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DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À MONITÓRIA. CONTRATO DE ADESÃO A PRODUTOS E SERVIÇOS. CARTÃO DE CRÉDITO. EXCESSO DE COBRANÇA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS E JUROS REMUNERATÓRIOS. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DO VALOR QUE ENTENDE CORRETO E DE DEMONSTRATIVO DISCRIMINADO (ART. 702, §§ 2º E 3º, DO CPC). CARÊNCIA DA AÇÃO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO CREDOR. NÃO CONFIGURAÇÃO. PETIÇÃO INICIAL INSTRUÍDA COM PROVAS ESCRITAS APTAS À DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA EVOLUÇÃO DA DÍVIDA. EXEGESE DO ART. 700 DO CPC. PRESSUPOSTOS ATENDIDOS. SENTENÇA MANTIDA. MAJORAÇÃO RECURSAL. CABIMENTO. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E NÃO PROVIDO. I. Caso em exame1. Apelação cível interposta contra sentença que julgou improcedentes os embargos monitórios, reconhecendo a existência de título executivo judicial em favor do credor, e condenou o embargante ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios. O apelante alegou carência da ação por ausência de comprovação do saldo devedor e questionou a abusividade dos juros e a capitalização indevida.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se a sentença que julgou improcedentes os embargos monitórios deve ser mantida, considerando a alegação de carência da ação por ausência de comprovação do saldo devedor e a abusividade dos juros cobrados pela instituição financeira.III. Razões de decidir3. O pedido de justiça gratuita foi indeferido, pois a documentação apresentada não comprovou a hipossuficiência econômica do apelante, que possui rendimento mensal e ativos financeiros suficientes.4. Os embargos monitórios foram rejeitados por ausência de memória de cálculo que indicasse o valor correto da dívida, conforme exigido pelo art. 702, §§ 2º e 3º, do CPC.5. A ação monitória foi considerada válida, pois o apelante não demonstrou a carência da ação por ausência de prova escrita da dívida, que foi devidamente comprovada por documentos apresentados.6. Os honorários advocatícios recursais foram majorados, conforme o art. 85, §11, do CPC, em razão do desprovimento do recurso.IV. Dispositivo e tese8. Apelação cível conhecida e desprovida, com majoração dos honorários advocatícios recursais.Tese de julgamento: O recurso foi conhecido em parte e não provido, pois a parte apelante descumpriu os requisitos previstos no art. 702, §§2º e 3º do CPC quanto à alegação de excesso, afastando-se a alegação de carência da ação, uma vez que a petição inicial foi instruída com os documentos suficientes à propositura da ação monitória.Dispositivos relevantes citados:
CPC/2015, arts. 85, §2º, 98, 99, 700, 702, §§ 2º e 3º; CR/1988, art. 5º, LXXIV.Jurisprudência relevante citada:
STJ, REsp 976.287/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, j. 08.09.2009; STJ, AgRg no REsp 989.631/SP, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, j. 19.02.2009; STJ, REsp 707.776/MS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, j. 06.11.2008; STJ, REsp 1.030.951/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, j. 14.10.2008; STJ, AgRg no Ag 990.643/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, j. 06.05.2008; STJ, REsp 998.847/RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, j. 18.03.2008; STJ, AgRg no AREsp 591.168/SP, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, j. 23.06.2015; TJPR, 15ª C.Cível, 0004437-68.2020.8.16.0000, Rel. Desembargador Shiroshi Yendo, j. 05.05.2020; TJPR, 15ª Câmara Cível, 0004068-86.2018.8.16.0148, Rel. Desembargador Jucimar Novochadlo, j. 28.09.2020; TJPR, 15ª Câmara Cível, 0002964-04.2017.8.16.0113, Rel. Desembargador Hayton Lee Swain Filho, j. 27.06.2022; TJPR, 15ª Câmara Cível, 0004718-61.2018.8.16.0075, Rel. Desembargador Hayton Lee Swain Filho, j. 19.09.2022; TJPR, 16ª Câmara Cível, 0049756-80.2021.8.16.0014, Rel. Desembargador Lauro Laertes de Oliveira, j. 21.09.2022.Resumo em linguagem acessível: O tribunal decidiu que o pedido do devedor, que queria anular a cobrança feita pelo credor, não foi aceito. O juiz entendeu que o credor apresentou documentos suficientes para comprovar a dívida, como contratos e faturas do cartão de crédito. Além disso, o pedido de justiça gratuita foi negado, porque o recorrente não conseguiu provar que não tinha dinheiro para pagar as custas do processo. Assim, ele terá que arcar com as custas/despesas do processo e os honorários do advogado do credor, que foram aumentados. Portanto, a decisão da primeira instância foi mantida.
