SELEÇÃO DE DECISÕES

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Processo:
0125672-26.2025.8.16.0000
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Rogerio Ribas
Desembargador
Órgão Julgador: 9ª Câmara Cível
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Sun May 10 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon May 11 00:00:00 BRT 2026

Ementa

Ementa: AGRAVO INTERNO. PLANO DE SAÚDE. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA. COPARTICIPAÇÃO. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONCEDEU EFEITO SUSPENSIVO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. INSURGÊNCIA DO BENEFICIÁRIO. CLÁUSULA CONTRATUAL EXPRESSA. ART. 16, VIII, DA LEI Nº 9.656/1998. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE APARENTE. INEXISTÊNCIA DE FATOR RESTRITIVO SEVERO AO ACESSO AO TRATAMENTO. ELEVAÇÃO DO CUSTO DECORRENTE DA FREQUÊNCIA DAS SESSÕES, E NÃO DE ILICITUDE CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE PROBABILIDADE DO DIREITO. PRESENÇA DO PERIGO DE DANO EM RAZÃO DA MULTA DIÁRIA E DO RISCO DE IMPOSIÇÃO DE CUSTEIO NÃO PREVISTO NO CONTRATO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que concedeu efeito suspensivo a agravo de instrumento manejado por operadora de plano de saúde. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em: i) saber se a cláusula de coparticipação prevista em contrato de plano de saúde apresenta abusividade aparente; e ii) saber se estão presentes os requisitos do art. 300 do CPC para afastar a coparticipação em sede de tutela de urgência. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. coparticipação é expressamente autorizada pelo art. 16, VIII, da Lei nº 9.656/1998, desde que clara e previamente pactuada. 3.2. A Resolução CONSU nº 8/1998 veda apenas a coparticipação que caracterize financiamento integral do procedimento ou fator restritivo severo ao acesso aos serviços. 3.3. No caso, a cláusula contratual prevê percentual de 25% por procedimento, com limitação de valor por sessão, sem restrição do número de atendimentos. 3.4. Os valores cobrados por sessão não se mostram, em análise sumária, excessivos ou desproporcionais, tampouco impedem o acesso ao tratamento. 3.5. A elevação do custo mensal decorre da frequência das sessões, e não de ilicitude contratual. 3.6. Ausente a probabilidade do direito, não se justifica a manutenção da tutela que afastou a coparticipação. 3.7. O perigo de dano está presente na imposição de multa diária elevada e na obrigação de custeio não prevista contratualmente. 3.8. Mantém-se, portanto, a decisão monocrática que concedeu efeito suspensivo ao agravo de instrumento. IV. DISPOSITIVO 4. Agravo interno não provido.