SELEÇÃO DE DECISÕES

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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0042331-39.2025.8.16.0021
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Mauro Bley Pereira Junior
Juiz de Direito Substituto em Segundo Grau
Órgão Julgador: 5ª Câmara Criminal
Comarca: Cascavel
Data do Julgamento: Sat Jul 04 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Sat Jul 04 00:00:00 BRT 2026

Ementa

APELAÇÃO CRIME – SENTENÇA CONDENATÓRIA – TRÁFICO DE DROGAS – ARTIGO 33, CAPUT, DA LEI Nº 11.343/2006.INSURGÊNCIA DA DEFESA DO RÉU: 1) PLEITO DE CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA – NÃO CONHECIMENTO – MATÉRIA AFETA AO JUÍZO DE EXECUÇÃO. 2) PEDIDO DE REFORMA DA DOSIMETRIA NA FASE DA PENA-BASE, A FIM DE AFASTAR A VALORAÇÃO NEGATIVA DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME – DESPROVIMENTO – CIRCUNSTÂNCIA CORRETAMENTE VALORADA EM RAZÃO DA NATUREZA E QUANTIDADE DA DROGA – INTELIGÊNCIA DO ART. 42 DA LEI DE DROGAS – APELANTE QUE MANTINHA EM DEPÓSITO EXPRESSIVA QUANTIDADE E DIVERSIDADE DE ENTORPECENTES, O QUE AUTORIZA O RECRUDESCIMENTO DA PENA – FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA – PRECEDENTES. 3) PLEITO DE ALTERAÇÃO DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA PARA O REGIME SEMIABERTO – DESPROVIMENTO – FIXAÇÃO DO REGIME FECHADO EM RAZÃO DO QUANTUM DA PENA (SUPERIOR A 08 ANOS), REINCIDÊNCIA E CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS – REGIME FIXADO PELO JUÍZO DE ORIGEM QUE SE MOSTRA ADEQUADO – INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 33, § 2º, ALÍNEA ‘A’ ‘B’ E ‘C’, C/C ARTIGO 59, INCISO III, AMBOS DO CÓDIGO PENAL.RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. INSURGÊNCIA DO ÓRGÃO MINISTERIAL: 1) PLEITO DE REFORMA DA DOSIMETRIA DA PENA-BASE, A FIM DE VALORAR NEGATIVAMENTE A CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DA CONDUTA SOCIAL - PROVIMENTO – RÉU QUE COMETEU O CRIME DURANTE O CUMPRIMENTO DA PENA POR OUTRO DELITO – MAIOR DESVALOR DA CONDUTA – PRECEDENTES – RECÁLCULO DA PENA QUE SE IMPÕE – PENA DEFINITIVA ESTABELECIDA EM 09 (NOVE) ANOS, 05 (CINCO) MESES E 05 (CINCO) DIAS DE RECLUSÃO, E 942 (NOVECENTOS E QUARENTA E DOIS) DIAS-MULTA. 2) REQUERIMENTO DE REFORMA DA DOSIMETRIA DA PENA INTERMEDIÁRIA, A FIM DE APLICAR A FRAÇÃO DE 1/3 NA COMPENSAÇÃO ENTRE A AGRAVANTE DA REINCIDÊNCIA E ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA – DESPROVIMENTO - EXISTÊNCIA DE MÚLTIPLAS CONDENAÇÕES COM TRÂNSITO EM JULGADO – MAGISTRADO QUE UTILIZOU PARTE DOS REGISTROS PARA EXASPERAR A PENA-BASE PELOS MAUS ANTECEDENTES E CONSIDEROU OUTRA CONDENAÇÃO PARA SEGUNDA FASE, QUANDO DA ANÁLISE DA REINCIDÊNCIA – EXASPERAÇÃO ESCORREITA – FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA – DOSIMETRIA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. I. Caso em exame1. Apelação criminal interposta pelo réu e pelo Ministério Público contra sentença condenatória pela prática do crime de tráfico de drogas, prevista no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006, que fixou a pena em 8 anos e 1 mês de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de dias-multa. O réu requereu a concessão da justiça gratuita, a revisão da dosimetria da pena-base e a alteração do regime inicial para semiaberto. O Ministério Público pediu a valoração negativa da conduta social na dosimetria e a aplicação da fração de 1/3 na compensação entre agravante da reincidência e atenuante da confissão espontânea.