SELEÇÃO DE DECISÕES

 Selecionar Todos     Imprimir  Imprimir Selecionados

DOCUMENTO 1
 

Íntegra Íntegra do Acórdão Integra Ementa pré-formatada para citação Carregar documento   Imprimir/salvar (selecionar)
Processo:
0030590-41.2021.8.16.0021
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituta maria roseli guiessmann
Órgão Julgador: 20ª Câmara Cível
Comarca: Cascavel
Data do Julgamento: Fri Aug 21 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Fri Aug 21 00:00:00 BRT 2026

Ementa

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. 1. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO E DE INAPLICABILIDADE DO CDC E DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA – NÃO CONHECIMENTO. QUESTÕES ANALISADAS EM DECISÃO SANEADORA. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO CABÍVEL – PRECLUSÃO CONSUMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE REANÁLISE. PARTE CONHECIDA. 2. PRELIMINARMENTE. ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SENTENÇA QUE APRESENTOU FUNDAMENTOS SUFICIENTES PARA A CONDENAÇÃO DA PARTE RÉ. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. JULGADOR QUE NÃO TEM O DEVER DE REBATER TODAS AS TESES APRESENTADAS PELA DEFESA DE MANEIRA PORMENORIZADA. PRELIMINAR AFASTADA. 3. MÉRITO. CONTRATO DE PERMUTA DE IMÓVEIS. CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIO RESIDENCIAL NO MESMO ENDEREÇO DO AUTOR. PROMESSA DE ENTREGA DE TRÊS APARTAMENTOS EM TROCA DO TERRENO. VÍCIOS CONSTRUTIVOS CONSTATADOS APÓS A ENTREGA DAS UNIDADES HABITACIONAIS. AUTOR QUE REALIZOU PERÍCIA TÉCNICA NO LOCAL. PROFISSIONAL HABILITADO QUE CONSTATOU A PRESENÇA DE FALHAS ESTRUTURAIS E DIVERGÊNCIAS NA CONSTRUÇÃO DOS IMÓVEIS. REQUERIDA QUE DESISTIU DA PERÍCIA JUDICIAL. APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA AO LAUDO QUE NÃO REALIZOU ANÁLISE TÉCNICA ADEQUADA DO LOCAL. MERA ARGUMENTAÇÃO FEITA EM FAVOR DA CONSTRUTORA. PARTE QUE DEIXOU DE DESCONSTITUIR OS FATOS COMPROVADOS PELO APELADO. ÔNUS QUE LHE INCUMBIA. ART. 373, INCISO II, DO CPC. ART. 6º, INCISO VIII, DO CDC. DANO MATERIAL CARACTERIZADO. DEVIDO O PAGAMENTO DA QUANTIA INDICADA EM ORÇAMENTO. PARTE CONTRÁRIA QUE NÃO IMPUGNOU ESPECIFICAMENTE OS VALORES APRESENTADOS. 4. AUTOR QUE RESIDIU PRECARIAMENTE NO SALÃO DE FESTAS DO CONDOMÍNIO ATÉ A ENTREGA DOS APARTAMENTOS. PAGAMENTO DE FATURAS REFERENTES AO FORNECIMENTO DE ÁGUA. DESPESA QUE ERA DE RESPONSABILIDADE DA CONSTRUTORA. PREVISÃO CONTRATUAL. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACORDO VERBAL PARA A DIVISÃO DE CUSTOS HABITACIONAIS. AUSÊNCIA DE PROVA CONCRETA. CONDENAÇÃO MANTIDA. 5. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA RECORRIDA. 6. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA EXTENSÃO, DESPROVIDO. I. Caso em exame1. Apelação cível interposta contra sentença de parcial procedência em ação de obrigação de fazer cumulada com indenização por danos materiais e morais, na qual se discutem vícios construtivos em imóveis entregues por construtora e o reembolso de despesas com fornecimento de água durante período de moradia precária em salão de festas do empreendimento. A sentença condenou a construtora ao ressarcimento dos valores referentes aos reparos necessários e às despesas comprovadas com água, rejeitando os pedidos relativos a vagas de garagem, contratação de perito e danos morais. II. Questão em discussão2. Saber se a construtora deve ser condenada ao ressarcimento de despesas com fornecimento de água e ao pagamento de