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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0024982-83.2021.8.16.0014
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto sergio luiz patitucci
Órgão Julgador: 1ª Câmara Criminal
Comarca: Londrina
Data do Julgamento: Sat Jul 04 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Sat Jul 04 00:00:00 BRT 2026

Ementa

DIREITO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. ALEGADA IMPRUDÊNCIA CONSISTENTE EM AVANÇO DE SINAL VERMELHO. PROVA FRÁGIL QUANTO À DINÂMICA DO ACIDENTE. TESTEMUNHA QUE NÃO PRESENCIOU O EXATO MOMENTO DA COLISÃO. LIMITAÇÃO DE CAMPO VISUAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONSTRUÇÃO SEGURA DA DINÂMICA DO SINISTRO. AUSÊNCIA DE PROVA CABAL DE VIOLAÇÃO DO DEVER OBJETIVO DE CUIDADO. PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO. MANUTENÇÃO DA ABSOLVIÇÃO. RECURSO CONHECIDO. NEGA PROVIMENTO.I. CASO EM EXAME1. Apelação criminal interposta pelo Ministério Público contra sentença que absolveu o acusado da imputação de homicídio culposo na direção de veículo automotor, em razão de suposto avanço de sinal vermelho e colisão que resultou na morte da vítima. O recurso busca a condenação do apelado, sustentando que há provas suficientes para demonstrar sua culpa, enquanto a decisão de primeiro grau entendeu pela insuficiência de provas para comprovar a imprudência e o nexo causal entre a conduta e o resultado.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO2. A questão em discussão consiste em saber se há prova suficiente para condenar por homicídio culposo na direção de veículo automotor em razão de avanço de sinal vermelho e consequente colisão com vítima que veio a óbito.III. RAZÕES DE DECIDIR3. A prova é frágil quanto à dinâmica do acidente, não havendo demonstração segura da conduta imprudente do acusado ao avançar o sinal vermelho.4. Testemunha ocular não presenciou o momento exato da colisão e sua visão do semáforo era limitada, o que impede afirmar com certeza a sinalização no instante do acidente.5. Vídeos indicam que os semáforos podem abrir sucessivamente, sendo compatível com a versão do réu de que passou no sinal verde.6. Elementos periciais mostram que a vítima não usava cinto de segurança e estava embriagada, fatores que dificultam a reconstrução segura da dinâmica do acidente.7. Não há prova cabal da violação do dever objetivo de cuidado pelo acusado, impondo a aplicação do princípio in dubio pro reo e a manutenção da absolvição.IV. DISPOSITIVO E TESE8. Apelação criminal conhecida e desprovida, mantendo-se a sentença absolutória.Tese de julgamento: A condenação por homicídio culposo na direção de veículo automotor exige prova cabal da violação do dever objetivo de cuidado, não sendo suficiente a constatação do resultado danoso, de modo que, diante de prova frágil quanto à dinâmica do acidente e dúvida razoável, deve ser aplicado o princípio in dubio pro reo, mantendo-se a absolvição.Dispositivos relevantes citados: CP, art. 302, caput; CPP, art. 386, VII; CR/1988, art. 5º, LVII.Jurisprudência relevante citada: TJPR, Apelação Criminal, 0004503-14.2017.8.16.0013, Rel. Des. Antonio Loyola Vieira, 1ª Câmara Criminal, j. 06.02.2021; TJPR, Apelação Criminal, 00000017-93.2011.8.16.0013, Rel. Des. Macedo Pacheco, 1ª Câmara Criminal, j. 20.02.2020.Resumo em linguagem acessível: O Tribunal analisou o pedido do Ministério Público para condenar o motorista por causar a morte de outra pessoa ao avançar o sinal vermelho. Porém, não ficou claro, com provas seguras, que ele realmente passou no sinal vermelho e causou o acidente. As testemunhas não viram o momento exato da batida, e as imagens mostram que a visão do semáforo era difícil. Além disso, a vítima estava embriagada e não usava cinto de segurança, o que pode ter influenciado no acidente. Por isso, como há dúvida sobre quem foi o culpado, o Tribunal manteve a decisão que absolveu o motorista, seguindo a regra de que, na dúvida, a pessoa não deve ser condenada.