização por danos materiais (mov. 48.1). Inconformada, a parte autora interpôs recurso inominado. Na oportunidade, requereu a reforma da sentença para que seja julgada integralmente procedente a pretensão inaugural (mov. 52.1). O recurso foi recebido (mov. 54.1) e as contrarrazões foram apresentadas (mov. 59.1). É o relatório. Passo ao voto. Satisfeitos os pressupostos viabilizadores da admissibilidade do recurso, merece conhecimento. Cinge-se a controvérsia recursal acerca da ocorrência de danos morais passíveis de indenização. Sustenta a parte autora que a retenção indevida, por parte da requerida, dos valores referentes à intermediação da venda de PlayStation 5, teria sido a causa direta de sua inadimplência no cumprimento de obrigações financeiras. NADA obstante as alegações, importa consignar que o mero descumprimento contratual ou simples falha na prestação de serviços não são suficientes para caracterizar dano extrapatrimonial. Isso porque, o dano moral consiste na lesão a um direito, decorrente de ato ilícito que fere o sentimento mais íntimo da pessoa, abala sua honra e atinge direitos de personalidade, sendo imprescindível, para sua comprovação, a demonstração das condições em que ocorreu a ofensa à moral, à honra, à personalidade ou à dignidade do que se diz ofendido. No caso presente, verifica-se uma narrativa genérica do suposto abalo moral sofrido pela parte recorrente, de modo que não se pode presumir que a falha na prestação do serviço e ausência de repasse dos valores requerida tenha causado efetivo abalo à honra, à personalidade ou à dignidade da recorrente e, na ausência de tais elementos, os fatos narrados não ultrapassam o mero dissabor do cotidiano. Ademais, os documentos acostados aos autos (movs. 1.12 a 1.17) não se relacionam à alegada falha na prestação de serviços da requerida, nem demonstram que o pagamento das dívidas ou o cumprimento das obrigações da autora dependesse da liberação dos valores, ou que tais obrigações seriam adimplidas com esses valores. Ressalte-se que o dano moral não se confunde com contrariedade, frustração de expectativas ou desconforto cotidiano, exigindo prova concreta de violação aos direitos da personalidade. Dessa forma, a parte recorrente não demonstrou qualquer exposição vexatória ou outro prejuízo, além do material, que justifique a procedência do pedido. Nesse sentido já entendeu esta Turma Recursal: RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. BANCÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. BLOQUEIO DE VALORES DE CONTA CORRENTE. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. AUSÊNCIA DE PROVA DO ABALO. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO NÃO PROVIDO. (TJPR - 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0002656- 79.2024.8.16.0029 - Colombo - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS CAMILA HENNING SALMORIA - J. 14.04.2025) RECURSO INOMINADO. RESIDUAL. AÇÃO DE COBRANÇA CUMULADA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. REJEIÇÃO DA IMPUGNAÇÃO À ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. DECLARAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA DO MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL (MEI) QUE GOZA DE PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. PRECEDENTES DO STJ. NÃO CONHECIMENTO DE TESES NÃO VENTILADAS EM PRIMEIRO GRAU. INOVAÇÃO RECURSAL QUE CONFIGURA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETENÇÃO INDEVIDA DE VALORES. RECLAMADO QUE COMERCIALIZA ALIMENTOS VIA PLATAFORMA IFOOD. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSO DO AUTOR. PRETENSÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL DESCABIDA. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL QUE NÃO GERA, NECESSARIAMENTE, ABALO INDENIZÁVEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS DANOS. PRECEDENTES. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJPR - 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0007335- 81.2022.8.16.0130 - Paranavaí - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS MANUELA TALLÃO BENKE - J. 02.10.2023) RECURSO INOMINADO. MATÉRIA RESIDUAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. CANCELAMENTO DE COMPRA E ESTORNO PARCIAL DO VALOR PAGO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSO DA PARTE RECLAMANTE. PLEITO DE CONDENAÇÃO DA RECLAMADA AO PAGAMENTO DE DANOS MORAIS – IMPOSSIBILIDADE – MERA FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS QUE, POR SI SÓ, NÃO DEMONSTRA OFENSA AOS DIREITOS DA PERSONALIDADE DA PARTE – ÔNUS QUE INCUMBIA A RECLAMANTE, NOS TERMOS DO ART. 373, INCISO I, DO CPC - DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. PLEITO DE RESTITUIÇÃO EM DOBRO DOS VALORES NÃO RESSARCIDOS – IMPOSSIBILIDADE – SITUAÇÃO QUE SE ENQUADRA EM RETENÇÃO INDEVIDA E NÃO COBRANÇA INDEVIDA – INAPLICABILIDADE DO ART. 42 DO CDC. PRECEDENTES DO E. TJ/PR. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO INOMINADO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJPR - 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0000246- 27.2023.8.16.0112 - Marechal Cândido Rondon - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS MARIA ROSELI GUIESSMANN - J. 24.02.2024). Ante o exposto, voto pelo desprovimento do recurso, conforme razões expostas acima, para que seja mantida a sentença por seus próprios fundamentos (LJE, art. 46). Com base no art. 55 da Lei nº 9.099/95, a parte recorrente deve ser condenada ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, que arbitro em 15% sobre o valor da condenação. Observe-se a concessão da justiça gratuita à parte recorrente. Ante o exposto, esta 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de PAOLA GOMES ALVES GAROA, julgar pelo(a) Com Resolução do Mérito - Não-Provimento nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Luciana Fraiz Abrahão, sem voto, e dele participaram os Juízes José Daniel Toaldo (relator), Manuela Tallão Benke e Camila Henning Salmoria. 12 de dezembro de 2025 José Daniel Toaldo Juiz (a) relator (a)
|