indenização por vícios construtivos em imóveis entregues em contrato de permuta, bem como se deve ser mantida a sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos iniciais. III. Razões de decidir3. As matérias de prescrição, decadência, inaplicabilidade do CDC e inversão do ônus da prova foram analisadas em decisão saneadora, não tendo sido interposto recurso cabível, o que impede sua reanálise por preclusão.4. A sentença apresentou fundamentação suficiente e adequada, não havendo nulidade por ausência de fundamentação, pois o juiz não é obrigado a rebater todas as teses de forma pormenorizada.5. Restou comprovada a existência de vícios construtivos nos imóveis, com base no laudo técnico apresentado pelo autor, não desconstituído pela ré, que desistiu da perícia judicial.6. O valor para reparo dos vícios construtivos foi devidamente comprovado por orçamento técnico, não impugnado pela ré, devendo ser mantida a condenação nesse montante.7. A Apelante não comprovou acordo verbal para divisão das despesas com fornecimento de água, sendo clara a responsabilidade contratual da construtora pelo pagamento, devendo ser mantida a condenação ao reembolso.8. Os honorários advocatícios recursais foram fixados em 2% sobre o valor da condenação, considerando o trabalho adicional do procurador da parte apelada. IV. Dispositivo e tese9. Apelação cível conhecida parcialmente e, na parte conhecida, desprovida, mantendo a sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos. Tese de julgamento: A responsabilidade da construtora por vícios construtivos em imóvel adquirido por consumidor destinatário final é objetiva, sendo cabível a indenização por danos materiais comprovados por laudo técnico, mesmo que produzido unilateralmente, e a restituição de despesas comprovadas relacionadas à posse precária do imóvel, diante da ausência de produção de provas pela parte Requerida em sentido contrário._________Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 85, § 2º, § 11º, 371, 373, I e II, 487, I, 1.015; CC/2002, arts. 205, 206, § 3º, IV, 618, p.u.; CDC, arts. 2º, 3º, § 2º, 6º, VIII. Jurisprudência relevante citada: TJPR, Apelação Cível 0003829-02.2021.8.16.0173, Rel. Des. Domingos José Perfetto, 20ª Câmara Cível, j. 23.09.2025; TJPR, Apelação Cível 0061523-81.2022.8.16.0014, Rel. Des. Luciana Carneiro de Lara, 20ª Câmara Cível, j. 23.04.2025; TJPR, Apelação Cível 0034036-86.2020.8.16.0021, Rel. Subst. Helder Luis Henrique Taguchi, 20ª Câmara Cível, j. 06.03.2026; TJPR, Apelação Cível 0001985-92.2021.8.16.0148, Rel. Subst. Adriana de Lourdes Simette, 20ª Câmara Cível, j. 07.04.2026; TJPR, Apelação Cível 0010180-83.2026.8.16.0021, Rel. Subst. Maria Roseli Guiessmann, 19ª Câmara Cível, j. 06.07.2026; TJPR, Apelação Cível 0002217-13.2021.8.16.0049, Rel. Des. Belchior Soares da Silva, 19ª Câmara Cível, j. 09.03.2026. Resumo em linguagem acessível: O juiz decidiu que a construtora deve pagar o valor para consertar os problemas encontrados nos apartamentos entregues, porque um laudo técnico mostrou que os imóveis têm defeitos de construção. Também deve devolver o dinheiro que o comprador gastou com a conta de água enquanto morava temporariamente no salão de festas, pois ficou comprovado que essa despesa era responsabilidade da construtora. O pedido de indenização por danos morais e outras despesas foi negado. A sentença foi mantida porque as provas apresentadas pelo comprador foram aceitas, e a construtora não conseguiu provar o contrário.