(TJPR - 15ª Câmara Cível - 0001623-55.2024.8.16.0158 - São Mateus do Sul - Rel.: DESEMBARGADOR JUCIMAR NOVOCHADLO - J. 17.05.2025)
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Acórdão
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 8ª CÂMARA CÍVEL Autos nº. 0156695-53.2026.8.16.0000 Recurso: 0156695-53.2026.8.16.0000 AI Classe Processual: Agravo de Instrumento Assunto Principal: Assistência Judiciária Gratuita Agravante(s): DULCE HELENA APARECIDA CASEIRO DE MAGALHÃES AGAMENON AFONSO HENRIQUE CASEIRO TERTO DE MAGALHÃES Agravado(s): LEANDRO CELANTE MADEIRA EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RECURSO PROTOCOLADO INICIALMENTE NOS AUTOS DE ORIGEM. ERRO GROSSEIRO. ART. 1.016 DO CPC. DISTRIBUIÇÃO NO TRIBUNAL APÓS O PRAZO DE 15 DIAS ÚTEIS. INTEMPESTIVIDADE. JUSTA CAUSA NÃO CONFIGURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo de instrumento interposto contra decisão que rejeitou a impugnação ao cumprimento de sentença, homologou o cálculo da contadoria e reconheceu que a gratuidade da justiça superveniente não alcança a verba sucumbencial executada. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Saber se o protocolo do agravo de instrumento nos autos de primeiro grau, com posterior distribuição no Tribunal após o prazo legal, permite o conhecimento do recurso. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O agravo de instrumento deve ser dirigido diretamente ao tribunal competente (art. 1.016 do CPC). Peticionar nos autos de origem é providência manifestamente inadequada e configura erro grosseiro, o que afasta a fungibilidade recursal. 4. A distribuição do recurso no Tribunal ocorreu muito depois do fim do prazo de 15 dias úteis (arts. 219 e 1.003, § 5º, do CPC). 5. A resposta da serventia que apenas confirmou a juntada da petição nos autos não caracteriza justa causa (arts. 197, parágrafo único, e 223 do CPC), porque não atestou a regularidade da interposição nem poderia substituir a observância da lei processual. IV. DISPOSITIVO 6. Recurso não conhecido. Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 219, 223, 932, III, 1.003, § 5º, 1.016 e 1.017, § 2º; RITJPR, art. 182, XIX. I – RELATÓRIO Trata-se de Agravo de Instrumento, com pedido de tutela recursal, interposto por Agamenon Afonso Henrique Caseiro Terto de Magalhães e Dulce Helena Aparecida Caseiro de Magalhães contra a decisão de mov. 510.1, proferida no Cumprimento de Sentença nº 0002383- 17.2016.8.16.0115 pelo Juízo da Vara Cível de Matelândia. A decisão homologou o cálculo da contadoria judicial, rejeitou integralmente a impugnação ao cumprimento de sentença e reconheceu que a gratuidade da justiça deferida no mov. 484.1 produz efeitos ex nunc, sem alcançar os honorários sucumbenciais executados. Também condenou os executados ao pagamento de honorários de 10% em razão da rejeição da impugnação, com exigibilidade suspensa. Os agravantes sustentam, em síntese, que a gratuidade superveniente suspende a exigibilidade da verba sucumbencial, nos termos do art. 98, § 3º, do CPC, e que a fixação de honorários pela rejeição da impugnação contraria a Súmula 519 do STJ. Quanto à tempestividade, afirmam que o recurso foi protocolado em 24/09/2026 nos próprios autos de origem, dentro do prazo legal. Alegam que a procuradora, habituada ao sistema eproc do TJRS, consultou a serventia por e-mail sobre a regularidade do protocolo e recebeu a resposta de que a movimentação do agravo de instrumento constava dos autos. Defendem a validade do protocolo com base no art. 1.017, § 2º, II, do CPC e, subsidiariamente, o reconhecimento de justa causa por erro do auxiliar da justiça (arts. 197, parágrafo único, e 223 do CPC). Sustentam, ainda, que o caso se distingue dos precedentes que reconhecem erro grosseiro. É o relatório. II – FUNDAMENTAÇÃO O recurso não comporta conhecimento. Nos termos do artigo 932, inciso III, do Código de Processo Civil, incumbe ao Relator não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida: Art. 932. Incumbe ao relator: (...) