SELEÇÃO DE DECISÕES

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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0001021-24.2017.8.16.0089
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto osvaldo canela junior
Órgão Julgador: 16ª Câmara Cível
Comarca: Ibaiti
Data do Julgamento: Mon Jul 14 00:00:00 BRT 2025
Fonte/Data da Publicação:  Mon Jul 14 00:00:00 BRT 2025

Ementa

DIREITO CIVIL E DIREITO DO CONSUMIDOR. EFEITO SUSPENSIVO. RITJPR, ART. 335. NÃO CONHECIMENTO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. SÚMULA 297/STJ. TEORIA FINALISTA MITIGADA. VULNERABILIDADE TÉCNICA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. SÚMULA 539/STJ. CLÁUSULA EXPRESSA. PERÍCIA JUDICIAL. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. ART. 42 DO CDC. ART. 876 DO CC. RESTITUIÇÃO SIMPLES. MÁ-FÉ AFASTADA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. ÍNDICE OFICIAL. JUROS MORATÓRIOS. ART. 406 DO CC. ART. 161, §1º DO CTN. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MAJORAÇÃO. ART. 85, §11 DO CPC. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. DECISÃO FUNDAMENTADA. UROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. TAXA SUPERIOR À MÉDIA DO MERCADO. STJ. REsp 1.061.530/RS. ART. 51, §1º, III, DO CDC. CONTRATO BANCÁRIO. LIMITAÇÃO À TAXA MÉDIA. ÔNUS DA PROVA DO BANCO. SPREAD BANCÁRIO. BOA-FÉ OBJETIVA. EXCESSIVA ONEROSIDADE. PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR.I. Caso em exame Apelação interposta por instituição financeira contra sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos de revisão contratual, declarando a ilicitude de encargos aplicados e determinando a restituição de valores cobrados indevidamente. O apelante argumenta a inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor à relação contratual e a legalidade dos encargos cobrados, enquanto o apelado defende a manutenção da decisão de primeira instância. II. Questão em discussão A questão em discussão consiste em saber se é aplicável o Código de Defesa do Consumidor à relação contratual entre a instituição financeira e a parte autora, se há abusividade nas taxas de juros remuneratórios e na capitalização de juros, se é devida a repetição do indébito e qual a forma de atualização dos valores, além da responsabilidade pelos honorários advocatícios na ação revisional. III. Razões de decidir III.I. É incabível o exame do pedido de efeito suspensivo formulado diretamente nas razões de apelação, sem observância do procedimento autônomo previsto no art. 335 do RITJPR. III.II. O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras, inclusive quando contratantes forem pessoas jurídicas vulneráveis, conforme entendimento consolidado e Súmula 297 do STJ. III.III. A capitalização mensal de juros, embora autorizada legalmente desde a MP 2.170-36/2001, exige cláusula expressa no contrato; ausente essa previsão, incide a vedação à cobrança e autoriza a restituição em regime simples. III.IV. A repetição do indébito deve seguir a forma simples na ausência de má-fé, nos termos do art. 42, parágrafo único, do CDC e art. 876 do CC. III.V. É indevida a aplicação exclusiva da taxa SELIC como critério de atualização monetária de dívidas civis, devendo ser adotado índice oficial de correção mais juros moratórios de 1% ao mês, conforme arts. 406 do CC e 161, §1º, do CTN. III.VI. No julgamento de recurso integralmente desprovido, é obrigatória a majoração dos honorários advocatícios, nos termos do art. 85, §11, do CPC, sendo dispensada a citação literal de dispositivos legais quando a matéria for claramente enfrentada, para fins de prequestionamento. III.VII. A taxa de juros remuneratórios pactuada em patamar significativamente superior à média de mercado divulgada pelo BACEN – especialmente quando ultrapassa 1,5 vez esse índice – presume-se abusiva, cabendo à instituição financeira comprovar, de forma concreta, os fatores justificadores da onerosidade, tais como risco elevado ou composição específica da operação. Ausente tal demonstração, impõe-se a limitação dos juros ao parâmetro médio de mercado, nos termos do art. 51, §1.º, III, do CDC, conforme interpretação sistemática do REsp 1.061.530/RS (STJ) e da jurisprudência reiterada dos Tribunais Estaduais. IV. Solução do caso Recurso de apelação conhecido e desprovido V. Legislações e jurisprudência utilizada Legislação: CDC, arts. 6º, V, e 42; CPC, art. 1.012; CC, arts. 406 e 876. Jurisprudência: STJ, AgInt no AREsp n. 1.480.596/PR, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, j. 17.02.2020; STJ, AgInt no AREsp: 2417472 RS 2023/0242209-2, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, j. 08.04.2024; TJPR, 16ª Câmara Cível, 0009165-21.2021.8.16.0000, Rel. Desembargador Lauro Laertes de Oliveira, j. 13.06.2021; TJPR, 19ª Câmara Cível, 0009702-56.2020.8.16.0160, Rel. Substituto Delcio Miranda da Rocha, j. 03.04.2023; TJPR, 6ª Câmara Cível, 0010067-08.2020.8.16.0194, Rel. Desembargador Fernando Paulino da Silva Wolff Filho, j. 13.06.2022; Súmula nº 297/STJ; Súmula nº 539/STJ.