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Processo:
0003102-22.2024.8.16.0049
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): jaqueline allievi
Órgão Julgador: 8ª Câmara Cível
Comarca: Astorga
Data do Julgamento: Mon Jul 13 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon Jul 20 00:00:00 BRT 2026

Ementa

DIREITO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. COMPRA E VENDA DE VEÍCULO USADO ENTRE PARTICULARES. VÍCIO OCULTO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. MANUTENÇÃO. I. Caso em exame 1. Recurso de apelação interposto contra a sentença que julgou procedente a pretensão inicial, condenando o réu ao ressarcimento de danos materiais decorrentes de vício oculto em veículo automotor. O apelante sustenta a inexistência de má-fé, alegando desgaste natural do bem e ciência do comprador sobre o seu estado. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se restou configurada a responsabilidade civil do vendedor pela omissão de defeito mecânico reincidente e se o montante indenizatório é condizente com o custo do reparo necessário. III. Razões de decidir 3. A relação jurídica entre particulares é regida pelo Código Civil, não se aplicando as normas consumeristas ao caso concreto. 4. O conjunto probatório, composto por prova documental e audível, demonstra a ciência prévia do alienante sobre vício grave no sistema de alimentação de combustível, cuja reincidência foi omitida no momento da negociação. 5. A violação ao princípio da boa-fé objetiva e ao dever anexo de informação (art. 422, CC) configura ato ilícito, caracterizando o vício redibitório apto a ensejar a reparação. 6. O curto lapso temporal entre a entrega do bem e a pane mecânica, somado ao histórico de reparos idênticos realizados anteriormente pelo vendedor, afasta a tese de mero desgaste natural, impondo o dever de indenizar. 7. O ressarcimento deve guardar correspondência com o valor efetivamente despendido para o conserto do veículo, visando a recomposição do patrimônio da parte lesada. IV. Dispositivo e tese 8. Apelação cível conhecida e não provida. Tese de julgamento: A omissão deliberada do vendedor acerca de defeito mecânico reincidente em veículo usado alienado entre particulares configura vício redibitório e violação à boa-fé objetiva, gerando o dever de reparar os danos materiais equivalentes ao custo do reparo. Dispositivos relevantes citados: CC, arts. 186, 422, 441 e 927; CPC/2015, art. 85, § 11. Jurisprudência relevante citada: TJPR - 17ª Câmara Cível - 0010372-94.2018.8.16.0021 - Cascavel - Rel.: DESEMBARGADOR FRANCISCO CARLOS JORGE - J. 21.03.2022; TJPR - 8ª Câmara Cível - 0008327-20.2020.8.16.0160 - Sarandi - Rel.: SUBSTITUTO CARLOS HENRIQUE LICHESKI KLEIN - J. 22.09.2025