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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0001277-88.2026.8.16.9000
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Austregesilo Trevisan
Juiz de Direito da Turma Recursal dos Juizados Especiais
Órgão Julgador: 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Fri Oct 09 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Tue Oct 13 00:00:00 BRT 2026

Ementa

HABEAS CORPUS CRIMINAL. QUEIXA-CRIME. DIFAMAÇÃO. ART. 139 DO CÓDIGO PENAL. DECISÃO DE RECEBIMENTO PARCIAL DA QUEIXA-CRIME. PEDIDO DE TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL POR AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. NÃO ACOLHIMENTO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL PELA VIA DO HABEAS CORPUS QUE CONFIGURA MEDIDA EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS QUANDO DEMONSTRADAS A ATIPICIDADE DA CONDUTA, A AUSÊNCIA DE INDÍCIOS MÍNIMOS DE AUTORIA OU DA MATERIALIDADE, INÉPCIA MANIFESTA DA INICIAL OU CAUSA EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE. HIPÓTESES NÃO VERIFICADAS. QUEIXA-CRIME QUE DESCREVE CONDUTA EM TESE APTA A CONFIGURAR DIFAMAÇÃO, CONSISTENTE EM INSINUAÇÃO, PERANTE CONDÔMINOS, DE IRREGULARIDADES PRATICADAS PELO QUERELANTE NA CONDIÇÃO DE SÍNDICO, INCLUSIVE COM SUPOSTA APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE VALORES RELACIONADOS A CONTRATO DE POÇO ARTESIANO. SUPORTE PROBATÓRIO MÍNIMO. TERMO DE DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA. VIA ESTREITA DO WRIT INADEQUADA PARA REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENTE. ORDEM CONHECIDA E DENEGADA.I. Caso em exame1. Habeas Corpus impetrado em favor de Sandra Mara Pinto visando ao trancamento da ação penal privada nº 0002032-07.2025.8.16.0187, na qual a paciente figura como querelada pela suposta prática do crime de difamação, previsto no art. 139 do Código Penal.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em definir se há constrangimento ilegal no recebimento da queixa-crime, por suposta ausência de justa causa, atipicidade manifesta da conduta, ausência de fato determinado, inexistência de dolo específico e ausência de publicidade penalmente relevante.III. Razões de decidir3. O trancamento da ação penal pela via do habeas corpus constitui medida excepcional, cabível apenas quando evidenciada, de plano, a atipicidade da conduta, a ausência de indícios mínimos de autoria e materialidade, a inépcia manifesta da inicial acusatória ou causa extintiva da punibilidade.4. Na fase de recebimento da queixa-crime, não se exige prova cabal da prática delitiva, bastando a presença de suporte probatório mínimo que autorize a deflagração da persecução penal.5. A queixa-crime descreve, em tese, conduta apta a configurar difamação, consistente na insinuação, perante terceiros, de irregularidades na gestão condominial exercida pelo querelante na condição de síndico, inclusive com referência a possível apropriação indevida de valores relacionados a contrato de poço artesiano.6. A análise sobre a existência de animus diffamandi, o exato contexto das declarações, a extensão da publicidade e a efetiva aptidão ofensiva da conduta exige dilação probatória, incompatível com a via estreita do habeas corpus.7. Ausente ilegalidade manifesta no recebimento da queixa-crime, impõe-se a denegação da ordem.IV. Dispositivo e tese8. Ordem conhecida e denegada.Tese de julgamento: Não cabe o trancamento de ação penal privada por habeas corpus quando a queixa-crime descreve fato em tese típico e há suporte probatório mínimo, devendo as questões relativas ao dolo, contexto das declarações e efetiva configuração da difamação serem dirimidas após a instrução probatória.