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se é cabível a reforma da dosimetria da pena e do regime inicial de cumprimento da pena em condenação por tráfico de drogas, considerando os pedidos da defesa e do Ministério Público quanto à justiça gratuita, valoração das circunstâncias do crime e da conduta social, compensação entre agravantes e atenuantes, e regime prisional adequado.III. Razões de decidir3. O pedido de justiça gratuita não foi conhecido por ser matéria de competência do juízo da execução.4. A valoração negativa da pena-base foi mantida devido à natureza e à quantidade expressiva das drogas apreendidas, que indicam intensa atividade de tráfico e maior risco à saúde pública.5. O regime inicial fechado foi mantido em razão da pena superior a oito anos, da reincidência do réu e das circunstâncias judiciais desfavoráveis.6. O Ministério Público teve parcialmente provido seu recurso para incluir a circunstância judicial da conduta social como desfavorável, considerando que o réu cometeu o crime durante cumprimento de pena por outro delito, aumentando a pena definitiva para nove anos, cinco meses e cinco dias de reclusão, além de multa.7. Foi mantida a compensação integral entre a agravante da reincidência e a atenuante da confissão espontânea na dosimetria da pena, não cabendo aplicação da fração de um terço requerida pelo Ministério Público.IV. Dispositivo e tese8. Recurso de apelação do réu parcialmente conhecido e desprovido; recurso de apelação do Ministério Público conhecido e parcialmente provido para majorar a pena definitiva para 9 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão, mais 942 dias-multa, mantendo-se as demais disposições da sentença.Tese de julgamento: A valoração negativa da conduta social na dosimetria da pena é cabível quando o réu comete novo crime durante o cumprimento de pena por outro delito, autorizando o aumento da pena-base em razão da maior periculosidade do agente._________Dispositivos relevantes citados: CP, arts. 33, caput, 40, VI, 42, 59, 61, I, 65, III, “d”; CPP, arts. 240, § 2º, 244, 396-A; CPC, arts. 85, §§ 2º e 11.Jurisprudência relevante citada: STF, RHC 123367, Rel. Min. (não informado), Plenário, j. (não informado); STF, HC 121853, Rel. Min. (não informado), Plenário, j. (não informado); STJ, RHC 158.580, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, j. 19.04.2022; STJ, HC 614.339, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 11.02.2021; STJ, AgRg no HC 829.138, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. 06.02.2024; STJ, REsp 1.887.511, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Terceira Seção, j. 01.07.2021; STJ, AgRg no HC 771.217, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. 24.06.2024; STJ, HC 510.248/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 30.05.2019; TJPR, 1ª Câmara Criminal, AC 0001089-53.2021.8.16.0082, Rel. Subst. Humberto Goncalves Brito, j. 27.01.2024; TJPR, 3ª Câmara Criminal, AC 0006054-37.2022.8.16.0083, Rel. Subst. Pedro Luis Sanson Corat, j. 29.03.2026; TJPR, 3ª Câmara Criminal, AC 0002194-63.2021.8.16.0115, Rel. Juíza Subst. Angela Regina Ramina de Lucca, j. 31.08.2022; TJPR, 3ª Câmara Criminal, AC 0002819-26.2021.8.16.0074, Rel. Juiz Subst. Kennedy Josue Greca de Mattos, j. 23.08.2022; TJPR, 3ª Câmara Criminal, AC 0001305-89.2023.8.16.0196, Rel. Humberto Luiz Carapunarla, j. 21.03.2026; TJPR, 3ª Câmara Criminal, AC 0000585-58.2019.8.16.0101, Rel. Subst. Antonio Carlos Choma, j. 08.03.2026; TJPR, 5ª Câmara Criminal, AC 1112850-4, Rel. Des. Luiz Carlos Gabardo, j. 06.03.2014; Súmula nº 493/STJ.Resumo em linguagem acessível: O tribunal analisou os recursos do réu e do Ministério Público contra a condenação por tráfico de drogas. A defesa do réu pediu para reduzir a pena e mudar o regime de cumprimento para semiaberto, além de pedir a justiça gratuita, mas esses pedidos foram negados porque o réu foi preso com grande quantidade e variedade de drogas, o que justifica a pena maior e o regime fechado. Já o Ministério Público pediu para aumentar a pena por causa da má conduta do réu, que cometeu o crime enquanto cumpria outra pena, e esse pedido foi aceito, aumentando a pena para nove anos, cinco meses e cinco dias. O pedido do Ministério Público para aumentar ainda mais a pena por reincidência foi negado, porque o juiz já considerou isso na primeira fase da pena. Assim, a pena final ficou maior que a inicial, mas o regime fechado para o cumprimento da pena foi mantido.