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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0003197-33.2023.8.16.0196
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Priscilla Placha Sá
Desembargadora
Órgão Julgador: 2ª Câmara Criminal
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Mon Jul 27 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon Jul 27 00:00:00 BRT 2026

Ementa

APELAÇÃO CRIME. CRIME DE ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. RECURSO DA DEFESA. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. CABIMENTO. DÚVIDA ACERCA DA AUTORIA DELITIVA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS DO CONHECIMENTO DO APELADO DA ORIGEM ILÍCITA DA RES OU DA ADULTERAÇÃO DE SINAIS DO VEÍCULO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO REO. ABSOLVIÇÃO QUE SE IMPÕE. ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS. REFORMA DA SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. I. Caso em exame1. Apelação criminal interposta contra sentença que condenou o réu pela prática do crime de adulteração de sinal identificador de veículo, em razão da aquisição e posterior oferta para venda de motocicleta com sinais identificadores adulterados, cuja origem ilícita foi constatada por perícia, sendo o veículo adquirido por valor inferior ao mercado e com documentação irregular. O apelante requer absolvição, alegando ausência de provas de que sabia ou deveria saber da adulteração.II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se há provas suficientes para condenar o réu pelo crime de adulteração de sinal identificador de veículo, especificamente quanto ao conhecimento ou dever de saber da adulteração por parte do acusado.III. Razões de decidir3. Não há provas suficientes de que o réu sabia ou deveria saber da adulteração dos sinais identificadores da motocicleta, pois a adulteração só foi detectada por meio de técnica pericial especializada, não perceptível a olho nu.4. O réu agiu com cautela e boa-fé, negociando de forma documentada, consultando a regularidade do veículo e anunciando-o abertamente para venda, informando sobre pendências documentais.5. Após tomar conhecimento da irregularidade, o réu tentou reaver o veículo, demonstrando que se considerava vítima e não partícipe do crime.6. Diante da dúvida sobre o conhecimento do réu acerca da adulteração, aplica-se o princípio do in dubio pro reo, impondo-se a absolvição. IV. Dispositivo e tese7. Apelação criminal conhecida e provida para absolver o réu com fundamento no art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.Tese de julgamento: Na ausência de prova segura de que o agente sabia ou deveria saber da adulteração dos sinais identificadores do veículo, deve ser aplicada a absolvição com base no princípio do in dubio pro reo._________Dispositivos relevantes citados: CP, art. 311, § 2º, III; CPP, arts. 156 e 386, VII.Jurisprudência relevante citada: TJPR, Apelação Criminal 0010082-47.2011.8.16.0014, Rel. Des. José Maurício Pinto de Almeida, 2ª Câmara Criminal, j. 06.08.2020; TJPR, Apelação Criminal 0002324-43.2017.8.16.0196, Rel. Juiz Marcel Guimarães Rotoli de Macedo, 2ª Câmara Criminal, j. 29.08.2019.Resumo em linguagem acessível: O tribunal analisou o caso de uma pessoa que comprou uma motocicleta com sinais de adulteração, mas não ficou provado que ela sabia disso na hora da compra ou quando tentou vender o veículo. A decisão considerou que as provas não mostraram com certeza que ela tinha consciência da irregularidade, já que a adulteração só foi descoberta com testes especiais que uma pessoa comum não faria. Além disso, o comprador agiu de forma aberta, anunciando a moto para venda e mostrando fotos, o que indica boa-fé. Por isso, o tribunal decidiu absolver essa pessoa, ou seja, não a condenar, porque, em caso de dúvida, a lei protege quem está sendo acusado.