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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0005710-52.2025.8.16.0018
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Fernanda de Quadros Jorgensen Geronasso
Juíza de Direito da Turma Recursal dos Juízaados Especiais
Órgão Julgador: 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Comarca: Maringá
Data do Julgamento: Tue Jun 30 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Wed Jul 01 00:00:00 BRT 2026

Ementa

 RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ALEGAÇÃO DE CONSUMO DE PRODUTO ALIMENTÍCIO COM PRAZO DE VALIDADE EXPIRADO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS DANOS ALEGADOS. UTILIZAÇÃO DE PROVAS IDÊNTICAS EM DEMANDAS DISTINTAS. ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS. LITIGÂNCIA PREDATÓRIA. CONDENAÇÃO POR MÁ-FÉ. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Ação indenizatória ajuizada em face de fabricante e comerciante, em que a recorrente alegou ter adquirido e consumido produto alimentício supostamente vencido, afirmando ter apresentado sintomas como dor abdominal, náusea e dor de cabeça após o consumo.2. Sentença de improcedência, com condenação da autora ao pagamento de multa por litigância de má-fé fixada em três salários-mínimos federais, além de custas processuais e honorários advocatícios arbitrados em R$2.000,00, determinando-se, ainda, a extração de cópia integral dos autos para remessa à OAB/PR, visando à apuração de eventual infração ético-disciplinar.3. Recurso inominado interposto pela autora, buscando a reforma integral da sentença.II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO4. Há duas questões em discussão: (i) saber se houve comprovação mínima dos fatos constitutivos do direito alegado pela recorrente, especialmente quanto ao consumo do produto e aos danos suportados; (ii) saber se restou caracterizada litigância de má-fé em razão da utilização de provas idênticas em demandas diversas e da alteração da verdade dos fatos.III. RAZÕES DE DECIDIR5. As provas constantes dos autos não corroboram a narrativa apresentada pela recorrente quanto ao efetivo consumo do produto alegadamente vencido e à ocorrência dos danos narrados.6. Restou constatado que a recorrente atuou em outros feitos envolvendo o mesmo produto, utilizando fotografias, códigos de barras e documentos idênticos em diferentes demandas judiciais, circunstância que evidencia alteração da verdade dos fatos e utilização indevida da estrutura jurisdicional.7. O art. 80, incisos II e III, do Código de Processo Civil, caracteriza como litigante de má-fé a parte que altera a verdade dos fatos ou utiliza o processo para alcançar objetivo ilegal, hipótese verificada no caso concreto.8. A manutenção integral da sentença é medida que se impõe, inclusive quanto à condenação por litigância de má-fé, diante da reiteração de demandas semelhantes e do conjunto probatório indicativo de prática predatória.IV. DISPOSITIVO 9. Recurso conhecido e desprovido, mantida integralmente a sentença pelos seus próprios fundamentos, inclusive quanto à condenação por litigância de má-fé, custas processuais e honorários advocatícios.