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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0011330-98.2024.8.16.0044
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Lourival Pedro Chemim
Juiz de Direito Substituto em Segundo Grau
Órgão Julgador: 4ª Câmara Criminal
Comarca: Apucarana
Data do Julgamento: Wed Nov 26 00:00:00 BRT 2025
Fonte/Data da Publicação:  Wed Nov 26 00:00:00 BRT 2025

Ementa

Ementa: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. OPERAÇÃO BABY SHARK. TROPA DO TUBARÃO. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO POR FALTA DE PROVAS PARA ENSEJAR A CONDENAÇÃO PELA PRÁTICA DO CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PROVAS SUFICIENTES PARA SER MANTIDA A CONDENAÇÃO PELA PRÁTICA DO CRIME PREVISTO NO ARTIGO 2º § 2º DA LEI 13.850/2013. DESACOLHIDO. PEDIDO DE CONDENAÇÃO PELA PRÁTICA DO ARTIGO 35 DA LEI 11343/2006. SÓ É POSSÍVEL A CONDENAÇÃO CONCOMITANTE PELOS CRIMES DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO, DESDE QUE AS CONDUTAS TENHAM OCORRIDO EM DIFERENTES CONTEXTOS FÁTICO E TEMPORAL. PRINCÍPIO DO NE BIS IDEM IMPEDE A CONDENAÇÃO. DESACOLHIMENTO. RECURSO DEFENSIVO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA EXTENSÃO, DESPROVIDO. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO CONHECIDO E DESPROVIDO. I. CASOS EM EXAME 1. Apelações interpostas por Marcos Vinícius da Silva e pelo Ministério Público do Estado do Paraná impugnando sentença da 1ª Vara Criminal de Apucarana que condenou o réu pela prática do crime de organização criminosa armada (art. 2º, § 2º, da Lei nº 12.850/2013), ao cumprimento da pena de 7 (sete) anos de reclusão, em regime fechado, e 23 (vinte e três) dias-multa, mantendo-o preso preventivamente, absolvendo-o da imputação de associação para o tráfico de drogas (art. 35 da Lei nº 11.343/2006). O réu busca absolvição por ausência de provas; o Ministério Público, busca a condenação cumulativa pelas práticas dos dois delitos. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2. Há quatro questões em discussão, ou seja: a) definir se o conjunto probatório é suficiente para sustentar a condenação do réu pela prática do crime de organização criminosa; b) se é possível, subsidiariamente, a aplicação da pena no mínimo legal; c) se é possível a fixação do regime inicial semiaberto para cumprimento de pena; d) estabelecer se é possível a condenação simultânea pelas práticas dos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico, sem violação ao princípio do non bis in idem. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Não comporta conhecimento do pedido genérico de readequação da pena imposta em ocasião de sentença (fixação da pena-base no mínimo legal), pois a defesa sequer apontou as razões pelas quais entende que deve ser diminuída a pena, tais como, afastamento da valoração negativa de circunstâncias judiciais, aplicação de menor fração na segunda e terceira fase da dosimetria. 4. O conjunto probatório, formado por relatório policial, depoimento judicial do Delegado de Polícia responsável pela investigação e prova documental (inclusive quebra de sigilo bancário regularmente autorizada), comprova de forma segura a participação do réu como “soldado” da organização criminosa denominada Tropa do Tubarão, que atuava na comercialização de drogas em Apucarana. 5. O depoimento do Delegado de Polícia, colhido sob contraditório, é válido como meio de prova, quando harmônico e coerente com as demais evidências, não havendo indícios de má-fé ou suspeição. 6. A quebra de sigilo bancário constitui prova cautelar e legalmente admitida, apta a embasar o decreto condenatório, nos termos do art. 155 do Código de Processo Penal. 7. O pagamento de honorários advocatícios por integrante da organização criminosa ao defensor do réu, aliado à apreensão de drogas em local dominado pelo grupo, reforça o vínculo associativo e o papel funcional desempenhado pelo apelante. 8. A condenação pelo delito de organização criminosa não admite cumulação com o crime de associação para o tráfico quando ambos decorrem do mesmo contexto fático e finalidade delitiva, sob pena de bis in idem. 9. Embora os tipos penais sejam autônomos, só é possível a condenação concomitante pelos crimes de associação para o tráfico e organização criminosa, desde que as condutas tenham ocorrido em diferentes contextos fático e temporal, o que não é caso dos autos.Havendo, portanto, um conflito aparente de normas, não um concurso material de crimes, deve incidir, no caso em comento, a organização criminosa do art. 2º Lei nº 12.850/2.013, haja vista que, por ser mais amplo, compreende, na sua definição legal, a associação para o tráfico e outras possíveis formas de associação criminosa (CP, art. 288). 10. O regime fechado foi fixado corretamente, eis que o apelante é reincidente na prática delitiva. IV. DISPOSITIVO 11. Recurso interposto pela defesa parcialmente conhecido e, nesta extensão, desprovido. 12. Recurso interposto pelo Ministério Público desprovido. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, LVII; CPP, arts. 155 e 386, III e VI; Lei nº 11.343/2006, art. 35; Lei nº 12.850/2013, arts. 1º, §1º, e 2º, §2º.Jurisprudência relevante citada: TJPR, 4ª Câmara Criminal, Ap. Crim. nº 0000769-70.2023.8.16.0134, Rel. Des. Celso Jair Mainardi, j. 25.08.2025; TJPR, 4ª Câmara Criminal, Ap. Crim. nº 0002682-57.2023.8.16.0047, Rel. Des. Celso Jair Mainardi, j. 11.11.2024; STJ, AgRg no REsp nº 2.083.854/SP, Rel. Min. Jesuíno Rissato, 6ª Turma, j. 20.05.2024.