SELEÇÃO DE DECISÕES

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Processo:
0001723-21.2023.8.16.0004
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto everton luiz penter correa
Órgão Julgador: 1ª Câmara Cível
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Tue May 05 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Tue May 12 00:00:00 BRT 2026

Ementa

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. RECURSO DO MUNICÍPIO RÉU (1). PROGRAMA CURITIBA TECNOLÓGICA. ANULAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE DEVOLUÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. ART. 8º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 39/2001 QUE EXIGE A DEMONSTRAÇÃO DE DOLO OU MÁ-FÉ DO CONTRIBUINTE. DECRETO Nº 646/2011 QUE SUPRIME TAL REQUISITO LEGAL. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ATO INFRALEGAL QUE EXTRAPOLA FUNÇÃO REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO NAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. RECURSO DA PARTE AUTORA (2). HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ADOÇÃO DO PROVEITO ECONÔMICO COMO BASE DE CÁLCULO. INTELIGÊNCIA DO ART. 85, §2º, DO CPC. TEMA 1.076/STJ. PROVEITO ECONÔMICO MENSURÁVEL, CORRESPONDENTE AO VALOR DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANULADOS. NECESSIDADE DE ATUALIZAÇÃO SEGUNDO OS MESMOS PARÂMETROS UTILIZADOS PELO FISCO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. PRETENSÃO DE ARBITRAMENTO DA VERBA HONORÁRIA POR ESCALONAMENTO, NOS TERMOS DOS §§ 3° E 5°, DO ART. 85, DO CPC. MATÉRIA SUBMETIDA A REEXAME NECESSÁRIO. CABIMENTO DE NOVO ARBITRAMENTO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, OBSERVADO O ESCALONAMENTO. PRETENSÃO DA APELANTE QUE RESTA PREJUDICADA. RECURSO DO MUNICÍPIO RÉU (1) NÃO PROVIDO. RECURSO DA PARTE AUTORA PARCIALMENTE PROVIDO (2). SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA EM SEDE DE REEXAME NECESSÁRIO, REALIZADO DE OFÍCIO. I. Caso em exame1. Apelação cível interposta contra sentença que declarou a nulidade dos autos de infração nº 284.132 e nº 284.135, aplicados ao Hospital das Nações Ltda. pelo Município de Curitiba, em razão de suposta utilização indevida de incentivos fiscais do Programa Curitiba Tecnológica, com a condenação do réu ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se é válida a anulação dos autos de infração e a fixação dos honorários advocatícios com base no proveito econômico obtido, considerando a ausência de comprovação de dolo ou má-fé por parte do contribuinte e a necessidade de atualização dos honorários segundo os parâmetros utilizados pelo fisco para a cobrança do tributo.III. Razões de decidir3. O art. 32 do Decreto nº 646/2011 extrapolou os limites da função regulamentar ao suprimir a exigência de demonstração de dolo ou má-fé, prevista no art. 8º da Lei Complementar nº 39/2001.4. Não houve comprovação de dolo ou má-fé nas decisões administrativas, limitando-se a identificar incorreções nas notas fiscais apresentadas.5. Os honorários advocatícios devem ser calculados sobre o proveito econômico obtido, que corresponde ao valor dos créditos tributários anulados, atualizado segundo os mesmos parâmetros utilizados pelo fisco.6. A fixação dos honorários deve observar os percentuais escalonados previstos no art. 85, §3º do CPC, devido ao valor dos créditos tributários anulados ser superior a 200 salários-mínimos.IV. Dispositivo e tese7. Recurso do Município não provido; recurso da parte autora parcialmente provido, reformando-se a sentença para determinar o cálculo dos honorários advocatícios sobre o proveito econômico obtido e fixando-os em 10% e 8%.Tese de julgamento: A nulidade de autos de infração lavrados pela Fazenda Pública Municipal, com base em descumprimento de requisitos de programa de incentivo fiscal, exige a demonstração de dolo ou má-fé por parte do contribuinte, conforme previsto na legislação aplicável, sendo inválido ato infralegal que suprima tal exigência._________Dispositivos relevantes citados: LC nº 39/2001, art. 8º; Decreto nº 646/2011, arts. 32 e 8º; CPC/2015, arts. 85, § 2º, e 85, §§ 3º e 5º.Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 584.798/PE, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, j. 04.11.2004; TJPR, ACR n° 1597722-7, Rel. Desembargadora Angela Maria Machado Costa, 2ª Câmara Cível, j. 09.05.2017; TJPR, 0000877-47.2012.8.16.0179, Rel. Desembargador Roberto Antonio Massaro, 1ª Câmara Cível, j. 09.06.2025; TJPR, 0009245-02.2018.8.16.0190/1, Rel. Desembargador Guilherme Luiz Gomes, 1ª Câmara Cível, j. 19.07.2023; TJPR, 0051331-34.2022.8.16.0000, Rel. Desembargador Salvatore Antonio Astuti, 1ª Câmara Cível, j. 07.02.2023; Súmula nº 17/STJ.