SELEÇÃO DE DECISÕES

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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0004600-15.2025.8.16.0019
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Jorge de Oliveira Vargas
Desembargador
Órgão Julgador: 3ª Câmara Cível
Comarca: Ponta Grossa
Data do Julgamento: Mon May 11 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Wed May 13 00:00:00 BRT 2026

Ementa

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. AFASTAMENTO DE PROFESSOR PSS. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO REGULAR. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE CARGOS POR MILITARES REFORMADOS. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 101/2019. TRATAMENTO DESIGUAL ENTRE SERVIDORES. RECURSO PROVIDO PARA ANULAR O ATO DE AFASTAMENTO E AUTORIZAR A CUMULAÇÃO DE CARGOS. RECURSO PROVIDOI. Caso em exame1. Apelação interposta contra sentença que denegou segurança em mandado de segurança, fundamentada na regularidade do afastamento do impetrante do cargo de professor PSS e na impossibilidade de cumulação de cargos de professor e militar reformado. O apelante alegou violação do direito ao contraditório e ampla defesa, bem como a possibilidade de cumulação de cargos, amparada pela Emenda Constitucional nº 101/19 e legislação estadual.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se é possível a cumulação de cargos de professor com o de militar reformado, considerando a ausência de processo administrativo prévio que justificasse o afastamento do apelante das atividades docentes.III. Razões de decidir3. O afastamento do apelante ocorreu sem a prévia instauração de processo administrativo, violando os princípios do contraditório e da ampla defesa.4. A Emenda Constitucional nº 101/19 permite a acumulação de cargos por militares reformados, desde que haja compatibilidade de horários.5. O apelante, sendo militar reformado, pode acumular o cargo de professor com seus proventos de inatividade, independentemente da natureza da atividade.6. Houve tratamento desigual em relação a outro militar inativo que estava atuando como professor, configurando violação ao princípio da isonomia.IV. Dispositivo e tese7. Apelação provida para autorizar a cumulação de cargos pretendida pelo recorrente.Tese de julgamento: APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. AFASTAMENTO DE PROFESSOR PSS. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO REGULAR. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE CARGOS POR MILITARES REFORMADOS. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 101/2019. TRATAMENTO DESIGUAL ENTRE SERVIDORES. RECURSO PROVIDO PARA ANULAR O ATO DE AFASTAMENTO E AUTORIZAR A CUMULAÇÃO DE CARGOS_________Dispositivos relevantes citados: APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. AFASTAMENTO DE PROFESSOR PSS. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO REGULAR. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE CARGOS POR MILITAR REFORMADO. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. RECURSO PROVIDO. CR/1988, arts. 5º, LV, 37, XVI, e 42, § 3º; L. nº 6.174/1970, art. 273.Jurisprudência relevante citada: APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. AFASTAMENTO DE PROFESSOR PSS. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO REGULAR. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE CARGOS POR MILITAR REFORMADO. DIREITO À ACUMULAÇÃO GARANTIDO PELA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 101/2019. TRATAMENTO DESIGUAL EM RELAÇÃO A OUTRO MILITAR INATIVO. RECURSO PROVIDO. STJ, AgRg no HC 462.030, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j. 05.03.2020; STJ, REsp 1.853.401, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, j. 25.08.2020; TJPR, 2ª Câmara Cível, 0001139-09.2023.8.16.0115, Rel. Substituto Carlos Maurício Ferreira, j. 09.06.2025; TJPR, 4ª Câmara Cível, 0005954-27.2024.8.16.0014, Rel. Desembargadora Astrid Maranhão de Carvalho Ruthes, j. 09.09.2024.Resumo em linguagem acessível: O tribunal decidiu que o apelante, que é um professor e também um militar reformado, pode acumular os dois cargos, pois a forma como ele foi afastado das aulas não seguiu as regras corretas, que garantem o direito de defesa. Além disso, a nova lei permite que militares reformados acumulem cargos, desde que haja compatibilidade de horários, o que não foi contestado. O tribunal também notou que outro militar na mesma situação estava atuando como professor, o que mostra que houve tratamento desigual. Portanto, o recurso foi aceito, e o apelante poderá continuar trabalhando como professor.