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Acórdão
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 4ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0006177-97.2025.8.16.0190 Conflito de competência cível n° 0006177-97.2025.8.16.0190 CC 5º Juizado Especial da Fazenda Pública de Maringá Suscitante(s): JUIZO DE DIREITO DO 5º JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE MARINGÁ Suscitado(s): Juiz de Direito da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Região Metropolitana de Maringá - Foro Central de Maringá Relator: Marco Vinícius Schiebel EMENTA: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA - AÇÃO DECLARATÓRIA DE DIREITO E DE NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER – EMPRESA RECLAMANTE QUE NÃO SE ENQUADRA COMO MICROEMPRESA OU EMPRESA DE PEQUENO PORTE– ROL TAXATIVO DO ART. 5º, I, DA LEI FEDERAL N. 12.153/09 - VARA DA FAZENDA PÚBLICA QUE DECLINOU DA COMPETÊNCIA E DETERMINOU A REMESSA DOS AUTOS AO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA- VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 (SESSENTA) SALÁRIOS MÍNIMOS - IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO DO CONFLITO POR ESTA TURMA RECURSAL (ART. 8º, INCISO VI, DA RESOLUÇÃO N. 466 /2024) - CONFLITO ENTRE JUÍZES DA JUSTIÇA COMUM E JUIZADO ESPECIAL- NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS AO JUÍZO DE ORIGEM PARA REMESSA AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA – PRECEDENTES DA 6ª TURMA RECURSAL E DO TJPR (0003782- 69.2024.8.16.0190 E 0055208-21.2018.8.16.0000) – CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA PREJUDICADO. I. Relatório. Trata-se de conflito negativo de competência, suscitado, de ofício, pelo Magistrado Bruno Henrique Golon, do 5º Juizado Especial da Fazenda Pública de Maringá, ante a declinação de competência da 2ª Vara da Fazenda Pública de Maringá. No caso em tela, a empresa reclamante “GRANDE TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA” ajuizou ação declaratória c/c obrigação de fazer em face do DETRAN/PR. O Juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública de Maringá declarou a sua incompetência absoluta para processamento e julgamento do feito (seq. 32.1), com base no art. 2º da Lei Federal n. 12.153/2009, que dispõe ser de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública as causas cujo valor seja de até 60 (sessenta) salários mínimos. Por sua vez, o 5º Juizado Especial da Fazenda Pública afirma que a parte reclamante não se enquadra como microempresa ou empresa de pequeno porte, razão pela qual carece de competência para processamento e julgamento da lide, com fundamento no art. 5º, I, da Lei Federal n. 12.153/2009. É o conciso relatório. II. Passo ao voto. O conflito de competência está disciplinado no art. 951 do Código de Processo Civil e seguintes, sendo que a tutela jurisdicional nesta instância é limitada a declarar qual juízo é o competente para o julgamento da demanda. Inicialmente, conforme o art. 7º, inciso II, da Resolução n. 466, de 14 de outubro de 2024 ( CSJEs), compete à 4ª Turma Recursalprocessar e julgar os recursos relativos às seguintes matérias: “a) causas cíveis de interesse do Estado e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos(art. 2º da Lei nº 12.153, de 22 de dezembro de 2009); b) direito criminal; c) quando uma das partes for sociedade de economia mista.” Em análise ao art. 2º da Lei Federal n. 12.153/2009, compete aos “Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos.” Já o art. 5º da mesma Lei disciplina, de forma taxativa, quem pode ser parte nos Juizados Especiais da Fazenda Pública. Veja-se: “I – como autores, as pessoas físicas e as microempresase empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei Complementar no123, de 14 de dezembro de 2006; II – como réus, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os Municípios, bem como autarquias, fundações e empresas públicas a eles vinculadas.” Com efeito, em que pese o valor da causa não exceder a 60 (sessenta) salários mínimos, como bem consignou o Juízo suscitado ao proferir decisão de declaração de incompetência (seq. 32.1), vislumbra-se que a parte reclamante “GRANDE TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA”, pessoa jurídica de direito privado, não está legitimada a demandar nos Juizados Fazendários, pois não se enquadra como microempresa (ME) nem como empresa de pequeno porte (EPP), conforme contrato social juntado à inicial (seq. 1.8). Entretanto, de acordo com o art. 8º, inciso VI, da Resolução n. 466, de 14 de outubro de 2024 (CSJEs), às Turmas Recursais compete o julgamento do conflito de competência apenas dos Juízes dos Juizados Especiais. Veja-se: “Art. 8º Compete às Turmas Recursais processar e julgar: (...) VI - conflitos de competência entre Juízas e Juízes de Direito com atuação nos Juizados Especiais;” Nesse sentido, a 6ª Turma Recursal do Paraná já se manifestou ao julgar caso análogo: “RECURSO INOMINADO. DIREITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. SENTENÇA DE EXTINÇÃO DO FEITO PELO INDEFERIMENTO DA INICIAL. