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Acórdão
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0000381-85.2025.8.16.0074 Recurso Inominado Cível n° 0000381-85.2025.8.16.0074 RecIno Juizado Especial Cível de Corbélia Recorrente(s): SINEIDE MARIA MAGRO DE CARVALHO Recorrido(s): MASTER PREV CLUBE DE BENEFÍCIOS Relator: Irineu Stein Junior DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO INOMINADO. DESCONTOS INDEVIDOS EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ASSOCIAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA DA CONTRATAÇÃO. DANO MORAL CONFIGURADO. RESSALVA PESSOAL DO RELATOR QUANTO À COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. I. CASO EM EXAME Recurso inominado interposto contra sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos para declarar rescindido o contrato de associação; condenou a parte Ré em restituir em dobro os valores descontados e rejeitou o pedido de indenização por danos morais. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Pretensão de condenação ao pagamento de indenização por III. RAZÕES DE DECIDIR Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Considerando que o INSS, extrajudicialmente, reconheceu a ilegalidade dos descontos associativos e proporcionou aos beneficiários da previdência social a possibilidade de aderirem a acordo e receber a restituição, tem-se que, há a necessidade de ser dirimida pela Justiça Federal quanto ao interesse jurídico da Autarquia Federal em integrar o polo passivo da presente demanda, em vista do contido na Súmula 150 do Superior Tribunal de Justiça, com a declinação da competência. No entanto, frente ao entendimento em contrário firmado por esta C. 2ª Turma Recursal, quanto a ocorrência de litisconsórcio facultativo, e em obediência ao Colegiado, deixa-se de votar na forma do anteriormente exposto, restando ressalvado o entendimento do Relator. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. RECURSO INOMINADO. DESCONTOS ASSOCIATIVOS EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. SINDICATO. INEXISTÊNCIA DE LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO COM O INSS. COMPETÊNCIA DO JEC ESTADUAL. TEORIA DA CAUSA MADURA. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO. FRAUDE EM DESCONTOS ASSOCIATIVOS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO. DANO MORAL CONFIGURADO. RECURSO PROVIDO. (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0004113-03.2025.8.16.0033 - Pinhais - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS ALVARO RODRIGUES JUNIOR - J. 24.02.2026) RECURSO INOMINADO. DESCONTOS INDEVIDOS EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO PROPOSTA CONTRA ENTIDADE ASSOCIATIVA. INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DA JUSTIÇA ESTADUAL RECONHECIDA NA ORIGEM. DESNECESSIDADE DE INCLUSÃO DO INSS NO POLO PASSIVO. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. SENTENÇA ANULADA. CAUSA MADURA. CONTRIBUIÇÃO CEBAP. DESCONTO INDEVIDO EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVA DA CONTRATAÇÃO. REPETIÇÃO EM DOBRO DOS VALORES INDEVIDAMENTE DESCONTADOS. MODULAÇÃO EARESP 664.888 /RS. BAIXA RENDA. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. DANO MORAL DEVIDO NO CASO EM TELA.QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO EM RESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0000821-47.2025.8.16.0150 - Santa Helena - Rel.: JUÍZA DE DIREITO SUBSTITUTO FERNANDA BERNERT MICHIELIN - J. 24.02.2026) Do Dano Moral. Com relação aos danos morais, a situação fática causa gravame de natureza extrapatrimonial, notadamente para aquele que tem o benefício como fonte de renda, no caso dos autos, percebe-se que a parte autora/recorrente recebe valor módico a título de benefício previdenciário, de modo que a privação indevida de valores dos proventos de aposentadoria causa transtornos extraordinários que demanda compensação, portanto, resta configurada situação que ultrapassa os meros dissabores. Neste sentido, confira-se os precedentes desta egrégia Turma Recursal: RECURSOS INOMINADOS (2). BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. DESNECESSIDADE DE PERÍCIA GRAFOTÉCNICA. DIVERGÊNCIA DAS ASSINATURAS. AUSÊNCIA DE PROVA DA CONTRATAÇÃO. EVIDÊNCIA DE FRAUDE QUE NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. DESCONTO EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. BAIXA RENDA. