Ementa
RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. COBRANÇA DE ENCARGOS MORATÓRIOS. ABUSIVIDADE RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE PROVA DO INADIMPLEMENTO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DO CONSUMIDOR APTA A CONFIGURAR MORA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME1. Ação indenizatória em que a parte requerente narra cobrança indevida de seguro e de serviços vinculados a contrato de empréstimo. 2. A sentença reconheceu como abusiva a cobrança a título de "Mora Crédito Pessoal", determinando sua liquidação em fase de cumprimento de sentença.3. Recurso inominado interposto pela parte requerida, sustentando que o atraso no pagamento autoriza a cobrança de multa e encargos moratórios.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO4. A questão em discussão consiste em saber se é devida a cobrança de encargos de mora em contrato de empréstimo consignado, considerando que o pagamento das parcelas se dá mediante desconto direto em folha de pagamento ou benefício do consumidor.III. RAZÕES DE DECIDIR5. O contrato firmado entre as partes é de empréstimo consignado, cuja característica essencial é o desconto automático e prioritário das parcelas na folha de pagamento ou benefício do consumidor, providência operacionalizada pelo credor ou por instituição financeira convenente.6. Nessa modalidade, o adimplemento não depende de ato do mutuário, mas de mecanismo de cobrança que escapa à sua esfera de controle, de modo que não há conduta do consumidor capaz de configurar mora.7. A parte requerida não comprovou falha no desconto consignado atribuível ao consumidor, nem qualquer circunstância excepcional que justificasse o inadimplemento, não se sustentando a alegação de atraso apto a ensejar cobrança de mora, multa ou encargos moratórios.IV. DISPOSITIVO8. Recurso conhecido e desprovido.
(TJPR - 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0001348-64.2023.8.16.0151 - Santa Izabel do Ivaí - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS FERNANDA DE QUADROS JORGENSEN GERONASSO - J. 03.08.2026)
|
Íntegra
do Acórdão
Ocultar
Acórdão
Atenção: O texto abaixo representa a transcrição de Acórdão. Eventuais imagens serão suprimidas.
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ 5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS - PROJUDI Rua Mauá, 920 - 14º Andar - Alto da Glória - Curitiba/PR - CEP: 80.030-200 - Fone: 3210-7003/7573 - E-mail: 5TR@tjpr.jus.br Recurso Inominado Cível n° 0001348-64.2023.8.16.0151 RecIno Juizado Especial Cível de Santa Isabel do Ivaí Recorrente(s): BANCO BRADESCO S/A Recorrido(s): MARIA CRISTINA DA SILVA Relator: Fernanda de Quadros Jorgensen Geronasso RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. COBRANÇA DE ENCARGOS MORATÓRIOS. ABUSIVIDADE RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE PROVA DO INADIMPLEMENTO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DO CONSUMIDOR APTA A CONFIGURAR MORA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Ação indenizatória em que a parte requerente narra cobrança indevida de seguro e de serviços vinculados a contrato de empréstimo. 2. A sentença reconheceu como abusiva a cobrança a título de "Mora Crédito Pessoal", determinando sua liquidação em fase de cumprimento de sentença. 3. Recurso inominado interposto pela parte requerida, sustentando que o atraso no pagamento autoriza a cobrança de multa e encargos moratórios. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se é devida a cobrança de encargos de mora em contrato de empréstimo consignado, considerando que o pagamento das parcelas se dá mediante desconto direto em folha de pagamento ou benefício do consumidor. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. O contrato firmado entre as partes é de empréstimo consignado, cuja característica essencial é o desconto automático e prioritário das parcelas na folha de pagamento ou benefício do consumidor, providência operacionalizada pelo credor ou por instituição financeira convenente. 6. Nessa modalidade, o adimplemento não depende de ato do mutuário, mas de mecanismo de cobrança que escapa à sua esfera de controle, de modo que não há conduta do consumidor capaz de configurar mora. 7. A parte requerida não comprovou falha no desconto consignado atribuível ao consumidor, nem qualquer circunstância excepcional que justificasse o inadimplemento, não se sustentando a alegação de atraso apto a ensejar cobrança de mora, multa ou encargos moratórios. IV. DISPOSITIVO 8. Recurso conhecido e desprovido. O voto. Dispensado o relatório, passo ao julgamento (art. 46 da Lei 9.099/95). Satisfeitos os pressupostos viabilizadores da admissibilidade do recurso razão pela qual, merece conhecimento. No mérito, sem razão a parte recorrente. Isso porque, o contrato firmado entre as partes é de empréstimo consignado (mov. 21.2), cuja característica essencial é o pagamento das parcelas mediante desconto direto na folha de pagamento (ou benefício) do consumidor, providência operacionalizada pelo próprio credor ou por instituição financeira convenente, sem que caiba ao mutuário qualquer ato de adimplemento manual. Nessa modalidade contratual, o desconto é automático e prioritário, descontando- se o valor da parcela compulsoriamente da remuneração ou benefício do consumidor, no momento de seu pagamento pela fonte pagadora. Não há, portanto, conduta do consumidor capaz de configurar mora, na medida em que o cumprimento da obrigação não depende de iniciativa sua, mas de mecanismo de cobrança que escapa à sua esfera de controle. Não tendo a parte requerida comprovado a existência de eventual falha no desconto consignado atribuível ao consumidor, ou qualquer outra circunstância excepcional que justificasse o inadimplemento, não se sustenta a alegação de atraso no pagamento apto a ensejar a cobrança de mora, multa ou encargos moratórios. Sobre o tema: DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSOS INOMINADOS. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO. DESCONTOS BANCÁRIOS. TARIFA “MORA CREDITO PESSOAL”. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONTRATAÇÃO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. TARIFA “APLIC. INVEST FÁCIL”. CONTRATAÇÃO COMPROVADA. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. RECURSOS DESPROVIDOS. (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0003808-47.2025.8.16.0153 - Santo Antônio da Platina - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS ALVARO RODRIGUES JUNIOR - J. 14.04.2026) Dessa forma, correta a sentença ao reconhecer como abusiva a cobrança a título de "Mora Crédito Pessoal", uma vez que incompatível com a própria natureza do contrato consignado, impondo-se sua manutenção. Por fim, o voto será pelo conhecimento e desprovimento do recurso interposto, conforme razões expostas acima, devendo ser conservada a sentença por seus próprios fundamentos (artigo 46 da LJE) e, com base no art. 55 da Lei nº 9.099/95, deve ser a parte recorrente condenada ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que arbitro em 20% sobre o valor da condenação. Ante o exposto, esta 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em relação ao recurso de BANCO BRADESCO S/A, julgar pelo(a) Com Resolução do Mérito - Não-Provimento nos exatos termos do voto. O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz(a) Luciana Fraiz Abrahão, sem voto, e dele participaram os Juízes Fernanda De Quadros Jorgensen Geronasso (relator), Manuela Tallão Benke e Daniel Tempski Ferreira Da Costa. Curitiba, 31 de julho de 2026 Fernanda de Quadros Jörgensen Geronasso Juíza Relatora
|