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA QUE NÃO SE ENQUADRA COMO ME OU EPP. AJUIZAMENTO DA AÇÃO PERANTE A VARA DA FAZENDA PÚBLICA QUE, POR SUA VEZ, DECLINOU AO JUIZADO EM RAZÃO DO VALOR DA CAUSA. DETERMINADA A INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE MICROEMPRESA OU EMPRESA DE PEQUENO PORTE, RESTOU ESCLARECIDO PELA EMPRESA QUE NÃO ENQUADRA NAS HIPÓTESES, REQUERENDO O RETORNO À VARA DA FAZENDA OU INSTAURAÇÃO DO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO QUE EXTINGUIU O FEITO, INDEFERINDO A INICIAL, POR ENTENDER QUE NÃO HOUVE A JUNTADA DOS DOCUMENTOS ESSENCIAIS PARA A PROPOSITURA DA AÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA PARTE JUNTAR TAL DOCUMENTAÇÃO POR DECLARAR QUE NÃO SE ENQUADRA COMO ME EPP. NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA PELO MAGISTRADO DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DESTA TURMA RECURSAL JULGAR CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE A JUSTIÇA COMUM E JUIZADOS ESPECIAIS. ART. 8º, VI, DO REGIMENTO INTERNO DAS TURMAS RECURSAIS QUE PERMITE O JULGAMENTO APENAS DE CONFLITOS ENTRE JUÍZES DOS JUIZADOS ESPECIAIS. SENTENÇA CASSADA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO JUÍZO DE ORIGEM PARA SUSCITAR O CONFLITO DE COMPETÊNCIA. OBSERVÂNCIA AO ART. 66, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. RECURSO PREJUDICADO. (TJPR - 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0003782-69.2024.8.16.0190 - Maringá - Rel.: JUÍZA DE DIREITO SUBSTITUTO VANESSA VILLELA DE BIASSIO - J. 18.05.2025)” Ademais, o Tribunal de Justiça do Paraná já decidiu acerca de conflito negativo de competência envolvendo Juizado Especial e Vara da Fazenda Pública de Maringá: “EMENTA. I - CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CONFLITO SUSCITADO PELO JUÍZO DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA DE MARINGÁ EM FACE DO JUÍZO DA 1ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE MARINGÁ. II – ART. 5º, INC. I, DA LEI Nº 12.153/2009 QUE TRATA DA LEGITIMIDADE ATIVA PARA PROPOSITURA DE AÇÃO EM SEDE DE JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. EMPRESA AUTORA DA AÇÃO ORIGINÁRIA QUE NÃO CONSTA NO ROL TAXATIVO DE LEGITIMADOS (PESSOAS FÍSICAS, MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE). CERTIDÃO EXPEDIDA PELA JUNTA COMERCIAL DO PARANÁ QUE DEMONSTRA QUE A PARTE AUTORA NÃO SE ENQUADRA COMO MICROEMPRESA OU EMPRESA DE PEQUENO PORTE. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA 1ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE MARINGÁ, PARA PROCESSAMENTO E JULGAMENTO DO FEITO, INDEPENDENTEMENTE DO VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA. INAPLICABILIDADE DA REGRA CONTIDA NO ART. 2º DA LEI Nº 12.153/2009, NO PRESENTE CASO. PRECEDENTES DESTA CORTE DE JUSTIÇA. III – CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA PROCEDENTE. (TJPR - 3ª Câmara Cível - 0055208-21.2018.8.16.0000 - Maringá - Rel.: DESEMBARGADOR JORGE DE OLIVEIRA VARGAS- J. 18.06.2019)” Diante do exposto, resta prejudicadoo presente conflito negativo de competência, ante a impossibilidade desta 4ª Turma Recursal conhecer de conflito que envolva a Justiça Comum e os Juizados Especiais, com fundamento no art. 8º, inciso VI, da Resolução n. 466/2024, devendo os autos retornar ao juízo de origem para que proceda à suscitação do conflito perante o competente Tribunal de Justiça do Paraná, visando o regular prosseguimento da demanda. É este o voto que proponho. Ante o exposto, esta 4ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de JUIZO DE DIREITO DO 5º JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE MARINGÁ, julgar pelo(a) Sem Resolução de Mérito - Recurso prejudicado nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Aldemar Sternadt, com voto, e dele participaram os Juízes Marco Vinícius Schiebel (relator) e Rafaela Zarpelon. 06 de fevereiro de 2026 Marco Vinícius Schiebel Juiz (a) relator (a)
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