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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0012474-88.2022.8.16.0170
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto sergio luiz patitucci
Órgão Julgador: 17ª Câmara Cível
Comarca: Toledo
Data do Julgamento: Tue Apr 23 00:00:00 BRT 2024
Fonte/Data da Publicação:  Tue Apr 23 00:00:00 BRT 2024

Ementa

DIREITO CIVIL – APELAÇÃO CÍVEL – PROCEDIMENTO DE SUSCITAÇÃO DE DÚVIDA REGISTRAL – REGISTROS PÚBLICOS (LEI N. 6.015/73) – REGISTRO DE IMÓVEIS – ESCRITURA PÚBLICA DE DOAÇÃO COM RESERVA DE USUFRUTO – CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS QUE EXPEDIU UMA NOTA DE EXIGÊNCIA REQUERENDO QUE CONSTE NA ESCRITURA PÚBLICA SE O DOADOR CONVIVE OU NÃO EM UNIÃO ESTÁVEL (À DESPEITO DE SE QUALIFICAR COMO DIVORCIADO) – CASO LEGAL (CONCRETO) QUE OSTENTA A DISTINÇÃO ENTRE RESERVA E INSTITUIÇÃO DE USUFRUTO – NECESSIDADE DE FAZER CONSTAR NA ESCRITURA PÚBLICA A INSTITUIÇÃO DE USUFRUTO – ATO TRANSLATIVO DE DIREITO REAL SOBRE BEM IMÓVEL – FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO – ART. 20 DA LEI ESTADUAL N. 18.573/2015 – INCIDÊNCIA DE IMPOSTO (ITCMD) – PRETENSÃO DE AFASTAMENTO DAS REFERIDAS EXIGÊNCIAS – IMPOSSIBILIDADE – OFICIAL REGISTRADOR QUE REALIZA A ADMISSIBILIDADE E VALIDADE DO TÍTULO – ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE (ART. 155 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988 E ART. 13 DA LEI N. 18.573/2015) QUE DEVE SER PERSEGUIDO EM VIA PRÓPRIA – MANUTENÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL NOS MOLDES PROPOSTOS – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS, EM SEDE RECURSAL – MAJORAÇÃO QUANTITATIVA – INAPLICABILIDADE DO § 11 DO ART. 85 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – RECURSO CONHECIDO – NEGA PROVIMENTO. 1. Antes de proceder o registro ou averbação do título apresentado, compete ao registrador de imóveis qualificar o mencionado título, mediante análise formal, que consiste em juízo de admissibilidade, positivo ou negativo, acerca da validade do título, e compatibilidade com o que já se encontra consignado nos registros de sua serventia, para fins de determinar se o mesmo está apto ou não para registro. 2. No caso dos Autos, considera-se legítima a exigência do Oficial Registrador que, somente objetivou cumprir às disposições específicas constantes no Código de Normas que, então, exige a consignação da existência, ou não, de união estável do Apelante. 3. Na escritura pública constou, de forma correta, que há reserva de usufruto ao Apelante (proprietário e doador do bem imóvel) e, de forma incorreta, que a reserva do usufruto se deu, também, a Sra. Solange Terezinha da Silva que sequer é proprietária do bem imóvel. Não obstante, a exigência elencada pelo Oficial Registrador é devida para que, então, conste no documento a ser registrado que se cuida de instituição de usufruto em favor da Sra. Solange Terezinha da Silva e, assim, “por se tratar de ato translativo de direito real sobre bem imóvel que se deu a título gratuito, constitui fato jurídico-tributário do ITCMD, cuja guia de recolhimento deveria ter sido apresentada”. 4. Por fim, a questão relativa a inconstitucionalidade entre os dispositivos da Constituição da República de 1988 (art. 155 e alínea “a” do art. 13 da Lei n. 18.573/2015) não se coaduna com os limites da presente demanda e, assim, deve ser perseguida em via própria. 5. A majoração de honorários advocatícios sucumbenciais, em sede recursal, consoante o disposto no § 11 do art. 85 da Lei n. 13.105/2015 (Código de Processo Civil) – ou, ainda, a sua estipulação, nos termos dos §§ 1º e 2º do referido dispositivo legal –, não se afigura legitimamente plausível, em virtude de não terem sido estipulados judicialmente os honorários advocatícios em favor dos Advogados da causa.