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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0002750-65.2024.8.16.0081
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Francisco Eduardo Gonzaga de Oliveira
Desembargador
Órgão Julgador: 14ª Câmara Cível
Comarca: Faxinal
Data do Julgamento: Wed May 06 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Thu May 07 00:00:00 BRT 2026

Ementa

Ementa: DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO (RMC). CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO RECURSAL. ALEGAÇÃO DE VÍCIO DE CONSENTIMENTO. INFORMAÇÃO CLARA E SUFICIENTE SOBRE A MODALIDADE CONTRATADA. DOCUMENTAÇÃO CONTRATUAL ASSINADA. AUTORIZAÇÃO PARA DESCONTO EM FOLHA. SAQUES E COMPRAS REALIZADOS COM O CARTÃO. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E INDENIZAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, NÃO PROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta contra sentença que julgou improcedentes os pedidos formulados em Ação declaratória de nulidade contratual c/c repetição do indébito em dobro c/c indenização por danos morais com pedido de tutela de urgência inaudita altera pars, fundada em alegada ausência de informação adequada acerca da contratação de cartão de crédito consignado.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO2. Há três questões em discussão: (i) determinar se comporta conhecimento a alegação de falsidade da assinatura eletrônica; (ii) verificar a existência de vício de consentimento na contratação de cartão de crédito consignado, em razão de suposta falta de informações claras e adequadas ao consumidor; (iii) estabelecer a possibilidade de restituição dos valores descontados e indenização por danos morais.III. RAZÕES DE DECIDIR3. Deixa-se de conhecer a tese de falsidade da assinatura eletrônica do contrato (biometria facial), por configurar inovação recursal e supressão de instância.4. A contratação de cartão de crédito consignado, inclusive para operações de saque, é admitida pelo ordenamento jurídico, desde que haja autorização expressa do beneficiário, nos termos da Lei nº 10.820/2003 e da regulamentação do INSS.4. O conjunto probatório – contrato assinado com biometria facial, geolocalização e comprovante de saque e uso do cartão – evidencia a regularidade da contratação, afastando a alegação genérica de fraude.5. No caso concreto, os documentos apresentados demonstram que a parte autora foi devidamente informada acerca da natureza da operação, taxas de juros, custo efetivo total, forma de pagamento e descontos incidentes em folha, não se verificando vício de consentimento.6. A comprovação de saques e de utilização do cartão para compras reforça a ciência e a concordância da autora com os termos contratuais.7. Reconhecida a validade do contrato e a legitimidade dos descontos, inexiste ato ilícito que justifique a restituição de valores e a indenização por danos morais postuladas na inicial.IV. DISPOSITIVO 8. Recurso parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido._______Dispositivos relevantes citados: CDC, arts. 6º, III, 14, § 3º, I e II; Lei 10.820/2003, arts. 1º e 6º; CPC, art. 85, § 11, 98, § 3º. Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula 297; TJPR, 14ª Câmara Cível, AC nº 0010280-55.2023.8.16.0017, Rel. Des. Iraja Pigatto Ribeiro, j. 26.05.2025; TJPR, 15ª Câmara Cível, AC nº 0045662-97.2023.8.16.0021, Rel. Des. Jucimar Novochadlo, j. 31.05.2025.