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HABEAS CORPUS CRIMINAL. QUEIXA-CRIME. DIFAMAÇÃO. ART. 139 DO CÓDIGO PENAL. DECISÃO DE RECEBIMENTO PARCIAL DA QUEIXA-CRIME. PEDIDO DE TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL POR AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. NÃO ACOLHIMENTO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL PELA VIA DO HABEAS CORPUS QUE CONFIGURA MEDIDA EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS QUANDO DEMONSTRADAS A ATIPICIDADE DA CONDUTA, A AUSÊNCIA DE INDÍCIOS MÍNIMOS DE AUTORIA OU DA MATERIALIDADE, INÉPCIA MANIFESTA DA INICIAL OU CAUSA EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE. HIPÓTESES NÃO VERIFICADAS. QUEIXA-CRIME QUE DESCREVE CONDUTA EM TESE APTA A CONFIGURAR DIFAMAÇÃO, CONSISTENTE EM INSINUAÇÃO, PERANTE CONDÔMINOS, DE IRREGULARIDADES PRATICADAS PELO QUERELANTE NA CONDIÇÃO DE SÍNDICO, INCLUSIVE COM SUPOSTA APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE VALORES RELACIONADOS A CONTRATO DE POÇO ARTESIANO. SUPORTE PROBATÓRIO MÍNIMO. TERMO DE DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA. VIA ESTREITA DO WRIT INADEQUADA PARA REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENTE. ORDEM CONHECIDA E DENEGADA.I. Caso em exame1. Habeas Corpus impetrado em favor de Sandra Mara Pinto visando ao trancamento da ação penal privada nº 0002032-07.2025.8.16.0187, na qual a paciente figura como querelada pela suposta prática do crime de difamação, previsto no art. 139 do Código Penal.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em definir se há constrangimento ilegal no recebimento da queixa-crime, por suposta ausência de justa causa, atipicidade manifesta da conduta, ausência de fato determinado, inexistência de dolo específico e ausência de publicidade penalmente relevante.III. Razões de decidir3. O trancamento da ação penal pela via do habeas corpus constitui medida excepcional, cabível apenas quando evidenciada, de plano, a atipicidade da conduta, a ausência de indícios mínimos de autoria e materialidade, a inépcia manifesta da inicial acusatória ou causa extintiva da punibilidade.4. Na fase de recebimento da queixa-crime, não se exige prova cabal da prática delitiva, bastando a presença de suporte probatório mínimo que autorize a deflagração da persecução penal.5. A queixa-crime descreve, em tese, conduta apta a configurar difamação, consistente na insinuação, perante terceiros, de irregularidades na gestão condominial exercida pelo querelante na condição de síndico, inclusive com referência a possível apropriação indevida de valores relacionados a contrato de poço artesiano.6. A análise sobre a existência de animus diffamandi, o exato contexto das declarações, a extensão da publicidade e a efetiva aptidão ofensiva da conduta exige dilação probatória, incompatível com a via estreita do habeas corpus.7. Ausente ilegalidade manifesta no recebimento da queixa-crime, impõe-se a denegação da ordem.IV. Dispositivo e tese8. Ordem conhecida e denegada.Tese de julgamento: Não cabe o trancamento de ação penal privada por habeas corpus quando a queixa-crime descreve fato em tese típico e há suporte probatório mínimo, devendo as questões relativas ao dolo, contexto das declarações e efetiva configuração da difamação serem dirimidas após a instrução probatória.
