SELEÇÃO DE DECISÕES

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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0027861-66.2025.8.16.0000
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituta elizabeth de fatima nogueira calmon de passos
Órgão Julgador: 17ª Câmara Cível
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Wed Nov 12 00:00:00 BRT 2025
Fonte/Data da Publicação:  Fri Nov 14 00:00:00 BRT 2025

Ementa

DIREITO EMPRESARIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO. DECISÃO AGRAVADA QUE JULGOU PROCEDENTE O PEDIDO, MAS DEIXOU DE ARBITRAR HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA, ANTE A AUSÊNCIA DE PRETENSÃO RESISTIDA. RECURSO DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS. ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE LITIGIOSIDADE. RESISTÊNCIA INICIALMENTE APRESENTADA PELAS RECUPERANDAS EXCLUSIVAMENTE QUANTO À AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE ORIGINOU O CRÉDITO. POSTERIOR CONCORDÂNCIA COM A HABILITAÇÃO APÓS A SUPERVENIÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Agravo de Instrumento interposto contra decisão que julgou procedente a Impugnação de Crédito apresentada por INEPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. e CUNHA DE ALMEIDA, HOLLANDA & MONCLARO ADVOGADOS ASSOCIADOS, sem condenação em honorários advocatícios, ante a inexistência de pretensão resistida. A decisão reconheceu o crédito da INEPAR no valor de R$8.447.103,69 e o crédito da Sociedade de Advogados no valor de R$1.689.420,73, a ser incluídos no Quadro Geral de Credores. A Sociedade de Advogados agravante sustenta que houve resistência das recuperandas e do Administrador Judicial, a justificar o arbitramento de honorários advocatícios de sucumbência. As agravadas defenderam a ausência de interesse recursal e inexistência de objeto recursal. O Ministério Público opinou pelo provimento do recurso. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) saber se houve resistência apta a caracterizar litigiosidade a justificar a fixação de honorários advocatícios; (ii) saber se se aplica multa por litigância de má-fé em razão da interposição do recurso. III. RAZÕES DE DECIDIR O interesse recursal e o objeto do recurso subsistem, pois a agravante objetiva a reforma parcial da decisão apenas quanto ao arbitramento de honorários, sendo adequada a via eleita (art. 17 da Lei 11.101/2005). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido de que somente em casos de litigiosidade há cabimento de honorários em habilitação ou impugnação de crédito: “São devidos honorários advocatícios nas hipóteses em que o pedido de habilitação de crédito em recuperação judicial for impugnado, conferindo litigiosidade ao processo” (REsp 1.197.177/RJ, Rel.ª Min.ª Nancy Andrighi, DJe 12.09.2013). No caso concreto, a resistência inicial das recuperandas limitou-se à alegação de ausência de trânsito em julgado, sem impugnação ao valor pleiteado. Superada essa condição com o trânsito em julgado da Sentença originária, as agravadas concordaram com a habilitação integral dos créditos. Assim, não houve litigiosidade suficiente a justificar a fixação de honorários. O pedido de aplicação de multa por litigância de má-fé deve ser rejeitado, pois o recurso foi manejado com fundamento plausível e dentro das vias legais. IV. DISPOSITIVO E TESE Agravo de Instrumento conhecido e desprovido. Tese de julgamento: “Em incidentes de habilitação e impugnação de crédito em recuperação judicial, a fixação de honorários advocatícios de sucumbência exige efetiva litigiosidade entre as partes; a mera resistência inicial fundada na ausência de trânsito em julgado não é suficiente para autorizar sua condenação.”