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Processo:
0041237-48.2023.8.16.0014
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto anderson ricardo fogaca
Órgão Julgador: 5ª Câmara Cível
Comarca: Londrina
Data do Julgamento: Mon Dec 15 00:00:00 BRT 2025
Fonte/Data da Publicação:  Mon Dec 15 00:00:00 BRT 2025

Ementa

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÕES CÍVEIS. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. COBRANÇA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. CLÁUSULA PENAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CUMULAÇÃO. REAJUSTE CONTRATUAL. BIS IN IDEM. RECURSOS CONHECIDOS. UM DESPROVIDO. OUTRO PARCIALMENTE PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1.1 Ação de cobrança ajuizada em desfavor de empresa contratante de serviços de vigilância, com pedido de condenação ao pagamento de valores referentes a notas fiscais não quitadas, multa contratual e honorários contratuais. 1.2 Sentença julgou parcialmente procedente a demanda, reconhecendo a exigibilidade de parte das notas fiscais, fixando multa compensatória em valor inferior ao contratado e afastando a responsabilidade subsidiária da empresa pública contratante dos serviços principais. 1.3 Apelação da empresa contratada buscando afastar a condenação ao pagamento de notas fiscais e encargos acessórios. Apelação da autora da ação buscando a manutenção da cláusula penal no valor integral, o reconhecimento da responsabilidade subsidiária da empresa pública e a redução dos honorários advocatícios fixados em favor da SANEPAR. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1 Há três questões em discussão: (i) se houve pagamento das notas fiscais cobradas; (ii) se é devida a multa contratual na forma originalmente pactuada; (iii) se é cabível a responsabilização subsidiária da empresa pública contratante principal pelos encargos assumidos pela empresa inadimplente. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1 A apelante não demonstrou, de forma inequívoca, a quitação das notas fiscais, sendo insuficientes os comprovantes bancários desacompanhados de recibo ou concordância do credor. Aplicação dos arts. 373, II, 352 e 354 do Código Civil. 3.2 Demonstrada a prestação dos serviços referentes às faturas impugnadas, inclusive por prova testemunhal e documental. A rescisão contratual formal deu-se apenas em dezembro de 2022. 3.3 O reajuste aplicado seguiu previsão expressa na cláusula contratual e na convenção coletiva da categoria, com ciência e ausência de impugnação da contratante, configurando anuência tácita. Inexistência de nulidade. 3.4 A cláusula penal compensatória, fixada em 20% do contrato, foi pactuada por partes capazes e não restou demonstrado excesso ou cumprimento parcial da obrigação. Inexistindo pedido de redução pela parte contrária, a decisão que a modulou configurou julgamento ultra petita. Aplicação dos arts. 141, 413 e 492 do CPC e 389, 390 e 391 do Código Civil. 3.5 Ausente demonstração de culpa in eligendo ou in vigilando por parte da SANEPAR, bem como inexistência de vínculo jurídico entre a credora e a empresa pública. Aplicação do art. 77, § 1º, da Lei nº 13.303/2016. 3.6 A cumulação dos honorários contratuais com os sucumbenciais não configura bis in idem, por se tratar de verbas distintas e com fundamentos autônomos. Jurisprudência do STJ e do TJPR. 3.7 Fixação dos honorários sucumbenciais conforme critérios legais, sendo incabível sua redução por equidade quando ausente proveito econômico inestimável ou irrisório, nos termos do art. 85, § 8º, do CPC e da tese repetitiva do STJ (Tema 1.076). IV. DISPOSITIVO E TESE 4.1 Apelação cível da empresa contratada CONHECIDA e DESPROVIDA. Apelação cível da autora CONHECIDA e PARCIALMENTE PROVIDA, para restabelecer o valor integral da cláusula penal compensatória pactuada. 4.2 Tese de julgamento: "É válida a cláusula penal compensatória fixada em contrato firmado entre empresas plenamente capazes, não sendo admissível sua modulação de ofício, sem requerimento específico e sem comprovação de cumprimento parcial da obrigação ou manifesta excessividade. A cumulação de honorários contratuais e sucumbenciais é permitida, por se tratar de verbas distintas. Inexiste responsabilidade subsidiária de empresa pública por encargos decorrentes de contrato firmado entre terceiros, quando ausente culpa na escolha ou fiscalização da contratada." Dispositivos relevantes citados: Código Civil, arts. 352, 354, 389, 390, 391, 404, 413; Código de Processo Civil, arts. 85, §§ 2º, 8º e 11, 141, 373, II, 492; Lei nº 13.303/2016, art. 77, § 1º. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.644.890/PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 17/11/2020; TJPR, Apelação Cível 0024618-89.2019.8.16.0044, Rel. Des. Fabio André Santos Muniz, j. 23/02/2022; TJPR, Apelação Cível 0000240-11.2021.8.16.0170, Rel. Des. Dilmari Helena Kessler, j. 04/12/2023; TJPR, Apelação Cível 0001570-29.2021.8.16.0110, Rel. Des. Alexandre Barbosa Fabiani, j. 14/09/2023; TJPR, Recurso 0007642-02.2022.8.16.0044, Rel. Juíza Gisele Lara Ribeiro, j. 28/03/2025.