(TJPR - 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0001277-88.2026.8.16.9000 - Curitiba - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS AUSTREGESILO TREVISAN - J. 09.10.2026)
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 6ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0001277-88.2026.8.16.9000 Habeas Corpus Criminal n° 0001277-88.2026.8.16.9000 HC 1ª Vara Descentralizada da Cidade Industrial de Curitiba - Juizado Especial Criminal Impetrante(s): SANDRA MARA PINTO Impetrado(s): Juiz de Direito do Juizado de Origem Relator: Austregésilo Trevisan HABEAS CORPUS CRIMINAL. QUEIXA-CRIME. DIFAMAÇÃO. ART. 139 DO CÓDIGO PENAL. DECISÃO DE RECEBIMENTO PARCIAL DA QUEIXA-CRIME. PEDIDO DE TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL POR AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. NÃO ACOLHIMENTO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL PELA VIA DO HABEAS CORPUS QUE CONFIGURA MEDIDA EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS QUANDO DEMONSTRADAS A ATIPICIDADE DA CONDUTA, A AUSÊNCIA DE INDÍCIOS MÍNIMOS DE AUTORIA OU DA MATERIALIDADE, INÉPCIA MANIFESTA DA INICIAL OU CAUSA EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE. HIPÓTESES NÃO VERIFICADAS. QUEIXA-CRIME QUE DESCREVE CONDUTA EM TESE APTA A CONFIGURAR DIFAMAÇÃO, CONSISTENTE EM INSINUAÇÃO, PERANTE CONDÔMINOS, DE IRREGULARIDADES PRATICADAS PELO QUERELANTE NA CONDIÇÃO DE SÍNDICO, INCLUSIVE COM SUPOSTA APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE VALORES RELACIONADOS A CONTRATO DE POÇO ARTESIANO. SUPORTE PROBATÓRIO MÍNIMO. TERMO DE DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA. VIA ESTREITA DO WRIT INADEQUADA PARA REVOLVIMENTO FÁTICO- PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENTE. ORDEM CONHECIDA E DENEGADA. I. Caso em exame 1. Habeas Corpus impetrado em favor de Sandra Mara Pinto visando ao trancamento da ação penal privada nº 0002032-07.2025.8.16.0187, na qual a paciente figura como querelada pela suposta prática do crime de difamação, previsto no art. 139 do Código Penal. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em definir se há constrangimento ilegal no recebimento da queixa-crime, por suposta ausência de justa causa, atipicidade manifesta da conduta, ausência de fato determinado, inexistência de dolo específico e ausência de publicidade penalmente relevante. III. Razões de decidir 3. O trancamento da ação penal pela via do habeas corpus constitui medida excepcional, cabível apenas quando evidenciada, de plano, a atipicidade da conduta, a ausência de indícios mínimos de autoria e materialidade, a inépcia manifesta da inicial acusatória ou causa extintiva da punibilidade. 4. Na fase de recebimento da queixa-crime, não se exige prova cabal da prática delitiva, bastando a presença de suporte probatório mínimo que autorize a deflagração da persecução penal. 5. A queixa-crime descreve, em tese, conduta apta a configurar difamação, consistente na insinuação, perante terceiros, de irregularidades na gestão condominial exercida pelo querelante na condição de síndico, inclusive com referência a possível apropriação indevida de valores relacionados a contrato de poço artesiano. 6. A análise sobre a existência de animus diffamandi, o exato contexto das declarações, a extensão da publicidade e a efetiva aptidão ofensiva da conduta exige dilação probatória, incompatível com a via estreita do habeas corpus. 7. Ausente ilegalidade manifesta no recebimento da queixa-crime, impõe-se a denegação da ordem. IV. Dispositivo e tese 8. Ordem conhecida e denegada. Tese de julgamento: Não cabe o trancamento de ação penal privada por habeas corpus quando a queixa-crime descreve fato em tese típico e há suporte probatório mínimo, devendo as questões relativas ao dolo, contexto das declarações e efetiva configuração da difamação serem dirimidas após a instrução probatória. I. RELATÓRIO Trata-se de Habeas Corpus, com pedido liminar, impetrado por Andrea Damasceno de Barros em favor de Sandra Mara Pinto, em face de decisão proferida pelo Juízo do Juizado Especial Criminal da 1ª Vara Descentralizada da Cidade Industrial de Curitiba, que recebeu parcialmente a queixa- crime oferecida por André Leon Guimarães Santos nos autos nº 0002032-07.2025.8.16.0187, quanto ao delito de difamação, previsto no art. 139 do Código Penal. Sustenta a Impetrante, em síntese, a ausência de justa causa para o prosseguimento da ação penal, sob o argumento de que a queixa-crime não descreveria fato determinado apto a configurar o tipo penal imputado, limitando-se a reproduzir interpretação subjetiva de diálogo privado e desconfiança vaga. Alega, ainda, a ausência de dolo específico e de publicidade penalmente relevante, afirmando que o prosseguimento da ação penal configura constrangimento ilegal. A liminar foi indeferida, por não se verificar, em cognição sumária, ilegalidade manifesta no recebimento da queixa-crime. O querelante/interessado apresentou manifestação, requerendo a denegação da ordem e o prosseguimento da ação penal de origem. A Douta Procuradoria manifestou-se pelo conhecimento e, no mérito, pela denegação da ordem. É o sucinto relatório. II. FUNDAMENTAÇÃO Presentes os pressupostos de admissibilidade, o habeas corpus deve ser conhecido. O habeas corpus é remédio constitucional destinado à proteção da liberdade de locomoção contra ilegalidade ou abuso de poder, nos termos do art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal, e dos arts. 647 e 648 do Código de Processo Penal. Art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal: conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Art. 647 do Código de Processo Penal: dar-se-á habeas corpus sempre que alguém se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar. Art. 648, I, do Código de Processo Penal: a coação