|
Íntegra do Acórdão
|
Ementa pré-formatada para citação
|
Carregar documento
|
Imprimir/salvar (selecionar)
|
|
Processo:
0004503-15.2025.8.16.0019
(Acórdão)
|
| Segredo de Justiça:
Não |
|
Relator(a):
Antonio Carlos Ribeiro Martins Desembargador
|
| Órgão Julgador:
4ª Câmara Criminal |
| Comarca:
Ponta Grossa |
| Data do Julgamento:
Mon Aug 10 00:00:00 BRT 2026
|
| Fonte/Data da Publicação:
Wed Aug 12 00:00:00 BRT 2026 |
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE DROGAS
(ART. 33,
CAPUT,
DA LEI Nº 11.343/06). SENTENÇA CONDENATÓRIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DEFENSIVA. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA. REJEIÇÃO.
SUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. ASSERTIVIDADE E RELEVÂNCIA DOS DEPOIMENTOS PRESTADOS PELOS GUARDAS MUNICIPAIS. CRIME PLURINUCLEAR. PRESCINDIBILIDADE DA PRÁTICA DE ATO DE EFETIVA MERCANCIA. REJEIÇÃO DA PRETENSÃO DESCLASSIFICATÓRIA. DOSIMETRIA DA PENA. ART. 42 DA LEI DE DROGAS. PEQUENA QUANTIDADE DE ENTORPECENTE. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO COM A REINCIDÊNCIA. PENA DE MULTA. TEMA 1.178 DO STF. REGIME FECHADO. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Apelação criminal interposta por réu condenado pela prática do crime de tráfico entorpecentes previsto no art. 33,
caput, da Lei nº 11.343/06, à pena de 7 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 715 dias-multa.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há
seis
questões em discussão: i) definir se o conjunto probatório é suficiente para manter a condenação pelo crime de tráfico de drogas;
ii) estabelecer se a conduta deve ser desclassificada para o delito de porte para consumo pessoal;
iii) determinar se a pena-base foi corretamente exasperada com fundamento no art. 42 da Lei nº 11.343/06;
iv) definir se incide a atenuante da confissão espontânea e sua compensação com a
agravante da reincidência; e v) estabelecer a possibilidade de afastar ou reduzir a pena de multa; vi)
verificar a possibilidade
de
fixar
regime inicial menos gravoso.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3.
A materialidade e a autoria encontram-se devidamente demonstradas pelo boletim de ocorrência, pelos autos de apreensão, pelos laudos periciais e pelos depoimentos prestados pelos guardas municipais em juízo, os quais se mostram harmônicos entre si e corroborados pelos demais elementos probatórios constantes dos autos.
4. Os depoimentos de agentes públicos, quando coerentes, convergentes, submetidos ao crivo do contraditório e da ampla defesa e isentos de elementos concretos que evidenciem má-fé ou interesse na incriminação do acusado, constituem meio de prova idôneo e suficiente para fundamentar decreto condenatório.
5. O delito previsto no art. 33,
caput, da Lei nº 11.343/2006 possui natureza plurinuclear, consumando-se com a prática de qualquer dos verbos nucleares descritos no tipo penal, de modo que é prescindível a comprovação da efetiva comercialização da droga para sua consumação.
6. A condição de usuário de entorpecentes não afasta, por si só, a configuração do crime de tráfico de drogas. Isso porque a distinção entre as condutas previstas nos
arts. 28 e 33 da Lei nº 11.343/06 deve resultar da análise conjunta da natureza e da quantidade da substância apreendida, das circunstâncias da prisão, das condições pessoais do agente e dos demais elementos probatórios, os quais, no caso concreto, afastam a tese de posse para consumo próprio.
7. A apreensão de apenas 2,3g de crack, embora se trate de substância de elevado potencial lesivo, não justifica, por si só, a exasperação da pena-base com fundamento no art. 42 da Lei nº 11.343/06, ausentes
circunstâncias concretas que extrapolem aquelas ordinariamente inerentes ao tipo penal.
8. O acusado faz jus ao reconhecimento da atenuante da confissão espontânea, ainda que tenha admitido apenas a posse da droga para consumo próprio perante a autoridade policial, nos termos da Súmula nº 630 do Superior Tribunal de Justiça.
9. Cabível a compensação da atenuante da menoridade relativa com a agravante da reincidência, o que se faz de ofício.
10. Cabível a compensação entre a atenuante da menoridade relativa e a agravante da reincidência, providência que se promove de ofício.
