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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0005564-33.2023.8.16.0098
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Roberto Portugal Bacellar
Desembargador
Órgão Julgador: 9ª Câmara Cível
Comarca: Jacarezinho
Data do Julgamento: Mon Dec 01 00:00:00 BRT 2025
Fonte/Data da Publicação:  Wed Dec 17 00:00:00 BRT 2025

Ementa

DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO C/C RESTITUIÇÃO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. DESCONTO EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA EM CONTRARRAZÕES – DEFERIMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA – AUSÊNCIA DE INTERESSE. PRESCRIÇÃO NÃO EVIDENCIADA – PRAZO QUINQUENAL QUE INICIA A PARTIR DA ÚLTIMA PARCELA –ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DESTA CÂMARA. JUNTADA, EM SEDE RECURSAL, PELO APELANTE, DE NOVOS DOCUMENTOS – NÃO ADMISSÃO – AUSÊNCIA DE JUSTO MOTIVO PARA SUA JUNTADA NESTE MOMENTO – ART. 435 DO CPC. RELAÇÃO JURÍDICA NÃO DEMONSTRADA – APELANTE QUE SE LIMITOU A APRESENTAR TELAS SISTÊMICAS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO SIMPLES NOS DESCONTOS EFETUADOS ATÉ 30.03.2021 E NA FORMA DOBRADA, NAQUELES REALIZADOS APÓS ESTA DATA, CONSOANTE JULGAMENTO DO EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA Nº 676.608/RS PELO STJ. DANOS MORAIS IN RE IPSA CONFIGURADOS. REDUÇÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO DESCABIDA. FIXAÇÃO EM R$ 8.000,00 (OITO MIL REAIS) QUE SE MOSTROU ADEQUADO FRENTE ÀS PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. MONTANTE QUE ESTÁ DE ACORDO COM OS PARÂMETROS ADOTADOS POR ESTA CÂMARA CÍVEL EM CASOS SEMELHANTES. PLEITO DE COMPENSAÇÃO DE VALORES – IMPOSSIBILIDADE NO CASO – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA DE VALOR AO AUTOR. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO DO RÉU AO PAGAMENTO DOS ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. APELAÇÃO CONHECIDA EM PARTE E PARCIALMENTE PROVIDA. ALTERAÇÃO, DE OFÍCIO, DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS DAS CONDENAÇÕES.I. CASO EM EXAME1. Apelação cível interposta contra sentença que julgou procedentes os pedidos na ação para declarar a inexistência da contratação e condenar o réu à restituição dobrada dos indébitos e ao pagamento de R$ 8.000,00 à título de danos morais, em razão de descontos indevidos realizados sem autorização do apelado em seu benefício previdenciário. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO2. Questão em discussão consiste em saber se a contratação de empréstimo consignado com descontos em benefício previdenciário sem autorização do autor foi demonstrada nos autos, e se a instituição financeira deve ser condenada ao pagamento de indenização por danos morais e à restituição dobrada dos valores descontados indevidamente. Também restou controvertido a ocorrência de prescrição, pelo prazo trienal, dos referidos débitos.III. RAZÕES DE DECIDIR3. Aplica-se o prazo prescricional quinquenal, previsto no art. 27, do Código de Defesa do Consumidor, em caso de repetição de indébito decorrente de descontos indevidos em benefício previdenciário, tendo como marco inicial a data do vencimento da última parcela, conforme entendimento do STJ.4. Inovação recursal configurada pela apresentação de documento inédito em sede recursal, não trazido antes da prolação da sentença, bem como não se enquadrando como prova nova, estando, portanto, em descompasso com o art. 435 do CPC. 5. O apelante não apresentou documentos que demonstrassem a existência da contratação do empréstimo consignado e justificasse os descontos realizados, uma vez que se limitou a juntar telas sistêmicas desacompanhadas de outros elementos que corroborassem seus argumentos.6. A restituição dos valores cobrados indevidamente deve ser feita de forma simples para descontos anteriores a 30/03/2021, eis que não houve demonstração de má-fé e em dobro para os posteriores, conforme entendimento do STJ.7. Tendo em vista o entendimento consolidado deste Tribunal, o dano moral em casos de descontos indevidos em benefício previdenciário tem natureza in re ipsa, sendo que o valor fixado na sentença de R$ 8.000,00 (oito mil reais) atendeu ao dúplice critério reparador e pedagógico.8. Alteração, de ofício, dos consectários legais das condenações.IV. DISPOSITIVO9. Apelação conhecida parcialmente e provida em parte, reformando-se parcialmente a sentença para incluir o dever de repetição simples do indébito dos descontos realizados antes de 30/03/2021. Alteração, de ofício, dos consectários legais das condenações.Tese de julgamento: os descontos realizados em benefício previdenciário, caso não haja demonstração de relação jurídica, ensejam o dever de restituição do indébito e condenação por danos morais in re ipsa, não servindo a mera juntada de telas sistêmicas como prova da relação jurídica.