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Processo:
0017003-84.2023.8.16.0019
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Priscilla Placha Sá
Desembargadora
Órgão Julgador: 2ª Câmara Criminal
Comarca: Ponta Grossa
Data do Julgamento: Wed Jan 28 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Thu Jan 29 00:00:00 BRT 2026

Ementa

APELAÇÃO CRIMINAL. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. PROCEDÊNCIA. ARTS. 139 E 140, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. 1. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DO APELANTE POR OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. LAPSO TEMPORAL INSUFICIENTE PARA ENSEJAR A PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. 2. PLEITO ABSOLUTÓRIO. ACOLHIMENTO. DEPOIMENTO PRESTADO PERANTE A PROMOTORIA DE JUSTIÇA. ATIPICIDADE DA CONDUTA PRATICADA, A DESPEITO DE EVENTUAL REPROVABILIDADE. 3. CONDENAÇÃO DA RECORRIDA AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. I. Caso em exame 1. Apelação criminal interposta contra sentença que condenou o apelante pela prática dos delitos de injúria e difamação, com base em declarações feitas ao Ministério Público, nas quais foram imputadas ofensas à honra da querelante, relacionadas a questões familiares e financeiras. O apelante requereu a sua absolvição, alegando insuficiência de provas e atipicidade da conduta. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se as condutas atribuídas ao apelante configuram os crimes de injúria e difamação, ou se deve ser absolvido por atipicidade da conduta, considerando a alegação de ausência de dolo específico. III. Razões de decidir 3. A prescrição da pretensão punitiva não pode ser reconhecida, pois não houve transcurso de prazo suficiente para tanto entre os marcos interruptivos da prescrição. 4. As declarações do Apelante foram feitas em contexto de investigação pelo Ministério Público, o que demonstra a ausência de animus injuriandi ou difamandi nas condutas descritas na queixa-crime e atrai a absolvição do Apelante. 5. Considerando a reforma da sentença condenatória e a natureza da ação (penal privada), a Recorrida foi condenada ao pagamento de honorários sucumbenciais. IV. Dispositivo e tese 6. Apelação conhecida e provida. Tese de julgamento: A ausência de dolo específico na conduta do réu, ao prestar esclarecimentos em procedimento administrativo do Ministério Público, caracteriza a atipicidade dos crimes de injúria e difamação, resultando na absolvição do acusado. _________ Dispositivos relevantes citados: CP, arts. 139 e 140; CPP, arts. 3º, 110, § 1º, 117 e 386, III. Jurisprudência relevante citada: TJPR, 2ª C. Criminal, 0000979-48.2017.8.16.0097, Rel. Juiz de Direito Substituto em Segundo Grau Mauro Bley Pereira Junior, j. 07.02.2022; TJPR, 2ª C. Criminal, 0007821-86.2017.8.16.0083, Rel. Desembargador Mario Helton Jorge, j. 14.12.2021; TJPR, 2ª C. Criminal, 0007714-64.2018.8.16.0129, Rel. Desembargador Luis Carlos Xavier, j. 20.09.2021; STF, ARE 708233 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 15.10.2013; Súmula 438/STJ. Resumo em linguagem acessível: O Tribunal decidiu absolver Claudirlei da Luz Silva das acusações de injúria e difamação, que eram baseadas em declarações feitas por ele ao Ministério Público sobre sua irmã. O juiz entendeu que, ao falar sobre a situação familiar, Claudirlei não teve a intenção de ofender ou difamar sua irmã, mas apenas estava explicando sua versão dos fatos. Como não ficou provado que ele tinha a intenção de difamar e injuriar, a conduta foi considerada atípica e, por isso, ele foi absolvido. Além disso, a parte que perdeu o processo foi condenada a pagar os honorários do advogado de Claudirlei e as custas do processo.