SELEÇÃO DE DECISÕES

 Selecionar Todos     Imprimir  Imprimir Selecionados

DOCUMENTO 1
 

Íntegra Íntegra do Acórdão Integra Ementa pré-formatada para citação Carregar documento   Imprimir/salvar (selecionar)
Processo:
0021105-43.2019.8.16.0035
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Roberto Portugal Bacellar
Desembargador
Órgão Julgador: 9ª Câmara Cível
Comarca: São José dos Pinhais
Data do Julgamento: Sun Aug 09 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon Aug 10 00:00:00 BRT 2026

Ementa

APELAÇÃO CÍVEL. NOMINADA “AÇÃO INDENIZATÓRIA”. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. COLISÃO ENTRE CICLISTA E ÔNIBUS EM ROTATÓRIA. PRETENSÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL, DANOS ESTÉTICOS E PENSIONAMENTO VITALÍCIO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA NOS TERMOS DA REGRA GERAL PREVISTA NO ART. 373, I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – ALEGAÇÃO, POR PARTE DO APELANTE, DE MANOBRA IMPRUDENTE E SINALIZAÇÃO INADEQUADA DO COLETIVO – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO NESSE SENTIDO – LAUDO PERICIAL TÉCNICO QUE APONTA DINÂMICA DIVERSA, INDICANDO QUE O CICLISTA DEIXOU A CICLOVIA E INGRESSOU NA VIA SEM A DEVIDA CAUTELA, COLIDINDO NA LATERAL DO VEÍCULO QUE JÁ SE ENCONTRAVA EM MANOBRA REGULAR NA ROTATÓRIA – DEPOIMENTO TESTEMUNHAL DO MOTORISTA DO ÔNIBUS QUE CORROBORA A CONCLUSÃO PERICIAL – AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO E DE NEXO CAUSAL – CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA CONFIGURADA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. APLICAÇÃO DE HONORÁRIOS RECURSAIS. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de indenização por dano moral, danos estéticos e pensionamento vitalício decorrentes de acidente de trânsito entre ciclista e ônibus de propriedade da Apelada em rotatória. O apelante alegou que o motorista do ônibus sinalizou incorretamente e realizou manobra repentina, causando o acidente, enquanto a Apelada sustentou culpa exclusiva do ciclista, que teria ingressado na via sem cautela. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se a Apelada deve ser responsabilizada pelos danos alegadamente sofridos em decorrência de acidente de trânsito envolvendo ônibus de sua propriedade e o Apelante, que trafegava de bicicleta, diante da divergência quanto à dinâmica do acidente. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O Apelante não comprovou a existência de ato ilícito ou nexo causal na conduta do motorista do ônibus da Apelada, ônus que lhe competia. 4. O laudo pericial concluiu que o acidente ocorreu por culpa exclusiva do Apelante, que deixou a ciclovia e ingressou na via sem cautela, colidindo com o ônibus que já realizava manobra regular na rotatória. 5. O depoimento do motorista confirmou que o ônibus estava em trajetória consolidada, o que se coaduna com o fato de que a colisão da bicicleta ocorreu na lateral do coletivo e afasta a alegação de sinalização tardia ou enganosa que tivesse induzido o Apelante a erro. 6. A culpa exclusiva da vítima afasta o dever de indenizar da Apelada, conforme a teoria da causalidade adequada e entendimento consolidado na jurisprudência. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Apelação cível desprovida, mantendo-se a sentença de improcedência, com aplicação de honorários recursais. Tese de julgamento: A culpa exclusiva da vítima afasta o dever de indenizar em acidente de trânsito quando esta ingressa na via de rolamento sem a devida cautela, violando regras de circulação e preferência, tornando inevitável a colisão para o condutor do veículo que trafega regularmente na rotatória, tal como ocorreu no presente caso.