11. A pena mínima da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.343/06 é constitucional, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 1.178,
e não há
fundamento para o seu afastamento ou para a fixação da sanção pecuniária em patamar inferior ao mínimo legal.
12. Mantém-se o regime inicial fechado, porquanto, mesmo após o redimensionamento da pena, a reprimenda permanece superior a 6 anos de reclusão, subsiste circunstância judicial desfavorável e o acusado é reincidente, circunstâncias que justificam a adoção do regime mais gravoso.
IV. DISPOSITIVO
13.
Recurso
conhecido e
parcialmente provido.
(TJPR - 4ª Câmara Criminal - 0004503-15.2025.8.16.0019 - Ponta Grossa - Rel.: DESEMBARGADOR ANTONIO CARLOS RIBEIRO MARTINS - J. 10.08.2026)
|
Íntegra
do Acórdão
Ocultar
Acórdão
Atenção: O texto abaixo representa a transcrição de Acórdão. Eventuais imagens serão suprimidas.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 6ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Recurso: 0043524-79.2017.8.16.0018 ED Classe Processual: Embargos de Declaração Cível Assunto Principal: Indenização por Dano Moral Embargante(s): COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANA SANEPAR Embargado(s): Vistos. 1. MARIA JOSÉ NOVAES DE OLIVEIRA propôs ação indenizatória em face da Sanepar, visando a condenação da concessionária ao pagamento de danos morais, sob o fundamento de que, entre os dias 11 e 22 de janeiro de 2016, o imóvel em que residia teve o abastecimento de água interrompido sem justa causa. A sentença julgou procedente o pedido. Inconformada, a ré interpôs recurso inominado. O relator anterior, em decisão monocrática, conheceu do recurso e negou-lhe provimento, mantendo integralmente a sentença proferida pelo Juízo de origem (mov. 6.1 dos autos de recurso inominado). Contra a referida decisão, foram opostos embargos de declaração pela Sanepar, alegando a existência de omissão e contradição no julgado. 2. Os embargos comportam acolhimento. Julgada a ação civil pública que resultou na instauração do IRDR n. 11523-95.2017.8.16.0000, tem-se por cessada a suspensão processual ordenada na reclamação cível n. 0016362-66.2017.8.16.0000. 3. Tendo em vista o efeito vinculante do julgamento do IRDR supracitado, devem ser acolhidos os embargos opostos pela parte ré, com efeitos infringentes, desconstituindo-se a decisão monocrática proferida pelo então relator em sede de recurso inominado (evento 6.1). Restou pacificado na jurisprudência desta Corte o entendimento de que a interrupção do abastecimento de água na cidade de Maringá em janeiro de 2016 resultou de fato irresistível da natureza. Com efeito, as fortíssimas chuvas que se precipitaram no início daquele mês, após ocasionarem o transbordamento do Rio Pirapó (manancial responsável pelo abastecimento da cidade), provocaram a inundação da unidade de captação da concessionária. Tratando-se de caso fortuito, que exclui o nexo causal, não pode a recorrente ser responsabilizada civilmente pelos danos: ainda que se reconheça o delongado tempo despendido para restabelecer as operações de abastecimento de água potável, claro está que essa demora se acha justificada pela dimensão extraordinária do evento climático. De fato, o eg. TJPR, ao julgar o Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) n. 11751-70.2017.8.16.0000 [antiga numeração 1.676.846-4], fixou as seguintes teses: “ (...) b) a interrupção temporária no fornecimento de água para fins de manutenção ou reparo na rede, desde que não corriqueiras e por prazo razoável, independentemente de aviso, assim como aquelas motivadas por caso fortuito ou força maior externos, não caracteriza ilícito hábil a fundar pedido indenizatório. (...)” (Sessão Cível, julg. 4.12.2019). No caso, deve-se adotar a tese da letra “b”. Nesse sentido, vejam-se os julgados da 4ª e da 6ª Turma: RECURSO INOMINADO – JUÍZO DE RETRATAÇÃO - SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – SANEPAR - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - CONTROVÉRSIA QUE VERSA SOBRE A INTERRUPÇÃO NO FORNECIMENTO DE ÁGUA OCORRIDA EM JANEIRO/2016 NA CIDADE DE MARINGÁ/PR – PROCESSO QUE PERMANECEU SUSPENSO EM RAZÃO DA DECISÃO CONTIDA NO IRDR N. 0011523-95.2017.8.16.0000 (AUTOS FÍSICOS N. 1675776-6 E N. 1659422-0) - JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO POR SUPERVENIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NA RECLAMAÇÃO 0015612-64.2017.8.16.0000 JULGADA PELO E. TJPR - CUMPRIMENTO DA DETERMINAÇÃO SUPERIOR DE CASSAÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA ANTERIORMENTE PELA TURMA RECURSAL – RECLAMAÇÃO CÍVEL QUE ENTENDEU PELA APLICAÇÃO DO JULGAMENTO DE MÉRITO DA ACP N. 0003981-72.2016.8.16.0190, QUE POR SUA VEZ ENTENDEU PELA APLICAÇÃO DAS TESES JURÍDICAS FIRMADAS NO IRDR N 1.676.133-2 (0011579-31.2017.8.16.0000) E NO IRDR N. 1.676.846-4 (0011751-70.2017.8.16.0000) JULGANDO IMPROCEDENTE OS PEDIDOS INICIAIS – FORÇA MAIOR EXTERNA – EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE – ROMPIMENTO DO NEXO DE CAUSALIDADE –- IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL É MEDIDA QUE SE IMPÕE - SENTENÇA REFORMADA. Decisão cassada e substituída por este acórdão. Recurso da parte reclamada conhecido e provido. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0012195- 83.2016.8.16.0018 - Maringá - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MARCO VINICIUS SCHIEBEL - J. 29.10.2025) RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. INTERRUPÇÃO NO FORNECIMENTO DE ÁGUA NO MUNICÍPIO DE MARINGÁ EM JANEIRO DE 2016. INUNDAÇÃO DO RIO PIRAPÓ, QUE COMPROMETEU AS INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS DE CAPTAÇÃO E BOMBEAMENTO DE ÁGUA DA CONCESSIONÁRIA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DA SANEPAR. PARALISAÇÃO DAS ATIVIDADES DE COLETA E DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA DECORRENTE DAS INTENSAS CHUVAS OCORRIDAS NOS DIAS 10 E 11 DE JANEIRO DE 2016. EVENTO IMPREVISÍVEL E INCONTORNÁVEL, FORA DO ESPECTRO DE CONTROLE DA CONCESSIONÁRIA. FORTUITO EXTERNO. PRAZO RAZOÁVEL PARA RETOMADA DO SERVIÇO. AUSÊNCIA DE ILÍCITO. CAUSA EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. INTERRUPÇÃO EMERGENCIAL, DECORRENTE DE NECESSIDADE TÉCNICA, QUE NÃO CONFIGURA DESCONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO. APLICAÇÃO DO ART. 40, I E II, DA LEI N.º 11.445/2007 E DO ART. 6º, § 3º, I, DA LEI N. 8.987/1995. IRDR N.º 1.676.846-4 (TEMA 005), TESE “B”. MEDIDAS PARA MITIGAR O DESABASTECIMENTO ADOTADAS PELA CONCESSIONÁRIA. AUSÊNCIA DE RESERVATÓRIO NA UNIDADE CONSUMIDORA, EM DESCONFORMIDADE COM O ART. 27 DA RESOLUÇÃO AGEPAR N.º 003/2020. ROMPIMENTO DO NEXO DE CAUSALIDADE. AFASTAMENTO DO DEVER DE INDENIZAR. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (...). (TJPR - 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0019913-34.2016.8.16.0018 - Maringá - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUÍZAADOS ESPECIAIS GISELE LARA RIBEIRO - J. 11.10.2025). 4. Do exposto, acolho os embargos com efeitos infringentes para, em juízo de retratação, reformar a decisão proferida no recurso inominado, dando provimento ao requerimento do embargante e, por conseguinte, reformando integralmente a sentença proferida pelo Juízo de origem para julgar improcedentes os pedidos iniciais. 5. Traslade-se cópia da presente decisão aos autos do recurso inominado, para que produza os efeitos legais cabíveis. 6. Em razão da reforma da decisão anteriormente proferida, afasto a condenação do recorrente ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios. 7. Certificado oportunamente o decurso do prazo recursal, arquivem-se os autos. Intimem-se e cumpra-se. Curitiba, 07 de outubro de 2026. Marcos José Vieira Juiz relator
|
1 registro(s) encontrado(s), exibindo de 1 até 1
|