RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. RESIDÊNCIAS PRÓXIMAS. ATERRAMENTO. IMÓVEL DOS AUTORES INTEIRAMENTE DANIFICADO NO CURSO DO PROCEDIMENTO. SENTENÇA (MOVS. 72.1 E 74.1) QUE JULGOU PARCIALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS CONTIDOS NA EXORDIAL, CONDENANDO O RÉU AO RESSARCIMENTO DOS VALORES INVESTIDOS NO REPARO DO IMÓVEL, BEM COMO A INDENIZAR OS AUTORES EM R$ 2.500,00 (DOIS MIL E QUINHENTOS REAIS) PELOS DANOS MORAIS SUPORTADOS. INSURGÊNCIA RECURSAL. ANÁLISE DO RECURSO DO RÉU. PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL. PROCEDÊNCIA. CAUSA DE EXTREMA COMPLEXIDADE. RELATÓRIO DE VISTORIA REALIZADO POR CONTADOR DO CARTÓRIO, O QUAL NÃO POSSUI CONHECIMENTO TÉCNICO PARA AVALIAR OS DANOS E A SUA RESPECTIVA ORIGEM. ASSISTENTES TÉCNICOS HABILITADOS NOS AUTOS. COMPLEXIDADE NATURAL DOS AUTOS QUE EXTRAPOLA O RITO CÉLERE E SIMPLIFICADO DO RITO SUMARÍSSIMO. NECESSIDADE INEQUÍVOCA DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL, A QUAL NÃO PODE SER REALIZADA NOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. SENTENÇA NULA. PROCESSO EXTINTO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, EM RAZÃO DA ALTA COMPLEXIDADE DO OBJETO DA LIDE, NOS TERMOS DO ARTIGO 51, INCISO II, DA LEI Nº 9.099/1995. RECURSO DOS AUTORES PREJUDICADO. RECURSO DO RÉU CONHECIDO E PROVIDO. 1) Assiste razão recursal ao réu, no tocante à impossibilidade de processamento do presente feito dentro da alçada dos Juizados Especiais Cíveis. É que o objeto da demanda extrapola o rito célere e simplificado dos Juizados Especiais Cíveis, por depender de forma inequívoca da produção de prova pericial. Não obstante, a própria causa é revestida de um maior rigor técnico que extrapola a alçada simplificada dos Juizados Especiais Cíveis, sendo, portanto, impossibilitado o seu trâmite pela Lei nº 9099/95. 2) Em que pese ter sido realizado um laudo de vistoria do terreno pelo contador do cartório, destaco que o mesmo não possui o conhecimento técnico necessário para avaliar os danos sofridos no imóvel, e, especialmente, a origem dos mesmos, o que é imprescindível para configurar ou não o dever indenizatório, o qual é o centro da discussão dos autos. Ato contínuo, o laudo restou extremamente prejudicado, uma vez que não foram analisados todos os quesitos suscitados pelos litigantes. 3)Tal carência tentou ser suprimida pelos autores, que realizaram a juntada de laudos técnicos produzidos por assistentes técnicos, evidenciando não ser caso de baixa complexidade. Sem embargo, é impreterível a nomeação de um perito judicial para analisar o terreno das residências dos litigantes, ao passo que tal prova não pode ser suprida nos Juizados Especiais, ainda que por iniciativa das partes, e, não há nenhum elemento probatório robusto que clarifique a questão e dê vazão à resolução do mérito. 4) Saliento, ainda, que o réu juntou cópia dos autos nº 0009327-30.2015.8.16.0031 (mov. 102.2 – 102.8), demonstrando que os autores ajuizaram pretensão indenizatória perante a Vara Cível, sob a égide do rito ordinário. Dessa feita, tal rito melhor comporta as particularidades aqui evidenciadas, motivo pelo qual deve ser declarada nula a sentença e o presente processo extinto, sem resolução do mérito, nos termos do artigo 51, inciso II, da Lei nº 9.099/1995, ante a incompetência dos Juizados Especiais para processar e julgar o presente feito. Precedentes: RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ALEGAÇÃO DE FRAUDE. EXIBIÇÃO DE CONTRATO COM ASSINATURA SEMELHANTE. FRAUDE GROSSEIRA NÃO VERIFICADA. NECESSIDADE DE PERÍCIA GRAFOTÉCNICA. RECONHECIMENTO DA INCOMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. PROCESSO EXTINTO. RECURSO PREJUDICADO. (...) No entanto, somente um laudo de profissional é capaz de apurar a autenticidade da assinatura, não podendo esta ser presumida, sob pena de causar injustiça a uma das partes. (...) Desta forma, para o correto deslinde do feito, necessária se faz a realização de prova pericial, o que torna os Juizados Especiais incompetentes, eis que clara a incompatibilidade com o rito descrito na Lei 9099/95, sendo necessária a reforma da sentença para declarar extinto o feito, sem resolução de mérito, com base no art. 51, II da LJE. (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0005603-18.2015.8.16.0031/0 - Guarapuava - Rel.: Marcelo de Resende Castanho - - J. 17.02.2016) RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E ESTÉTICOS. PROCEDIMENTO ODONTOLÓGICO ? IMPLANTE DENTÁRIO ? COLOCAÇÃO DE SUPOSTA PRÓTESE FIXA- PROCEDIMENTO QUE FEZ COM QUE A AUTORA SENTISSE MUITA DOR. SENTENÇA SINGULAR DE EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO POR INCOMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS ANTE A NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA. INCONFORMISMO RECURSAL DA AUTORA. IMPROCEDÊNCIA. QUADRO DE DOR, BEM COMO, CORREÇÃO NO PROCEDIMENTO ADOTADO A SER AFERIDO POR PERÍCIA. IMPRESCINDIBILIDADE DA REALIZAÇÃO DE PROVA TÉCNICA, A FIM DE MOSTRAR O NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE A CONDUTA DO RECLAMADO E O DANO SUPOSTAMENTE SOFRIDO PELA AUTORA - NECESSIDADE DE MAIOR DILAÇÃO PROBATÓRIA PARA QUE SE POSSA VERIFICAR A RESPONSABILIDADE DO RECLAMADO E SUA ATUAÇÃO. COMPLEXIDADE DA CAUSA QUE AFASTA A COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS, NOS TERMOS DO ARTIGO 51, II DA LEI 9.099/95. EXTINÇÃO DA DEMANDA SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO MANTIDA. (...) No mérito, o recurso não merece provimento, devendo a sentença singular ser mantida pelos seus próprios fundamentos, jurídicos e legais, nos termos do artigo 46 da Lei 9.099/95. Importante registrar que, inobstante as razões apontadas pela Recorrente, e sensível às suas dificuldades financeiras, fato é que o laudo pericial para aferir-se a correção no procedimento adotado pelo Reclamado, assim como, acerca do suposto dano causado à Reclamante deve ser verificado por perícia e confeccionado um laudo pericial com base nos procedimentos adotados pelo reclamado e os sintomas relatados pela autora. (TJPR - 1ª Turma Recursal - 0007667-44.2012.8.16.0083/0 - Francisco Beltrão - Rel.: Eduardo Ressetti Pinheiro Marques Vianna - - J. 15.06.2015)