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; É o que ocorre no caso, pois o agravo de instrumento foi interposto por via manifestamente inadequada e, quando distribuído neste Tribunal, o prazo recursal já havia se esgotado. 1. Do erro grosseiro na interposição do recurso O artigo 1.016 do Código de Processo Civil determina que"o agravo de instrumento será dirigido diretamente ao tribunal competente". Diferentemente da apelação, o agravo de instrumento não é interposto perante o juízo prolator da decisão. A comunicação ao primeiro grau prevista no artigo 1.018 do CPC serve apenas para dar ciência da interposição e permitir eventual retratação. Nos processos eletrônicos, essa comunicação é, inclusive, facultativa. No caso, os agravantes juntaram a peça recursal aos autos do cumprimento de sentença (mov. 513.1), em 24/09/2026, e a endereçaram ao Presidente deste Tribunal, sem distribuí-la no sistema de segundo grau. Por isso, o Juízo de origem indeferiu o pedido de remessa no mov. 520.1, consignando que"o mero peticionamento nos autos de origem não supre o protocolo no Tribunal de Justiça". A invocação do artigo 1.017, § 2º, inciso II, do CPC não altera essa conclusão. O dispositivo trata de formas de protocolo do recurso destinado ao tribunal, como os protocolos descentralizados ou integrados, quando houver. Não autoriza que a peça seja simplesmente juntada aos autos da ação originária, procedimento que contraria a literalidade do artigo 1.016. No Tribunal de Justiça do Paraná, em que os feitos tramitam eletronicamente pelo sistema Projudi, o recurso deve ser distribuído diretamente no ambiente de segundo grau. Peticionar no primeiro grau não produz, portanto, os efeitos da interposição. Também não socorre os agravantes a alegada falta de familiaridade da procuradora com o sistema Projudi. As regras de interposição decorrem da lei processual federal, de observância obrigatória por todos os advogados que atuam perante esta Corte, independentemente da seccional em que estejam inscritos. Trata-se, portanto, de erro grosseiro, que afasta a aplicação da fungibilidade recursal e da instrumentalidade das formas, porque não há dúvida objetiva quanto à forma de interposição. É firme a orientação desta Corte nesse sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO QUE ACOLHEU A EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. RECURSO INTERPOSTO INICIALMENTE NA ORIGEM. DISTRIBUIÇÃO PERANTE O TRIBUNAL APÓS O PRAZO DE 15 DIAS. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Agravo de Instrumento interposto contra decisão que acolheu a exceção de pré-executividade e reconheceu a impenhorabilidade do imóvel de propriedade do executado. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se o agravo de instrumento deve ser conhecido. III. Razões de decidir 3. O agravo de instrumento é intempestivo, pois o prazo de 15 dias expirou antes da sua interposição. 4. O recurso foi interposto inicialmente no primeiro grau, providência manifestamente inadequada e insuscetível de aproveitamento para fins de comprovação da tempestividade. IV. Dispositivo e tese 5. Recurso não conhecido. Tese de julgamento: A interposição do recurso fora do prazo de quinze dias caracteriza a intempestividade e impede seu conhecimento. Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 932, III e 1.003, § 5º. Jurisprudência relevante citada: TJPR, 8ª Câmara Cível, 0087332-47.2024.8.16.0000, Rel. Desembargador Substituto Antonio Domingos Ramina Junior, j. 02.12.2024. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0059235-66.2026.8.16.0000 - São José dos Pinhais - Rel.: DESEMBARGADORA JAQUELINE ALLIEVI - J. 08.05.2026) DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INTEMPESTIVIDADE. ERRO GROSSEIRO NA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL. INAPLICABILIDADE DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo de Instrumento interposto contra decisão que extinguiu a ação de indenização por danos morais em relação a uma das partes requeridas, sob o fundamento de ilegitimidade passiva, uma vez que a concessionária de veículos não seria responsável pelos vícios de fabricação, já que o fabricante estava devidamente identificado e compunha o polo passivo da lide. O agravante requer a manutenção da concessionária no feito, a inversão do ônus da prova e a dispensa de perícia judicial, alegando que não possui mais o veículo objeto da demanda. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se o agravo de instrumento é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, diante da interposição fora do prazo legal e da prévia utilização de recurso inadequado. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Nos termos do art. 932, III, do CPC, compete ao relator não conhecer de recurso inadmissível, inclusive quando intempestivo. 4. O prazo para interposição do agravo de instrumento é de 15 dias úteis, conforme art. 1.003, §5º, do CPC, sendo a contagem realizada em dias úteis (art. 219 do CPC), com início no primeiro dia útil subsequente à intimação válida (arts. 231, V, e 1.003 do CPC c/c art. 5º, §§1º e 2º, da Lei nº 11.419/2006). 5. No caso, a parte foi intimada da decisão em 11/08/2025, iniciando-se o prazo em 12 /08/2025, com término em 01/09/2025, tendo o agravo sido interposto apenas em 29/10/2025, evidenciando manifesta intempestividade. 6. A interposição prévia de apelação contra decisão interlocutória configura erro grosseiro, insuscetível de correção pela fungibilidade recursal, ausente dúvida objetiva quanto ao recurso cabível. 7. O pedido de esclarecimento formulado pelo juízo de origem não tem o condão de reabrir ou suspender o prazo recursal, tampouco legitima a interposição tardia do recurso adequado. 8. A jurisprudência do Tribunal de Justiça do Paraná é firme no sentido de que o agravo de instrumento interposto fora do prazo legal não comporta conhecimento, devendo ser rejeitado monocraticamente. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Agravo de Instrumento não conhecido ante a sua inadmissibilidade, pois intempestivo. Tese de julgamento: O agravo de instrumento interposto após o prazo legal de 15 dias úteis não deve ser conhecido, sendo inaplicável o princípio da fungibilidade recursal quando configurado erro grosseiro na escolha do recurso cabível. _________ Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, arts. 932, III, e 1.003, § 5º; Regimento Interno do TJPR, art. 182, XIX. Jurisprudência relevante citada: TJPR, 0018160- 47.2026.8.16.0000, Rel. Desembargador José Sebastião Fagundes Cunha, 3ª Câmara Cível, j. 09.04.2026; TJPR, 0015179-50.2023.8.16.0194, Rel. SUBSTITUTO EDUARDO LINO BUENO FAGUNDES JUNIOR, 7ª Câmara Cível, j. 09.03.2026; TJPR, 0002733-54.2023.8.16.0181, Rel. Desembargador Andrei De Oliveira Rech, 19ª Câmara Cível, j. 10.04.2026; TJPR, 0040364- 85.2026.8.16.0000, Rel. Desembargadora Substituta Sandra Regina Bittencourt Simões, 12ª Câmara Cível, j. 07.04.2026; Súmula nº 83/STJ. