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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0010453-04.2024.8.16.0160
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Priscilla Placha Sá
Desembargadora
Órgão Julgador: 2ª Câmara Criminal
Comarca: Sarandi
Data do Julgamento: Wed Jan 28 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Thu Jan 29 00:00:00 BRT 2026

Ementa

APELAÇÃO CRIME. ARTIGO 331, DO CÓDIGO PENAL. SENTENÇA CONDENATÓRIA. RECURSO DA DEFESA. PLEITO ABSOLUTÓRIO POR AUSÊNCIA DE DOLO E APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO. IMPOSSIBILIDADE. TIPICIDADE E AUTORIA DELITIVA COMPROVADAS. APELANTE QUE PROFERIU OFENSAS E XINGAMENTOS A POLICIAIS MILITARES NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO. DOLO DEMONSTRADO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. 2) PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO POR LEGÍTIMA DEFESA E ESTADO DE NECESSIDADE. NÃO ACOLHIMENTO. NÃO DEMONSTRADOS OS REQUISITOS PARA TANTO. OFENSAS E AMEAÇAS IRROGADAS COM O MANIFESTO PROPÓSITO DE MENOSPREZAR A FUNÇÃO PÚBLICA EXERCIDA PELOS AGENTES POLICIAIS. CONDENAÇÃO MANTIDA. 3) HONORÁRIOS ADVOCATICIOS DATIVOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I. Caso em exame1. Apelação criminal interposta contra sentença que condenou o réu pela prática do delito de desacato, previsto no artigo 331 do Código Penal, à pena de seis meses de detenção em regime semiaberto, em razão de ofensas e agressões proferidas contra policiais militares no exercício de suas funções. O apelante requer a absolvição por ausência de dolo e a aplicação do princípio in dubio pro reo, bem como o reconhecimento da legítima defesa ou estado de necessidade.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se a condenação por desacato a policiais militares deve ser mantida, considerando a alegação de ausência de dolo e a possibilidade de legítima defesa ou estado de necessidade.III. Razões de decidir3. A tipicidade e a autoria delitiva foram comprovadas, com o apelante proferindo ofensas e xingamentos a policiais militares no exercício da função.4. O dolo foi demonstrado, afastando a alegação de ausência de intenção de ofender os agentes públicos.5. Não foram apresentados elementos que comprovassem a legítima defesa ou estado de necessidade, pois não houve agressão injusta ou iminente contra o réu.6. As provas testemunhais e documentais corroboram a versão dos policiais, que relataram a resistência do réu à abordagem e as ofensas proferidas.7. Os honorários advocatícios foram fixados em favor do defensor dativo.IV. Dispositivo e tese8. Apelação conhecida e desprovida.Tese de julgamento: O crime de desacato, previsto no artigo 331 do Código Penal, se configura com a proferição de ofensas ou palavras grosseiras dirigidas a funcionários públicos no exercício de suas funções, independentemente da necessidade de que o agente público se sinta ofendido._________Dispositivos relevantes citados: CP, arts. 25, 24, e 331; Lei nº 11.340/2006, art. 17-A; Lei Estadual nº 18.664/2015.Jurisprudência relevante citada: STF, HC 141949/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, 2ª Turma, j. 13.03.2018; STJ, HC 379.269/MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, j. 24.05.2017; TJPR, 2ª C.Criminal, 0006817-55.2022.8.16.0045, Rel. Desembargadora Priscilla Placha Sá, j. 17.03.2025; TJPR, 2ª C.Criminal, 0005179-06.2019.8.16.0105, Rel. Desembargador José Mauricio Pinto De Almeida, j. 06.12.2023; Súmula nº 705/STF.Resumo em linguagem acessível: O Tribunal decidiu que o réu foi corretamente condenado por desacato a policiais militares, pois ficou provado que ele ofendeu e agrediu os agentes durante uma abordagem. A defesa pediu a absolvição, alegando que não havia intenção de ofender e que ele estava se defendendo de agressões, mas o Tribunal entendeu que as provas mostraram que ele agiu com dolo, ou seja, com a intenção de menosprezar os policiais. Além disso, não foram comprovados os requisitos para alegar legítima defesa ou estado de necessidade. Por isso, a condenação foi mantida e os honorários do advogado dativo foram fixados.