SELEÇÃO DE DECISÕES

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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0045204-41.2026.8.16.0000
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto marcos vinicius da rocha loures demchuk
Órgão Julgador: 13ª Câmara Cível
Comarca: Matelândia
Data do Julgamento: Fri Aug 07 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon Aug 10 00:00:00 BRT 2026

Ementa

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. DECISÃO QUE DETERMINOU O LEVANTAMENTO DE PENHORA INCIDENTE SOBRE IMÓVEIS, AO FUNDAMENTO DE QUE A EXEQUENTE HAVIA DESISTIDO ANTERIORMENTE DA CONSTRIÇÃO, SEM DEMONSTRAÇÃO DE ALTERAÇÃO FÁTICA OU JURÍDICA SUPERVENIENTE. INSURGÊNCIA DA EXEQUENTE. ACOLHIMENTO. DESISTÊNCIA DA PENHORA QUE CONSTITUI ATO PROCESSUAL E NÃO IMPORTA EM RENÚNCIA AO DIREITO MATERIAL DE SATISFAÇÃO DO CRÉDITO, TAMPOUCO EM RECONHECIMENTO DA IMPENHORABILIDADE DOS BENS. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA MATERIAL OU DE PRECLUSÃO LÓGICA A IMPEDIR A REITERAÇÃO DA CONSTRIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL QUE CONDICIONE NOVA PENHORA À DEMONSTRAÇÃO DE ALTERAÇÃO FÁTICA OU JURÍDICA. EXECUÇÃO QUE SE REALIZA NO INTERESSE DO CREDOR (ART. 797 DO CPC). NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DOS MEIOS EXECUTIVOS DISPONIBILIZADOS PELO ORDENAMENTO JURÍDICO. EVENTUAL IMPENHORABILIDADE DOS IMÓVEIS QUE DEVE SER APRECIADA PELO JUÍZO DE ORIGEM, À LUZ DAS ALEGAÇÕES DAS PARTES E DAS PROVAS PRODUZIDAS, SOB O CRIVO DO CONTRADITÓRIO. REFORMA DA DECISÃO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo de instrumento interposto pelo Banco do Brasil contra decisão que determinou o levantamento da penhora sobre imóveis indicados, sob o fundamento de que a exequente havia desistido anteriormente da constrição, sem que houvesse demonstração de alteração fática ou jurídica para justificar nova penhora. O agravante pediu a suspensão dos efeitos da decisão e o restabelecimento da penhora, sustentando que a desistência processual não impede a reiteração da constrição sobre os mesmos bens para garantir a satisfação do crédito. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a desistência anterior da penhora impede a reiteração da constrição sobre os mesmos bens imóveis, por força de preclusão lógica ou ausência de alteração fática ou jurídica que justifique nova penhora. III. Razões de decidir 3. A desistência da penhora é ato processual que não implica renúncia ao direito material de satisfação do crédito nem reconhecimento definitivo da impenhorabilidade dos bens. 4. Não há respaldo legal para exigir demonstração de alteração fática ou jurídica para autorizar nova penhora sobre os mesmos bens. 5. A preclusão lógica não impede a reiteração da penhora quando não há ato incompatível ou renúncia inequívoca ao direito de excussão patrimonial. 6. A decisão que vedou a reiteração da penhora com base apenas na ausência de alteração fática ou jurídica restringiu indevidamente os meios executivos do credor. 7. Cabe ao juízo de origem analisar, em momento oportuno, a penhorabilidade dos bens indicados, com base nas provas e alegações das partes. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo de instrumento conhecido e provido para reformar a decisão agravada, afastando o impedimento à reiteração da penhora sobre os bens indicados, facultando ao juízo de origem a análise da penhorabilidade à luz das alegações e provas produzidas pelas partes. Tese de julgamento: A desistência de ato constritivo na execução não impede a reiteração da penhora sobre os mesmos bens, desde que persista o interesse do credor e não haja decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a impenhorabilidade ou renúncia ao direito material de satisfação do crédito. _________ Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 797; arts. 1.015 e seguintes. Jurisprudência relevante citada: REsp n. 1.769.64/PE,relator Min. Sergio Kukina, Primeira Turma, julgado em 07 /06/2022, DJe 14/06/2022. Resumo em linguagem acessível: O Tribunal decidiu que o banco pode pedir novamente a penhora dos imóveis, mesmo que antes tenha desistido dessa medida. Isso porque desistir da penhora não significa abrir mão do direito de cobrar a dívida nem que os imóveis não possam ser penhorados. A decisão anterior que proibiu nova penhora só porque não houve mudança nos fatos ou na lei foi considerada errada. Agora, o juiz da primeira instância poderá analisar melhor se os imóveis podem ou não ser penhorados, com base nas provas apresentadas pelas partes.