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Acórdão
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 6ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0002007-09.2025.8.16.0182 Apelação Criminal n° 0002007-09.2025.8.16.0182 Ap 6º Juizado Especial Criminal de Curitiba Apelante(s): ARIEL MARTINS e GILBERTO CHAVES BATISTEL Apelado(s): VIVIANE ANDRESA SECCO YAMASSAKI Relator: Haroldo Demarchi Mendes APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME CONTRA A HONRA. AÇÃO PENAL PRIVADA. DECISÃO QUE EXTINGUIU A PUNIBILIDADE DA QUERELADA DIANTE DA CONFIGURAÇÃO DA DECADÊNCIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS QUERELANTES. NÃO ACOLHIMENTO. NÃO OFERECIMENTO DA QUEIXA-CRIME DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL DE SEIS MESES, CONTADOS DA DATA DO CONHECIMENTO DA AUTORIA. PRAZO IMPRORROGÁVEL. ART. 38 DO CPP E 103 DO CP. CRIME DE AMEAÇA. ART. 147, CP. AUSÊNCIA DE EXPRESSÃO PASSÍVEL DE CAUSAR MEDO DE MAL INJUSTO GRAVE. DECISÃO MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Relatório Relatório dispensado nos termos do Enunciado 92 do Fonaje. 2. Voto O recurso comporta conhecimento, ante a presença dos pressupostos objetivos (previsão legal, forma prescrita em lei, tempestividade, inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer) e subjetivos (interesse e legitimidade). Sabe-se que, segundo dispõe os artigos 38 do Código de Processo Penal e 103, do Código Penal, o prazo decadencial para apresentação de queixa-crime em ações privadas é de 06 (seis) meses, a contar da data de conhecimento do autor do delito. Pois bem. No caso em análise, o Boletim de Ocorrência nº 2024/1354261 (mov. 9.1 – autos principais) descreve fatos ocorridos em 28/10/2024. Contudo, a ação penal não foi formalmente instaurada, sendo que a mera representação criminal apresentada perante a autoridade policial não é suficiente. Ressalte-se que, diferentemente dos crimes sujeitos à ação penal pública condicionada à representação, nos quais a manifestação de vontade da vítima pode ocorrer sem maiores formalidades, os delitos de ação penal privada exigem formalização específica. Para o devido processamento, faz-se necessária a propositura da queixa-crime, acompanhada de procuração com poderes especiais, além do recolhimento das custas processuais. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento consolidado sobre o tema: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIMES CONTRA A HONRA. TRANSAÇÃO PENAL. DESCUMPRIMENTO DO ACORDO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL QUANTO AO IMPEDIMENTO DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O regramento da transação penal não estabelece a pendência de cumprimento das condições do acordo como cláusula impeditiva ou suspensiva da fluência do prazo decadencial. 2. O enunciado da Súmula Vinculante n. 35 deve ser compatibilizado com a presença das condições da ação penal. Assim, a Súmula Vinculante n. 35 enuncia ser possível a persecução criminal, caso descumprido acordo de transação penal, se presentes as condições da ação penal, com destaque para a ausência de causa extintiva da punibilidade. 3. A referida leitura, no que concerne à extinção da punibilidade, é abalizada nesta Corte Superior, que rechaçou a possibilidade de a transação penal suspender o decurso do lapso prescricional para a propositura da ação penal. 4. O prazo para o oferecimento da queixa-crime, em regra, é de seis meses, contados da data em que o ofendido vier a saber quem é o seu ofensor. Se a ação penal não é oferecida pelo particular no prazo mencionado, ocorrerá a decadência, nos termos do art. 103 do Código Penal. 5. Conforme estabelece a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, "o prazo decadencial é preclusivo e improrrogável, e não se submete, em face de sua própria natureza jurídica, à incidência de quaisquer causas de interrupção ou suspensão" ( Inq 774 QO, Rel. Ministro CELSO DE MELLO, TRIBUNAL PLENO, julgado em 23/09/1993, DJe 17 /12/1993) . 6. Considerando o princípio da legalidade estrita, que rege o Direito Penal, eventual causa impeditiva de fluência do prazo decadencial deve estar expressamente prevista em lei, o que não ocorre no caso em análise, devendo-se reconhecer a decadência. 7. Recurso ordinário em habeas corpus provido, em conformidade com o parecer ministerial, para declarar a extinção da punibilidade da Recorrente pela decadência. (STJ - RHC: 139063 AL 2020 /0325712-5, Relator: Ministra LAURITA VAZ, Data de Julgamento: 22/02/2022, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 03/03/2022). No mesmo sentido: APELAÇÃO CRIMINAL. 1 - HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE ARQUIVAMENTO DE TERMO CIRCUNSTANCIADO REFERENTE AOS CRIMES DE AMEAÇA E COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. DECISÃO IRRECORRÍVEL. ENUNCIADO 101 DO FONAJE. NÃO CONHECIMENTO. 2 - CRIMES DE DIFAMAÇÃO, INJÚRIA E CALÚNIA. AÇÃO PENAL PRIVADA. QUEIXA-CRIME NÃO APRESENTADA NO PRAZO DECADENCIAL DE SEIS MESES. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA DECADÊNCIA NOS TERMOS DO ARTIGO 107, INCISO IV, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. SENTENÇA ESCORREITA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO.(TJPR - 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0002793-23.2020.8.16.0184 - Curitiba - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS LUCIANA FRAIZ ABRAHAO - J. 29.09.2023) APELAÇÃO CRIMINAL. INJÚRIA E AMEAÇA. ARTIGOS 140 E 147, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA DECADÊNCIA EM RELAÇÃO AO CRIME DE INJÚRIA. NÃO OFERECIMENTO DA QUEIXA DENTRO DO PRAZO DE 6 MESES. INSURGÊNCIA RECURSAL. ILEGITIMIDADE DA VÍTIMA QUANTO AO CRIME DE AMEAÇA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA A SER CONHECIDA DE OFÍCIO. NECESSÁRIO PROSSEGUIMENTO DO FEITO. SENTENÇA REFORMADA EX OFFICIO. Recurso conhecido e desprovido em relação ao crime de injúria e recurso não conhecidoem relação ao crime de ameaça.(TJPR - 4ª Turma Recursal - 0013645- 83.2020.8.16.0030 - Foz do Iguaçu - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS LEO HENRIQUE FURTADO ARAUJO - J. 24.10.2022) Desse modo, tendo em vista que, à época do ajuizamento da queixa-crime, já havia decorrido o lapso de 6 (seis) meses, revela-se correta a decisão que declarou extinta a punibilidade em razão da decadência do direito de queixa dos noticiantes quanto ao crime contra a honra, nos termos do artigo 107, inciso IV, do Código Penal. Por fim, não restou caracterizado o crime de ameaça, visto que não foi verificada expressão passível de causar medo de mal injusto grave à suposta vítima, pelo que não configura a conduta típica prevista no art. 147 do CP. O voto, portanto, é pelo CONHECIMENTO e DESPROVIMENTO do recurso, mantendo-se a sentença por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 82, § 5º da Lei nº 9099/1995. Ante o exposto, esta 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de ARIEL MARTINS, julgar pelo(a) Com Resolução do Mérito - Não-Provimento, em relação ao recurso de GILBERTO CHAVES BATISTEL, julgar pelo(a) Com Resolução do Mérito - Não-Provimento nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Gisele Lara Ribeiro, com voto, e dele participaram os Juízes Haroldo Demarchi Mendes (relator) e Austregésilo Trevisan. 08 de maio de 2026 Haroldo Demarchi Mendes Juiz (a) relator (a)
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