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Processo:
0000182-68.2011.8.16.0134
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Pericles Bellusci de Batista Pereira
Desembargador
Órgão Julgador: 18ª Câmara Cível
Comarca: Pinhão
Data do Julgamento: Wed Apr 27 00:00:00 BRT 2022
Fonte/Data da Publicação:  Wed Apr 27 00:00:00 BRT 2022

Ementa

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE PROPOSTA POR SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. FAIXA DE SEGURANÇA OPERACIONAL. COTA ALTIMÉTRICA. USINA. PEDIDO DE DEMOLIÇÃO DE BENFEITORIAS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. INCONTROVERSO DIREITO DA AUTORA SOBRE A FAIXA OU TERRENOS DE DOMÍNIO OU INTERESSE PÚBLICO. INSURGÊNCIA DOS REQUERIDOS. PLEITO DE RESSARCIMENTO E INDENIZAÇÃO POR ACESSÕES E BENFEITORIAS.1. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. IGNORÂNCIA SOBRE OS LIMITES DO BEM PÚBLICO. PLEITO DE PROVA ORAL PARA DEMONSTRAR A DIFICULDADE OU IMPOSSIBILIDADE DE O HOMEM MÉDIO IDENTIFICAR OS LIMITES. IRRELEVÂNCIA. DESTINAÇÃO PÚBLICA. SUMULA 619 DO STJ. INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS. IMPOSSIBILIDADE. DETENÇÃO INSUSCETÍVEL DE RETENÇÃO OU INDENIZAÇÃO POR ACESSÕES E BENFEITORIAS. PROVA DESNECESSÁRIA. NÃO ACOLHIMENTO.- No caso, verifica-se que o feito, de fato, comportava julgamento naquele momento e que a ausência de produção de prova oral não acarretou prejuízo à parte requerida no que diz respeito ao seu ônus probatório, posto que a prova pretendida não alteraria o julgamento final.- Isso porque não demonstraram os requeridos a imprescindibilidade de produção da prova oral pretendida, bem como necessidade da instrução da forma requerida, notadamente pois eventual ignorância da titularidade do bem, não induz à boa-fé. - Mesmo que restasse eventualmente comprovada a absoluta ignorância acerca do fato de que parte das edificações encontram-se dentro da faixa de segurança operacional da Usina, bem como a hipotética impossibilidade de se conhecer desse fato pelo homem médio, ainda assim, não há que se falar em indenização por benfeitorias, em razão do disposto no art. 1.255 do Código Civil, bem como na Súmula 619 do Superior Tribunal de Justiça.2. ALEGADO DIREITO AO RESSARCIMENTO POR ACESSÕES E BENFEITORIAS. IMPOSSIBILIDADE. DETENÇÃO INSUSCETÍVEL DE RETENÇÃO OU INDENIZAÇÃO POR ACESSÕES E BENFEITORIAS. SUMULA 619 DO STJ. EVENTUAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENERGIA ELÉTRICA NO LOCAL NÃO ALTERA A NATUREZA DA OCUPAÇÃO. PECULIARIDADES. NÃO ACOLHIMENTO. - Não há que se falar em indenização por benfeitorias, sobretudo porque eventual ignorância da titularidade do bem, não induz à boa-fé. Nesse sentido, a súmula 619 do Superior Tribunal de Justiça: "A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias".- Especificamente na hipótese dos autos, verifica-se que os requeridos que cederam seus direitos possessórios não possuem interesse ou legitimidade para pleitear indenização por benfeitorias e, por outro lado, a cessionária que adquiriu a posse após a notificação realizada pela autora e o ajuizamento da ação de reintegração não pode alegar ignorância acerca da natureza do bem, sequer invocar o desconhecimento técnico do homem médio.Recurso de apelação não provido.