SELEÇÃO DE DECISÕES

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DOCUMENTO 1
 

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Processo:
0089198-22.2026.8.16.0000
(Acórdão)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): substituto delcio miranda da rocha
Órgão Julgador: 5ª Câmara Criminal
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Sun Sep 20 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Mon Sep 21 00:00:00 BRT 2026

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33, CAPUT, DA LEI Nº 11.343/2006). RECONHECIMENTO DA CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO DE PENA (ART. 33, § 4º, DA LEI Nº 11.343/2006). NÃO CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DAS PROVAS. VIA INADEQUADA. REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA. NÃO ACOLHIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. RISCO DE REITERAÇÃO E GRAVIDADE DO DELITO. RÉU QUE PERMANECEU PRESO DURANTE TODA A INSTRUÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS INALTERADAS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA HOMOGENEIDADE. INOCORRÊNCIA. REGIME INICIAL FECHADO FIXADO NA CONDENAÇÃO. CORRESPONDÊNCIA ENTRE A CAUTELAR E O TÍTULO CONDENATÓRIO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NA PARTE CONHECIDA, DENEGADA. I. CASO EM EXAME 1.1. Habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de paciente condenado pela prática do crime de tráfico de drogas, a quem foi negado o direito de recorrer em liberdade. 1.2. O impetrante sustenta error in judicando quanto ao afastamento da causa especial de diminuição de pena do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas, ausência de fundamentação idônea na manutenção da prisão preventiva do paciente e violação ao princípio da homogeneidade. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. Há três questões em discussão: a) se o pedido de reconhecimento da causa de diminuição do art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 comporta exame pela via do habeas corpus; b) se a decisão que manteve a prisão preventiva na sentença condenatória está adequadamente fundamentada; c) se a custódia cautelar ofende o princípio da homogeneidade. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O exame do preenchimento dos requisitos cumulativos da minorante do tráfico privilegiado demanda revolvimento do conjunto probatório, providência incompatível com a cognição sumária do writ. 3.2. A matéria já é objeto de apelação. Decidi-la antecipadamente na estreita via mandamental subverteria a ordem do sistema recursal e transformaria o remédio constitucional em sucedâneo de recurso próprio. 3.3. A manutenção da custódia apoiou-se em elementos concretos extraídos dos autos, e não na gravidade abstrata do tipo penal. A quantidade e a diversidade das substâncias, o fracionamento e os instrumentos apreendidos revelam estrutura mínima de comércio organizado e risco concreto de retomada da mercancia. 3.4. Inalteradas as razões da prisão cautelar e sobrevindo o juízo condenatório formado sob contraditório, não há ilegalidade na negativa do direito de recorrer em liberdade, sendo dispensável a indicação de fatos novos. 3.5. Não há violação ao princípio da homogeneidade. O óbice se configura quando o regime fixado na sentença é menos gravoso do que a medida cautelar antecipada, o que não ocorre quando a condenação impõe regime inicial fechado, com vedação à substituição por penas restritivas de direitos e ao sursis. O argumento defensivo parte de premissa não realizada, qual seja, a futura incidência da minorante. 3.6. A prisão preventiva não antecipa a pena. Possui natureza cautelar e finalidade instrumental de resguardo da efetividade do processo, distinta do caráter retributivo da sanção penal. IV. DISPOSITIVO 4.1. Ordem parcialmente conhecida e, na parte conhecida, denegada. Dispositivos relevantes citados: Lei nº 11.343/2006, art. 33, caput, e § 4º. CPP, art. 312; art. 387, § 1º. CP, art. 44, II, e art. 77, I. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 1.073.503/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 10.03.2026. STJ, AgRg no HC n. 863.773/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. 30.09.2024. TJPR, HC nº 0109886-10.2023.8.16.0000, Rel. Des. Celso Jair Mainardi, 4ª C. Crim., j. 04.12.2023.