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Processo:
0001308-34.2025.8.16.0112
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Fernando Paulino da Silva Wolff Filho
Desembargador
Órgão Julgador: 6ª Câmara Cível
Comarca: Marechal Cândido Rondon
Data do Julgamento: Mon Mar 23 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Thu Mar 26 00:00:00 BRT 2026

Ementa

EMENTA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SENTENÇA DE EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. CONDENAÇÃO NA ORIGEM POR ATO ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA JUSTIÇA (ART. 77, CPC). VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. HIPÓTESE LEGAL INCOMPATÍVEL COM A CONDUTA DESCRITA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA RECONHECIDA DE OFÍCIO. REQUAILIFICAÇÃO DA CONDUTA PARA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ (ART. 80, CPC). ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS E PROCEDER TEMERÁRIO. OMISSÃO SOBRE A EXISTÊNCIA DE DEMANDA ANTERIOR. IMPOSIÇÃO DE MULTA. RECURSO PREJUDICADO. I. CASO EM EXAME 1.1. Apelação cível interposta contra sentença que extinguiu o feito sem resolução de mérito, ante o reconhecimento da coisa julgada, e condenou o autor ao pagamento de multa por ato atentatório à dignidade da justiça. 1.2. O autor busca o afastamento da penalidade, sob a alegação de que a ação foi proposta com base em novos documentos médicos e que a procuradora desconhecia a existência de demanda anterior. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) nulidade da sentença por vício de fundamentação na aplicação da multa por ato atentatório à dignidade da justiça; e (ii) configuração da litigância de má-fé e a aplicação da respectiva penalidade. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. A sentença aplicou a multa prevista no art. 77, § 2º, do CPC, com fundamento no inciso VI (inovação ilegal no estado de fato), hipótese que, a rigor, não guarda relação com a conduta imputada ao autor (omissão sobre a existência de ação anterior), o que configura vício de fundamentação (CF, art. 93, IX; CPC, art. 489, § 1º, I) e impõe a anulação parcial da decisão de ofício. 3.2. Por outro lado, verifica-se que o autor alterou a verdade dos fatos e procedeu de modo temerário (CPC, art. 80, II e V) ao declarar expressamente a inexistência de ação anterior idêntica, razão pela qual é cabível a imposição de multa por litigância de má-fé. 3.3. A alegação de desconhecimento da demanda prévia pela advogada não afasta a responsabilidade processual, pois a ausência de consulta básica ao sistema processual configura, no mínimo, culpa grave, incompatível com os deveres de lealdade e boa-fé processual. 3.4. Diante da configuração da má-fé, condena-se o autor ao pagamento de multa fixada em 2% sobre o valor atualizado da causa, montante adequado às peculiaridades do caso (CPC, art. 81, § 1º). IV. DISPOSITIVO 4.1. Sentença parcialmente anulada de ofício. 4.2 Recurso prejudicado. _________Dispositivos relevantes citados: CF, art. 93, IX; CPC, arts. 5º, 77, I, IV, VI e § 2º, 80, II e V, 81, § 1º; 489, § 1º, I.Jurisprudência relevante citada: TJPR - 6ª Câmara Cível - 0024846-89.2025.8.16.0000 - Curitiba - Rel.: DESEMBARGADOR RENATO LOPES DE PAIVA - J. 22.07.2025; TJPR - 6ª Câmara Cível - 0071388-10.2021.8.16.0000 - Castro - Rel.: DESEMBARGADOR FERNANDO PAULINO DA SILVA WOLFF FILHO - J. 24.04.2022; EDcl no AgInt no AREsp n. 1.620.540/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 26/10/2020, DJe de 12/11/2020;