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0127343-84.2025.8.16.0000 - Ponta Grossa - Rel.: RICARDO AUGUSTO REIS DE MACEDO - J. 13.04.2026) Afastada a eficácia do protocolo realizado na origem, a tempestividade deve ser aferida pela data da efetiva distribuição do recurso neste Tribunal. Conforme o artigo 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil, o prazo para interpor agravo de instrumento é de 15 (quinze) dias. Pelo artigo 219 do mesmo diploma, computam-se apenas os dias úteis. Foi expedida a intimação da decisão agravada no mov. 511, em 26/08/2026, e a leitura da intimação foi registrada em 08/09/2026 (mov. 512). Mesmo adotando a contagem mais favorável, indicada pela própria agravante, o prazo terminou em 29/09/2026. O presente agravo de instrumento, contudo, só foi distribuído neste Tribunal em 29/10 /2026 (mov. 1.1), quase um mês após o fim do prazo legal. A intempestividade é manifesta. O pedido formulado na origem (mov. 518.1) e a decisão de mov. 520.1 não suspendem nem reabrem o prazo recursal. O Juízo a quo limitou-se a indeferir a remessa e a registrar que o exame da tempestividade cabe a este Tribunal, sem reconhecer qualquer causa de prorrogação. Também não se configura a justa causa prevista nos artigos 197, parágrafo único, e 223, § 1º, do Código de Processo Civil. Na mensagem de 24/09/2026, a procuradora informou que havia protocolado "um agravo de instrumento, no Processo supracitado" e pediu que se verificasse se o protocolo estava correto. A servidora respondeu apenas: "Confirmo a movimentação de agravo de instrumento nos autos". A resposta foi exata: atestou um fato verdadeiro, a juntada da petição nos autos de primeiro grau. Não afirmou que o recurso havia sido distribuído ao Tribunal nem que a forma de interposição era válida. Não houve, assim, informação equivocada prestada pelo Poder Judiciário, mas mera constatação da movimentação processual. Além disso, não cabe ao servidor da serventia de primeiro grau fazer juízo sobre a regularidade da interposição de recurso destinado ao Tribunal, e a resposta a um e- mail não pode afastar o dever de observar a disciplina legal do artigo 1.016 do Código Processo Civil. Os precedentes do Superior Tribunal de Justiça citados pelos agravantes tratam de informações processuais equivocadas divulgadas pelos sistemas oficiais dos tribunais, especialmente quanto a prazos, capazes de induzir a parte a erro. Essa hipótese não se confunde com a dos autos, em que o equívoco nasceu exclusivamente da escolha da via de interposição pela própria parte. Por fim, a primazia do julgamento de mérito e a instrumentalidade das formas (arts. 4º, 277 e 932, parágrafo único, do CPC) não alcançam vícios insanáveis como a intempestividade, que não pode ser corrigida por complementação ou regularização posterior. Resta configurado, portanto, vício insanável de admissibilidade, o que impõe o não conhecimento do recurso. Fica prejudicada a análise do pedido de tutela recursal. III – CONCLUSÃO Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do presente agravo de instrumento, por manifesta inadmissibilidade decorrente de erro grosseiro na interposição e de intempestividade, nos termos dos artigos 932, inciso III, 219, 1.003, § 5º, e 1.016 do Código de Processo Civil, bem como do artigo 182, inciso XIX, do Regimento Interno deste Tribunal. Comunique-se ao Juízo de origem. Intimem-se. Oportunamente, arquivem-se. Curitiba, data da assinatura digital. Julia Maria Tesseroli de Paula Rezende Desembargadora Substituta
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