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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0008955-06.2024.8.16.0148
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Priscilla Placha Sá
Desembargadora
Órgão Julgador: 2ª Câmara Criminal
Comarca: Rolândia
Data do Julgamento: Thu Nov 06 00:00:00 BRT 2025
Fonte/Data da Publicação:  Fri Nov 07 00:00:00 BRT 2025

Ementa

APELAÇÃO CRIME. CONDENAÇÃO PELOS DELITOS DE RECEPTAÇÃO DE ANIMAL (ART. 180-A, CP) E ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR (ART. 311, §2º, INCISO III, CP). RECURSO DA DEFESA. 1) PLEITO DE ABSOLVIÇÃO EM RELAÇÃO A AMBOS OS DELITOS. IMPOSSIBILIDADE. AUTORIA E MATERIALIDADE DEMONSTRADAS. CONDENAÇÃO MANTIDA. 2) PLEITO DE FIXAÇÃO DA PENA NO MÍNIMO LEGAL. NÃO ACOLHIMENTO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE UMA DAS CONDENAÇÕES PARA O FIM DE ELEVAR A PENA-BASE POR MAUS ANTECEDENTES E DE OUTRA PARA MOTIVAR A AGRAVANTE DA REINCIDÊNCIA. ADEMAIS, JUÍZO DE ORIGEM QUE JÁ RECONHECEU E APLICOU A ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA, COMPENSANDO-A INTEGRALMENTE COM A AGRAVANTE DA REINCIDÊNCIA. 3) PLEITO DE ALTERAÇÃO DO REGIME INICIAL E SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. IMPOSSIBILIDADE. RÉU QUE POSSUI MAUS ANTECEDENTES E É REINCIDENTE ESPECÍFICO. PENA DEFINITIVA SUPERIOR A QUATRO ANOS. 4) ALTERAÇÃO, EX OFFICIO, DA PENA DE MULTA, A FIM DE GUARDAR PROPORCIONALIDADE COM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. 5) PEDIDO DE APLICAÇÃO DA DETRAÇÃO PENAL NÃO ACOLHIDO. SUBTRAÇÃO DO TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA QUE NÃO TERIA O CONDÃO DE ALTERAR O REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA. APLICAÇÃO DA DETRAÇÃO QUE DEVE SER REALIZADA PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO. 6) PLEITO DE RESTITUIÇÃO DO CAMINHÃO. IMPOSSIBILIDADE. VEÍCULO UTILIZADO COMO INSTRUMENTO DA PRÁTICA CRIMINOSA, TANTO NO TRANSPORTE DE SEMOVENTES FURTADOS QUANTO NA CONDUÇÃO COM SINAL IDENTIFICADOR ADULTERADO. HIPÓTESE LEGAL DE PERDIMENTO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.I. Caso em exame1. Apelação criminal visando a reforma da sentença que condenou o réu pela prática dos crimes de receptação de animal e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, com pena de 6 anos, 1 mês e 22 dias de reclusão e 115 dias-multa, em regime inicial fechado. O réu alega falta de provas quanto à autoria e dolo, pleiteia a absolvição, a fixação da pena no mínimo legal, a alteração do regime inicial e a restituição do caminhão apreendido, utilizado na prática criminosa.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se a condenação por receptação de animal e adulteração de sinal identificador de veículo automotor deve ser mantida, considerando os pedidos de absolvição, redução da pena, alteração do regime inicial, detração penal e restituição do caminhão utilizado na prática criminosa.III. Razões de decidir3. A materialidade e autoria dos delitos de receptação de animal e adulteração de sinal identificador de veículo estão comprovadas por provas documentais e testemunhais.4. O réu transportava gado sem documentação e utilizava placa adulterada, indicando ciência da ilicitude.5. A pena-base foi fixada acima do mínimo legal devido aos maus antecedentes e reincidência do réu.6. O regime inicial fechado é obrigatório para réu reincidente com pena superior a quatro anos.7. A restituição do caminhão foi negada, pois foi utilizado como instrumento da prática criminosa, configurando hipótese de perdimento.IV. Dispositivo e tese8. Apelação conhecida e desprovida, com alteração, ex officio, da pena de multa, a fim de guardar proporcionalidade com a pena privativa de liberdade.Tese de julgamento: A condenação por receptação de animal e adulteração de sinal identificador de veículo automotor é válida quando há comprovação da autoria e materialidade dos delitos, sendo suficiente a demonstração de que o réu tinha ciência ou deveria saber da origem ilícita dos bens envolvidos, não sendo possível a absolvição por alegação de desconhecimento da ilicitude, especialmente em casos de reincidência e maus antecedentes._________Dispositivos relevantes citados: CP, arts. 180-A e 311, § 2º, III; CPP, art. 42; Lei nº 13.330/2016; Lei nº 14.562/2023.Jurisprudência relevante citada: TJPR, AgRg no HC 526.085/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j. 03.12.2019; TJPR, AgRg no HC 460.900/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 23.10.2018; TJPR, 2ª C.Criminal, 0009744-49.2017.8.16.0148, Rel. Desembargador Laertes Ferreira Gomes, j. 04.07.2019; TJPR, 2ª C.Criminal, 0001207-39.2018.8.16.0048, Rel. Desembargador Mario Helton Jorge, j. 13.10.2021; Súmula nº 241/STJ.Resumo em linguagem acessível: O tribunal decidiu que o réu foi condenado por receptação de gado furtado e por usar um caminhão com placa adulterada. O pedido de absolvição foi negado porque as provas mostraram que ele sabia que o gado era roubado e que o caminhão estava com a placa falsa para evitar multas. A pena foi mantida em 6 anos e 1 mês de prisão, em regime fechado, e a multa foi ajustada para 23 dias-multa, pois o valor anterior não era proporcional à pena de prisão. O pedido para trocar a pena por penas mais leves e para devolver o caminhão foi negado, já que o veículo foi usado para cometer crimes. Assim, o recurso do réu foi conhecido, mas não aceito.