SELEÇÃO DE DECISÕES

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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0048083-55.2025.8.16.0000
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): leticia ferreira da silva
Órgão Julgador: 18ª Câmara Cível
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Wed Mar 18 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Thu Mar 19 00:00:00 BRT 2026

Ementa

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PRETENSO DIREITO A LIBERAÇÃO DE VALORES EM DINHEIRO E RECEBÍVEIS CONSTRITOS POR ORDEM JUDICIAL. PERDA DE INTERESSE RECURSAL NO QUE CONCERNE AO PEDIDO DE LIBERAÇÃO DE VALORES BLOQUEADOS POR MEIO DA MODALIDADE “TEIMOSINHA”. ANÁLISE PREJUDICADA. NO MAIS, MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ORDENS DE CONSTRIÇÕES JUDICIAIS PROFERIDAS EM EXECUÇÕES DE TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS QUE SE MOSTRARAM ADEQUADAS. CRÉDITO EXEQUENDO PROVENIENTES DE OPERAÇÕES DE ADIANTAMENTO A CONTRATO DE CÂMBIO. NATUREZA EXTRACONCURSAL DELES QUE NÃO OS SUBMETEM AOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. DESVIRTUAMENTO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO. NÃO COMPROVADA. ADEMAIS, DESVIRTUAMENTO EM QUESTÃO QUE NÃO TEM O CONDÃO DE RETIRAR O CARÁTER EXTRACONCURSAL DOS CRÉDITOS. RECUPERANDA NÃO PODE SE VALER DA PRÓPRIA TORPEZA PARA FRUSTRAR O PAGAMENTO DE VALORES POR ELA EFETIVAMENTE RECEBIDOS. POR FIM, PENHORA SOBRE VALORES EM DINHEIRO E RECEBÍVEIS QUE SE MOSTRA LEGITIMA. BENS QUE NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE “BENS DE CAPITAL” ESSENCIAIS. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame1. Agravo de Instrumento interposto por grupo empresarial em face de decisão que indeferiu o pedido de tutela de urgência, mantendo as ordens de bloqueio judicial de valores em contas bancárias e a penhora sobre recebíveis, em ações de execução de títulos executivos extrajudiciais. O agravante argumenta que os créditos em questão, oriundos de Adiantamentos de Contrato de Câmbio, deveriam se submeter aos efeitos da recuperação judicial, alegando desvirtuamento da natureza jurídica dos contratos.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se: i) os créditos em execução decorrentes de Adiantamentos a Contrato de Câmbio se submetem aos efeitos da recuperação judicial; ii) a manutenção da penhora sobre recebíveis e valores em dinheiro é válida, considerando a alegação de que tais bens são essenciais à atividade empresarial.III. Razões de decidir3. O pedido de liberação de valores constritos na modalidade “teimosinha” foi considerado prejudicado devido à superveniente perda de interesse recursal, uma vez que o juiz já havia determinado a liberação dos valores.4. Os créditos em execução decorrentes de Adiantamentos a Contrato de Câmbio não se submetem aos efeitos da recuperação judicial, conforme a Lei Federal nº 11.101/2005, que estabelece a sua extraconcursalidade.5. A alegação de desvirtuamento da natureza jurídica dos contratos de câmbio não foi comprovada, sendo necessária a produção de prova técnica que não é compatível com a via do agravo de instrumento.6. Ademais, ainda que houvesse o efetivo desvirtuamento da natureza das operações de adiantamento a contrato de câmbio, o beneficiado seria o grupo agravante, que estaria se valendo da própria torpeza para frustrar o pagamento dos valores efetivamente recebidos. 7. Os recebíveis e valores em dinheiro não se enquadram no conceito de “bens de capital” essenciais à manutenção da atividade empresarial, conforme a jurisprudência, permitindo a continuidade das constrições.IV. Dispositivo e tese8. Recurso desprovido, mantendo a decisão agravada.Tese de julgamento: Os créditos provenientes de Adiantamento de Contrato de Câmbio não se submetem aos efeitos da recuperação judicial, mantendo sua natureza extraconcursal, e a alegação de desvirtuamento desses contratos requer prova robusta que comprove simulação ou desvio de finalidade, sendo insuficiente a mera argumentação da parte interessada para alterar essa caracterização._________Dispositivos relevantes citados: CR/1988, art. 5º, XXXII; Lei nº 11.101/2005, arts. 49, § 4º, e 6º, § 3º; Lei nº 4.728/1965, art. 75, § 3º.Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 1.350.525/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, j. 20.06.2013; STJ, AgInt nos EDcl no REsp n. 2.071.949/SP, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, j. 12.08.2024; TJPR, Apelação Cível - 20455-69.2013.8.16.0014, Rel. Des. Jucimar Novochadlo, j. 04.08.2021; TJPR, AgInt nos EDcl no REsp n. 1.680.456/SE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, j. 30.08.2021; TJPR, AgInt no REsp n. 1.758.746/GO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, j. 25.09.2018.