considerar-se-á ilegal quando não houver justa causa. O trancamento de ação penal pela via do habeas corpus é medida excepcional, admitida apenas quando demonstrada, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a atipicidade manifesta da conduta, a ausência de indícios mínimos de autoria ou materialidade, a inépcia evidente da inicial acusatória ou a presença de causa extintiva da punibilidade. No caso, a Impetrante pretende o trancamento da ação penal privada nº 0002032- 07.2025.8.16.0187, na qual a paciente responde, em tese, pela prática do crime de difamação, previsto no art. 139 do Código Penal. O crime de difamação consiste em imputar a alguém fato ofensivo à sua reputação. Diferentemente da calúnia, não exige imputação de fato definido como crime, sendo suficiente a atribuição de fato determinado capaz de macular a honra objetiva da vítima perante terceiros. Art. 139 do Código Penal: Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação. Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Da análise dos elementos pré-constituídos, não se observa manifesta atipicidade da conduta ou ausência absoluta de justa causa. A queixa-crime descreve que a paciente teria insinuado, perante condôminos, a prática de irregularidades pelo querelante, na condição de síndico, inclusive com referência a suposta apropriação indevida de valores relacionada a contrato de poço artesiano. Segundo manifestação do querelante/interessado, a paciente teria afirmado que o síndico recusava-se a exibir contratos e concluído com a expressão “Imagina, né?! Tem coisa aí, claro”, acompanhada de gestos manuais sugestivos de apropriação indevida. Em sede de cognição própria ao habeas corpus, tal narrativa não pode ser considerada manifestamente atípica. A insinuação de irregularidade na gestão financeira de condomínio, atribuída ao síndico perante terceiros, possui, em tese, aptidão para atingir sua honra objetiva, devendo a efetiva configuração do delito ser verificada após a instrução processual. Além disso, conforme salientado pela Procuradoria de Justiça, há termo de depoimento de testemunha juntado aos autos originários, que constitui suporte probatório mínimo para a deflagração e continuidade da ação penal privada, afastando, nesta fase, a alegação de persecução leviana ou temerária. Não se exige, no momento do recebimento da queixa-crime, prova cabal da prática delitiva. Basta a presença de indícios mínimos de autoria e materialidade, aptos a justificar a instauração da persecução penal, cabendo ao Juízo de origem, após a instrução, examinar se houve efetivamente difamação, se a fala foi proferida no contexto indicado, se houve publicidade penalmente relevante e se estava presente o animus diffamandi. A alegação de ausência de dolo específico, de inexistência de fato determinado e de ausência de publicidade penalmente relevante demanda exame aprofundado do contexto fático- probatório, inclusive da prova testemunhal, o que é incompatível com a via estreita do writ. Nesse sentido, a 4ª Turma Recursal já decidiu que o habeas corpus não é via adequada ao trancamento prematuro da persecução penal quando há indícios de autoria e materialidade, e a análise da tipicidade demanda dilação probatória: EMENTA: HABEAS CORPUS. PRETENSÃO DE TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. ARTIGO 42, INCISO I DA LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS. ALEGADA AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA E ATIPICIDADE DA CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE. INDICIOS DE AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADOS. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. CONHECIMENTO E DENEGAÇÃO DA ORDEM. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0003177-48.2022.8.16.9000 - Curitiba - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS ALDEMAR STERNADT - J. 02.05.2023). (destaquei) O Superior Tribunal de Justiça também possui entendimento firme no sentido de que o trancamento prematuro da ação penal somente é cabível quando patente a atipicidade da conduta, a ausência de indícios mínimos de autoria ou materialidade do delito ou a incidência de causa extintiva da punibilidade. PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. NÃO OCORRÊNCIA. PRESENÇA DA MATERIALIDADE E INDÍCIOS MÍNIMOS DE AUTORIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE NA VIA ELEITA. A extinção prematura da ação penal, pela via do habeas corpus, somente se dá em hipóteses excepcionais, nas quais seja patente a atipicidade da conduta, a ausência de indícios mínimos de autoria e materialidade do delito, ou a presença de alguma causa extintiva de punibilidade. (STJ - RHC 107481/GO - Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro - Sexta Turma - J. 23.04.2019 - DJe 03.05.2019). (destaquei) Desse modo, ausente flagrante ilegalidade no recebimento da queixa-crime, não se mostra possível o trancamento da ação penal neste momento processual. Eventuais dúvidas quanto ao contexto das declarações, ao alcance dos gestos e expressões, à presença do dolo de difamar e à efetiva ofensa à honra objetiva deverão ser resolvidas no processo de origem, após regular instrução probatória. Assim, não configurado constrangimento ilegal evidente, a ordem deve ser denegada. III. VOTO Isto posto, o voto é pelo CONHECIMENTO e DENEGAÇÃO DA ORDEM de Habeas Corpus, nos termos da fundamentação. Ante o exposto, esta 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de SANDRA MARA PINTO, julgar pelo(a) Denegação - Habeas corpus nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Austregésilo Trevisan (relator), com voto, e dele participaram os Juízes Marcos José Vieira e Vanessa Villela De Biassio. 09 de outubro de 2026 Austregésilo Trevisan Juiz (a) Relator (a)
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