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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
4000074-44.2025.8.16.0145
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituta maria fernanda scheidemantel nogara ferreira da costa
Órgão Julgador: 6ª Câmara Criminal - Núcleo de Atuação
Comarca: * Não definida
Data do Julgamento: Sun Aug 02 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon Aug 03 00:00:00 BRT 2026

Ementa

AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. REGIME SEMIABERTO HARMONIZADO COM MONITORAÇÃO ELETRÔNICA. PROGRESSÃO AO REGIME ABERTO CONCEDIDA SEM RECONHECIMENTO DE FALTA GRAVE. INSURGÊNCIA MINISTERIAL. REITERADAS VIOLAÇÕES DE PERÍMETRO. SAÍDAS NÃO AUTORIZADAS EM HORÁRIO NOTURNO E MADRUGADA. ROMPIMENTO VOLUNTÁRIO DA TORNOZELEIRA ELETRÔNICA. JUSTIFICATIVAS GENÉRICAS E INSUFICIENTES. ALEGAÇÃO DE NECESSIDADE LABORAL INCOMPATÍVEL COM AS VIOLAÇÕES REGISTRADAS. OMISSÃO NA APRESENTAÇÃO DOS DIAS E HORÁRIOS DE CULTO RELIGIOSO. DESCUMPRIMENTO VOLUNTÁRIO E REITERADO DAS CONDIÇÕES IMPOSTAS. CONDUTA INCOMPATÍVEL COM A MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO EXECUTÓRIO. ARTS. 39, V, 50, VI, 118, I, 146-C, PARÁGRAFO ÚNICO, I, E 146-D, II, DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO AO REGIME ABERTO INDEVIDA. RECONHECIMENTO DA FALTA GRAVE QUE SE IMPÕE. REGRESSÃO AO REGIME FECHADO QUE CONSTITUI CONSEQUÊNCIA LEGAL. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Trata-se de agravo em execução penal interposto pelo Ministério Público do Estado do Paraná contra a decisão que acolheu a justificativa pessoal do sentenciado e deferiu a progressão do regime semiaberto harmonizado para o regime aberto, sem reconhecer as faltas graves decorrentes do reiterado descumprimento das condições impostas à monitoração eletrônica.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO2. A questão em discussão consiste em saber se é legítima a concessão de progressão ao regime aberto ao sentenciado que acumulou centenas de violações às condições impostas à monitoração eletrônica ao longo de mais de dois anos, sem apresentar justificativa idônea, e se tais descumprimentos configuram falta grave apta a ensejar a regressão ao regime fechado.III. RAZÕES DE DECIDIR3. O agravado descumpriu reiteradamente as condições impostas para o regime semiaberto harmonizado com monitoração eletrônica, com registros de violações que se estendem de maio de 2023 a julho de 2025, alcançando em alguns períodos mais de 30 infrações mensais, o que configura falta grave nos termos dos arts. 39, V, 50, VI, 146-C e 146-D da Lei de Execução Penal.4. As violações abrangem todos os tipos de restrição impostas, incluindo recolhimento domiciliar nos dias de semana, recolhimento em domingos e feriados, extrapolação do prazo de deslocamento autorizado para o trabalho aos sábados, além de descumprimentos ocorridos em plena madrugada e registro de rompimento voluntário da tornozeleira eletrônica.5. As justificativas apresentadas são genéricas e desacompanhadas de elementos concretos capazes de explicar individualmente a expressiva quantidade de violações registradas, sendo que o sentenciado, intimado a apresentar os dias e horários de culto religioso que alegava frequentar, deixou de fazê-lo, limitando-se a invocar genericamente a necessidade laboral.6. Não se mostra juridicamente coerente reconhecer que o sentenciado acumulou reiteradas violações das condições impostas ao regime semiaberto harmonizado e, simultaneamente, concluir que estaria apto ao cumprimento da pena em regime ainda mais brando, fundado em grau ainda maior de autodisciplina, responsabilidade e confiança estatal.IV. DISPOSITIVO E TESE7. Agravo em execução conhecido e provido para reconhecer a prática de falta grave, anular a progressão ao regime aberto e determinar a regressão ao regime fechado.Tese de julgamento: "No regime semiaberto harmonizado, o descumprimento reiterado das condições impostas à monitoração eletrônica, ainda que alegada necessidade laboral, configura falta grave e autoriza o reconhecimento da infração disciplinar e a regressão ao regime fechado, sendo indevida a progressão ao regime aberto concedida sem observância desse quadro."Dispositivos relevantes citados: Lei nº 7.210/1984, arts. 39, V; 50, VI; 118, I; 146-C, parágrafo único, I; e 146-D, II.Jurisprudência relevante citada: TJPR, 6ª Câmara Criminal, 4000181-26.2025.8.16.0101, Rel. Substituta Andrea Fabiane Groth Busato, j. 30.03.2026; TJPR, 6ª Câmara Criminal, 4000001-88.2026.8.16.0096, Rel. Des. Luiz Osório Moraes Panza, j. 30.03.2026.