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Processo:
0000321-57.2020.8.16.0149
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto kennedy josue greca de mattos
Órgão Julgador: 2ª Câmara Criminal
Comarca: Salto do Lontra
Data do Julgamento: Thu Apr 11 00:00:00 BRT 2024
Fonte/Data da Publicação:  Tue Apr 23 00:00:00 BRT 2024

Ementa

APELAÇÃO CRIMINAL. CRIMES CONTRA A HONRA. CRIME DE DIFAMAÇÃO E INJÚRIA (ARTS. 139 E 140, C/C ART. 141, §2º, DO CÓDIGO PENAL, NA FORMA DO ART. 70 DO MESMO DIPLOMA LEGISLATIVO). SENTENÇA CONDENATÓRIA. PRELIMINAR DA QUERELANTE EM CONTRARRAZÕES PELA DESERÇÃO. PREPARO REALIZADO. RECURSO CONHECIDO. PRELIMINARES DO QUERELADO. ARGUIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA VARA CRIMINAL. SOMA DAS PENAS MÁXIMAS IN ABSTRATO QUE EXCEDE O LIMITE DE DOIS ANOS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO ENTRE A INICIAL ACUSATÓRIA E A SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. AVENTADA QUEBRA DE CADEIA DE CUSTÓDIA DA PROVA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Pleito recursal absolutório por insuficiência de provas. Existência de elementos aptos a ensejar o decreto condenatório. ANIMUS DIFFAMANDI E INJURIANDI EVIDENCIADOS. PEDIDO DE AFASTAMENTO DE VALORAÇÕES NEGATIVAS NAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. REJEIÇÃO. JUSTIFICADA A EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE. REDUÇÃO, EX OFFICIO, DO NÚMERO DE DIAS-MULTA. exigida PROPORCIONALIDADE COM A REPRIMENDA PRIVATIVA DE LIBERDADE. AGRAVANTE DO ABUSO DE AUTORIDADE NÃO CARACTERIZADO, EIS QUE INAPLICÁVEL AO CASO CONCRETO. PEDIDO DE AFASTAMENTO DA CAUSA ESPECIAL DE AUMENTO PREVISTA NO ART. 141, §2º, DO CÓDIGO PENAL. VIABILIDADE. INEXISTÊNCIA DO DISPOSITIVO LEGAL À ÉPOCA DOS FATOS. OPERADA READEQUAÇÃO DOSIMÉTRICA. PEDIDO DE IMPOSIÇÃO DO REGIME INICIAL ABERTO. DESCABIMENTO. PRESENÇA DE 03 CIRCUNSTÂNCIAIS JUDICIAIS VALORADAS NEGATIVAMENTE QUE JUSTIFICAM O REGIME SEMIABERTO. INTELIGÊNCIA DO ART. 59, DO CÓDIGO PENAL. Requerimento de conversão da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. POSSIBILIDADE. EM QUE PESE A EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS NEGATIVAS, A SUBSTITUIÇÃO SE MOSTRA SOCIALMENTE RECOMENDÁVEL. RÉU PRIMÁRIO. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.A arguição, pelo Querelado, de deserção do recurso interposto pelo Querelante, revela-se destituída de substrato fático, dado que o preparo foi devidamente realizado em conformidade com os ditames processuais em vigor.Diante da concorrência de delitos de menor potencial ofensivo, a determinação da competência se pauta no agregado das sanções, cujo total das penas máximas, ao exceder o limiar de dois anos, acarreta na atribuição de competência à Vara Criminal para a apreciação e julgamento do feito;O Magistrado responsável pela prolação da sentença condenatória julgou o recorrente fundamentado nas circunstâncias delineadas na peça acusatória e no substrato fático-probatório dos autos, coletado durante a instrução criminal. Nesse contexto, não há fundamentos para alegar violação ao princípio da correlação, tampouco para a aplicação do instituto da mutatio libelli.A assertiva genérica de quebra da cadeia de custódia da prova, carente de indicativos específicos acerca de eventual adulteração de seu conteúdo, não detém o condão de invalidar a sentença proferida;Na espécie, afigura-se inconteste a intenção do recorrente em atingir a honra objetiva da Querelante, pelo que a manutenção da condenação se impõe;A existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis autoriza a fixação da pena-base acima do patamar mínimo quando os argumentos são idôneos e dizem respeito ao caso concreto individualmente considerado, restando autorizado, assim, o aumento da reprimenda.A pena de multa deve ser fixada na mesma proporção da pena privativa de liberdade aplicada, razão pela qual deve ser operada a sua redução, de ofício.A agravante estabelecida no art. 61, inciso II, alínea f, do Código Penal, somente se aplica a casos de abuso de autoridade ocorridos na esfera privada. Portanto, a exclusão dessa circunstância emerge como uma medida que se impõe.A majorante de aumento estipulada no artigo 141, parágrafo 2º, do Código Penal, não deve ser imposta na presente conjuntura, haja vista que, no período das transgressões penais (agosto de 2019), tal agravante ainda não ostentava eficácia normativa. O §3º do artigo 33 do CP determina que as circunstâncias judiciais elencadas no artigo 59 do CP serão utilizadas para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena, sendo que a existência de uma única circunstância valorada negativamente pode vir a motivar regime mais gravoso, quando observado que aquele se mostra necessário e suficiente para a reprovação e prevenção de nova prática delitiva.Mesmo diante da concomitância de três circunstâncias judiciais desfavoráveis, presente no caso em apreço, não se avista qualquer entrave à pretendida substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Sob esta ótica, a substituição da pena privativa de liberdade se evidencia como uma medida socialmente recomendável, revelando-se não somente adequada, mas também suficiente para a consecução dos objetivos punitivos almejados.