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. DANO MORAL DEVIDO NO CASO EM TELA. QUANTUM INDENIZATÓRIO MANTIDO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSOS CONHECIDOS E NÃO PROVIDOS. (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0003469- 09.2021.8.16.0160 - Sarandi - Rel.: JUÍZA DE DIREITO SUBSTITUTO FERNANDA BERNERT MICHIELIN - J. 02.09.2022) RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AUSÊNCIA DE CONTRATAÇÃO RECONHECIDA EM SENTENÇA. DEPÓSITO DE VALOR NA CONTA DA AUTORA SEM SOLICITAÇÃO E COM DESCONTOS INDEVIDOS NO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO DAS PARCELAS PAGAS. DESNECESSIDADE DE PROVA DA MÁ FÉ. JULGAMENTO DO EAREsp 676608/RS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. MODULAÇÃO DOS EFEITOS PELA CORTE SUPERIOR. RESTITUIÇÃO SIMPLES DOS VALORES DOS DESCONTOS INDEVIDOS ATÉ A DATA DE 30.03.2021, DOBRADA DEPOIS. COBRANÇAS EFETUADAS APÓS JUNHO/2021. DANO MORAL CONFIGURADO NO CASO CONCRETO. QUANTUM ARBITRADO QUE NÃO COMPORTA REDUÇÃO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE OBSERVADOS. TERMO INICIAL DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL. RECURSO DESPROVIDO. (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0017743-74.2021.8.16.0031 - Guarapuava - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MARCEL LUIS HOFFMANN - J. 19.08.2022) Desse modo, a sentença merece reforma no tocante à fixação de indenização por danos morais, porquanto devidos no caso concreto, uma vez evidenciada situação excepcional a ensejar o pagamento a esse título. Assim, observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, arbitra-se o valor da indenização por danos morais em R$ 10.000,00 (dez mil reais), montante este que atende às peculiaridades do caso concreto, sem causar o enriquecimento sem causa da parte recorrente. O valor deverá ser corrigido pelo índice IPCA, desde a data do presente julgamento e acrescido de juros de mora mensal, no importe de 1% ao mês, contados desde a implantação do desconto até julho de 2024, após, calculados pela Taxa Legal. Propõem-se voto para conhecer e dar provimento ao recurso, nos termos da fundamentação. Ante o sucesso recursal inaplicável a condenação ao pagamento de honorários advocatícios (art. 55 da Lei 9.099/95). Custas de lei, conforme Lei Estadual 18.413/14, arts. 2º, inc. II e 4º, e Instrução Normativa - CSJEs, art. 18. Observe-se a gratuidade concedida. Tese de julgamento: O desconto indevido em benefício previdenciário de baixo valor causa danos morais na forma in re ipsa. DISPOSITIVOS LEGAIS E JURISPRUDÊNCIA Súmula 150 do Superior Tribunal de Justiça; TJPR - 2ª Turma Recursal - 0004113- 03.2025.8.16.0033 - Pinhais - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS ALVARO RODRIGUES JUNIOR - J. 24.02.2026; TJPR - 2ª Turma Recursal - 0000821- 47.2025.8.16.0150 - Santa Helena - Rel.: JUÍZA DE DIREITO SUBSTITUTO FERNANDA BERNERT MICHIELIN - J. 24.02.2026; TJPR - 2ª Turma Recursal - 0003469-09.2021.8.16.0160 - Sarandi - Rel.: JUÍZA DE DIREITO SUBSTITUTO FERNANDA BERNERT MICHIELIN - J. 02.09.2022; TJPR - 2ª Turma Recursal - 0017743- 74.2021.8.16.0031 - Guarapuava - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MARCEL LUIS HOFFMANN - J. 19.08.2022 Resumo em linguagem acessível: O tribunal aceitou o recurso da Autora, beneficiária do INSS, para reconhecer a existência de danos morais quando há o desconto indevido sobre benefício previdenciário e fixou indenização em R$ 10.000,00. Ante o exposto, esta 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de SINEIDE MARIA MAGRO DE CARVALHO, julgar pelo(a) Com Resolução do Mérito - Provimento nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Irineu Stein Junior (relator), com voto, e dele participaram os Juízes Vanessa De Souza Camargo e Patrícia Di Fuccio Lages De Lima. 04 de agosto de 2026 Irineu Stein Junior Juiz (a) relator (a)
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