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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0002184-84.2025.8.16.0048
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): fabio luis franco
Órgão Julgador: 14ª Câmara Cível
Comarca: Assis Chateaubriand
Data do Julgamento: Mon Jun 29 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon Jun 29 00:00:00 BRT 2026

Ementa

Ementa: DIREITO BANCÁRIO, DIREITO DO CONSUMIDOR E DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL PELA RÉ. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA E INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. BLOQUEIO E ENCERRAMENTO DE CONTA BANCÁRIA. CREDITAMENTO DE VALOR NA CONTA DA AUTORA APELADA MEDIANTE PIX. BLOQUEIO DO VALOR CREDITADO PELA RÉ, SEM INFORMAÇÃO ADEQUADA A AUTORA/CORRENTISTA. VALOR EFETIVAMENTE DESTINADO À AUTORA/APELADA. VIOLAÇÃO AO DEVER DE INFORMAÇÃO. BLOQUEIO INDEVIDO. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. DANO MORAL E SEU QUANTUM. MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. ADEQUAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA SOBRE VALOR DA CONDENAÇÃO E NÃO SOBRE O VALOR DA CAUSA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE.I. CASO EM EXAME1. Trata-se de recurso de apelação cível interposto pela empresa ré contra sentença que, nos autos de ação de obrigação de fazer cumulada com indenização por danos materiais e morais, julgou parcialmente procedentes os pedidos para condená-la ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 3.000,00, além de fixar honorários advocatícios em 10% sobre o valor da causa.II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO2. Há três questões em discussão: (i) saber se há ausência de interesse de agir da autora/apelada diante da devolução do valor; (ii) saber se a conduta da empresa ré/apelante configura falha na prestação do serviço apta a ensejar indenização por dano moral; e (iii) saber se a base de cálculo dos honorários advocatícios sucumbenciais deve incidir sobre o valor da causa ou sobre o valor da condenação.III. RAZÕES DE DECIDIR3. A alegação de ausência de interesse de agir não prospera, pois a devolução do numerário não foi comunicada adequadamente à consumidora/autora/apelada, que permaneceu em situação de incerteza, legitimando a busca pela tutela jurisdicional.4. A controvérsia ultrapassa a simples restituição de valores, envolvendo a legalidade da conduta da empresa ré/apelante e a existência de dano extrapatrimonial decorrente da retenção indevida e da falta de informação.5. O bloqueio e a indisponibilização de valores, sem comunicação eficaz, configuram dano moral, por excederem o mero aborrecimento e implicarem privação indevida do uso de recursos financeiros.6. O quantum indenizatório fixado (R$ 3.000,00) mostra-se adequado, observando os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao enriquecimento sem causa.7. Não há sucumbência recíproca, pois a autora/apelada foi vencedora na essência e substancialidade da demanda.8. A fixação dos honorários deve observar o artigo 85, §2º, do Código de Processo Civil, incidindo preferencialmente sobre o valor da condenação quando existente esta, sendo inadequada a utilização da base de cálculo sobre o valor da causa.IV. DISPOSITIVO E TESE9. Recurso conhecido e provido em parte.Tese de julgamento: “1. A devolução de valores sem comunicação eficaz ao consumidor não afasta o interesse de agir quando subsiste controvérsia acerca da falha na prestação do serviço e dos danos decorrentes.” “2. O bloqueio indevido de valores em conta bancária, sem informação adequada, configura dano moral.” “3. Havendo condenação em quantia certa, os honorários advocatícios sucumbenciais devem incidir sobre o valor da condenação, e não sobre o valor da causa.”.Dispositivos relevantes citados: CF, Art. 5º, incs. V, X e XXXV; CDC, Art. 14; CC, Arts. 389, parágrafo único, 398, 406; CPC, Arts. 85, §§ 2º e 8º, 487, inc. I.Jurisprudência relevante citada: TJPR, 14ª Câmara Cível, Apelação nº 0007058-20.2025.8.16.0014, Rel. Juiz Subst. Jederson Suzin, j. 09.03.2026.